Política e Resenha

ARTIGO – Quem Deterá a Sanha de Cláudio Castro?

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história de um país em que o silêncio das instituições é mais perigoso do que o grito dos tiranos. O que vimos recentemente no Rio de Janeiro não é apenas mais uma operação policial. É a cristalização de um projeto de poder que usa a violência como instrumento de visibilidade política, transformando a dor do povo em palanque e o sangue derramado em argumento eleitoral.

A denúncia feita por Hildegard Angel, em suas redes, é mais do que um desabafo. É um alerta. Segundo ela, o governador Cláudio Castro mobilizou 2.500 policiais, carros de combate e um verdadeiro arsenal de guerra numa ação que custou milhões aos cofres públicos — tudo isso com claros fins políticos. É o uso da máquina do Estado como instrumento de terror, travestido de combate ao crime.

Mas o que está por trás dessa “sanha”?
Castro tenta, a qualquer custo, se manter relevante num cenário político que o rejeita. Alimenta o discurso do medo, da força, da ordem a qualquer preço. Enquanto isso, o povo das comunidades segue refém — ora do tráfico, ora do próprio Estado.

O Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal precisam romper esse silêncio cúmplice. A Constituição não autoriza o uso político da polícia. O Estado Democrático de Direito não pode conviver com governantes que transformam a segurança pública em teatro de guerra. Cada tiro disparado em operações como essa é um grito contra a democracia.

Não se trata de defender criminosos, mas de defender a legalidade, a proporcionalidade, e a dignidade da vida humana — princípios que parecem ter sido esquecidos em meio à ânsia de poder. Quando um governador usa as forças do Estado como ferramenta de propaganda, o perigo deixa de ser apenas local. Ele se torna nacional.

O Brasil precisa escolher: ou o caminho da lei e da civilização, ou o abismo do autoritarismo travestido de ordem.
Cláudio Castro parece já ter feito sua escolha. Cabe agora ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal decidirem se ficarão assistindo de camarote ao descalabro, ou se finalmente erguerão a voz em defesa da Constituição.

Porque, se nada for feito, amanhã será tarde demais.