Política e Resenha

ARTIGO – Um quadro político como Quinho Tigre precisa ser reconhecido pelo Governador

 

 

 (Padre Carlos)

Há momentos na política em que os gestos dizem muito mais do que os discursos. E, neste tabuleiro cada vez mais competitivo da sucessão e da reconfiguração das forças partidárias na Bahia, um quadro político com a envergadura de José Henrique Tigre — o popular Quinho — não pode ser tratado como acessório de luxo, figurante ou nome lateral dentro do projeto que governa o Estado.

Quinho tem lastro eleitoral, musculatura política e uma biografia construída fora das salas refrigeradas da burocracia partidária. Fala com as bases, transita entre prefeitos, mantém pontes com legisladores e, sobretudo, sabe dialogar com quem realmente sustenta o poder: o povo. Esse diferencial não é pouca coisa. E é justamente esse diferencial que torna inaceitável — e politicamente ingênuo — que sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa da Bahia não receba o devido reconhecimento do Palácio de Ondina.

É sintomático que, nas últimas semanas, boatos sobre uma possível aproximação com ACM Neto tenham se propagado com velocidade viral. O vazio político sempre produz ruídos. A falta de atenção sempre cria fissuras. E quando um quadro desse tamanho começa a ser enxergado como subvalorizado, as leituras passam a ganhar tons de realidade. A “desatenção estratégica” tem preço — e costuma ser alto.

Os desmentidos existem, é verdade. E são importantes. Quinho reafirmou fidelidade ao governador Jerônimo Rodrigues, aos projetos de Rui Costa e à liderança de Otto Alencar, incansável articulador do PSD na Bahia. Mas fidelidade política não pode ser romantizada: ela só se sustenta quando é correspondida. Ninguém permanece leal eternamente em troca de silêncio e cadeira lateral.

Quinho fez mais do que negar boatos: abriu a própria casa para receber o governador, o ministro da Casa Civil e aliados. Um gesto simbólico e poderoso. O tipo de gesto que líderes fazem quando querem dizer ao mundo que continuam jogando no time da situação — mas também querem ser vistos como titulares, não reservas.

E aí está o ponto central: reconhecer Quinho não é agradar uma pessoa. É reconhecer capital político real. Ignorar isso nessa altura do jogo é flertar com a miopia eleitoral — algo perigoso, especialmente em ano pré-eleitoral, quando cada aliança, cada sinal e cada gesto se convertem em votos.

A política é feita de peças, mas governada por inteligências. Quem subestima os próprios quadros empurra aliados para os braços de adversários. Quem reconhece os próprios talentos consolida força, fidelidade e vitória.

O governo da Bahia tem a chance — e a necessidade — de valorizar Quinho Tigre. Não por gentileza, mas por estratégia.

E na política, como bem sabem os articuladores, estratégia sigla vitória.