
Há temas que definem o destino de uma região, e nenhum deles é tão decisivo para o Sudoeste baiano quanto a concessão da Rio–Bahia. A BR-116 é mais do que uma rodovia: é artéria, é economia pulsando, é segurança logística, é vida. E, por isso mesmo, cada atraso, cada silêncio institucional, cada promessa adiada soa como negligência planejada. Participamos das audiências públicas da ANTT, discutimos propostas, avaliamos projeções, questionamos falhas, contribuímos com dados e com a realidade de quem vive na estrada, não em gabinetes. O cronograma apresentado previa a licitação para dezembro de 2025. Dezembro está batendo à porta. E o edital continua invisível.
O que se vê é um jogo de afirmações desencontradas. Um blog de Salvador garante que a licitação foi empurrada para 2026. Já o Ministro Rui Costa, em entrevista clara e objetiva, reafirma o prazo de dezembro deste ano. Mas quando consultamos os sites da ANTT e do TCU — que deveriam ser os templos da transparência — não encontramos qualquer publicação oficial do certame. E assim surge a velha pergunta que ronda a infraestrutura brasileira há décadas: estamos diante de um país que promete muito e executa pouco, ou estamos diante de um país que executa no silêncio para anunciar somente quando convém politicamente?
A concessão da Rio–Bahia não pode se transformar em mais um capítulo da burocracia eterna. A falta de duplicação ceifa vidas, aumenta custos de transporte, afasta investimentos e desacelera o desenvolvimento regional. A região Sudoeste, que luta há anos pela Duplicação Sudoeste, não está pedindo luxo; está pedindo justiça. Patrimônio histórico importa, cultura importa, política pública importa — mas nenhuma política pública é legítima quando vidas são tratadas como adendos orçamentários. Quem conhece essa estrada sabe que ela não é estatística: ela é sangue, suor, famílias destruídas, caminhoneiros exaustos, empresários frustrados e cidades inteiras à mercê do descaso.
Faltando quinze dias para dezembro, resta uma pergunta que não pode mais ser evitada: poderemos esperar, enfim, a publicação do tão esperado edital? Se a resposta for “sim”, que seja acompanhada de clareza, transparência e compromisso. Se a resposta for “não”, que ao menos se tenha coragem de comunicar publicamente, com responsabilidade institucional, e não por vazamentos contraditórios.
A concessão da Rio–Bahia é a fronteira entre o desenvolvimento e o improviso. Entre a logística moderna e o atraso estrutural. Entre a segurança e a tragédia. Entre a esperança e o cinismo político. E quando um governo afirma um prazo, a sociedade tem o direito sagrado de cobrar o cumprimento.
Buscamos com o movimento Duplicação Sudoeste, desempenhar um papel de não aceitar migalhas nem promessas vazias. Porque desenvolvimento regional não é favor; é dever de Estado. E quando o Estado falha, o povo toma a palavra.
Não há mais espaço para ambiguidade. Chegou a hora de saber se o futuro da BR-116 será decidido com responsabilidade ou com improviso. Dezembro está chegando — e com ele a hora da verdade. O Brasil já pagou caro demais pelo adiado eterno.
Conquista, Sudoeste, Bahia, Brasil: é agora. A estrada está pedindo respeito. E o silêncio institucional, este sim, é a pior curva da rodovia.
JOSÉ MARIA CAIRES
DUPLICA SUDOESTE




