Política e Resenha

A Voz que Ecoa do Batuque para Toda Vitória da Conquista

 

 

 

(Padre Carlos)

Há pronunciamentos no plenário da Câmara Municipal que passam, e há pronunciamentos que ficam. O discurso da vereadora Léia, na manhã de ontem, pertence à segunda categoria. Não pela formalidade do microfone, não pela liturgia política que tantas vezes parece automática, mas pela força simbólica de quem usa a tribuna para representar, com verdade, a dor e o sonho de um povo historicamente esquecido.

Quando uma liderança pública decide romper o ciclo de invisibilidade da zona rural, algo mais profundo acontece do que um anúncio de obra — acontece reconhecimento. É disso que vive a democracia: de dar voz a quem nunca teve. O distrito de São João da Vitória, o nosso querido Batuque, é prova viva de que o tempo pode adoecer uma comunidade quando o asfalto não chega, quando a infraestrutura não vem, quando a esperança parece sempre transferida para “o ano que vem”.

A vereadora Léia transformou esse incômodo coletivo em bandeira política. Fez o que a população sempre cobrou: cobrou também. Não se contentou com promessas, buscou a prefeita Sheila Lemos, buscou o governador Jerônimo Rodrigues, insistiu, articulou, provocou movimento. Levou topógrafo, engenheiro, Seinfra, e agora a pavimentação não é mais utopia — é obra em curso. Isso não é favor. É cidadania. É o Estado finalmente alcançando as pessoas.

E quando ela anuncia que o distrito de Batepé receberá um trator para impulsionar a produção e o desenvolvimento, fica evidente que a zona rural deixou de ser coadjuvante no tabuleiro político de Vitória da Conquista. Estamos assistindo a uma mudança de eixo: o campo voltando a ser protagonista, e não apenas estatística em época de eleição.

Por isso, o pronunciamento da vereadora Léia é importante. Porque mostra que a tribuna pode construir, não apenas criticar. Que a política pode servir, e não se servir. Que quando o mandato se conecta com a comunidade — com nome, endereço, estrada enlameada e calo na mão — o resultado é transformação social.

É preciso repetir, alto e claro: infraestrutura, pavimentação, agricultura familiar, desenvolvimento rural, políticas públicas para o interior — tudo isso não é gasto, é investimento. É progresso econômico, inclusão social, dignidade humana.

E ao chamar a população para estar presente na visita do governador, a vereadora faz outro gesto democrático: chama o povo para ser protagonista da própria conquista. Não há política mais saudável do que essa.

O Batuque esperou demais. O Batepé esperou demais. A zona rural esperou demais.
Agora, finalmente, a roda está girando.

Que esse pronunciamento ecoe como lembrete para toda a classe política:
a Câmara só faz sentido quando a voz que sai da tribuna encontra os ouvidos do povo e se transforma em resultado concreto.