
Quando se vive no Sudoeste da Bahia, aprender a resistir não é opção — é condição. Por décadas, a população de Vitória da Conquista, Jequié, Poções, Planalto e toda a região do Sertão Produtivo foi obrigada a conviver com a BR-116 e a BR-324 como símbolos de descaso, abandono e dor. Quantas vidas foram ceifadas? Quantos sonhos foram interrompidos? Quantas famílias viram no asfalto irregular o retrato de um Estado distante e de uma concessionária preocupada apenas com arrecadação?
A ViaBahia nos marcou com pedágios caros e resultados pífios, e o povo aprendeu a não esperar mais nada.
Por isso, quando o Ministério dos Transportes anuncia as datas dos leilões da BR-324 e BR-116, depois da tão custosa saída da ViaBahia, não estamos diante de uma simples decisão administrativa. Estamos diante de algo que deveria ter sido um direito, mas que chega como uma espécie de vitória coletiva, suada e tardia — tão tardia que terminamos comemorando como quem recebe um pedaço de sua dignidade de volta.
A Rota dos Sertões, que terá leilão em março de 2026, e a Rota 2 de Julho, prevista para novembro do mesmo ano, representam mais do que infraestrutura. Representam a esperança de que o Sudoeste volte a crescer, de que vidas sejam preservadas, de que o escoamento da produção rural seja valorizado, de que o turismo e a economia do sertão baiano voltem a pulsar.
Essa decisão pode transformar o eixo logístico que conecta Feira de Santana, o agreste e o sertão, chegando até Vitória da Conquista — porta estratégica para o Nordeste e o Sudeste brasileiro.
Mas sejamos sensatos: não basta licitar, é preciso fiscalizar. O Brasil já aprendeu da forma mais cruel que contrato assinado não garante obra entregue. Os gatilhos econômicos de progresso — infraestrutura, logística, transporte interestadual, desenvolvimento regional, qualidade urbana, crescimento sustentável — precisam finalmente deixar de ser palavras de discurso e virar realidade no chão quente do sertão.
Que o governo cumpra sua parte.
Que a iniciativa privada entenda que concessão não é exploração, é compromisso com o contribuinte.
E que o povo do Sudoeste baiano, tão maltratado, finalmente possa dirigir em paz, sem medo, sem humilhação e sem ser tratado como invisível.
Se tudo correr como prometido, não será exagero dizer:
o Sudoeste baiano não está pedindo favor — está recebendo justiça.




