Política e Resenha

ARTIGO — AS MANOBRAS CORPORATIVISTAS QUE TRAEM A NAÇÃO BRASILEIRA

 

 

 

 (Padre Carlos)

Há um ponto de ruptura na vida pública de um país. Um limite em que o povo descobre, com brutal clareza, que as instituições que deveriam proteger a República estão ocupadas por homens decididos a protegê-se apenas entre si. A cada dia, a Câmara dos Deputados — sob a presidência de Hugo Mota — oferece ao Brasil um espetáculo vergonhoso que confirma essa ferida aberta: o corporativismo parlamentar transformado em máquina de blindagem da impunidade.

O caso Ramagem é apenas mais um sintoma de uma doença maior. O Supremo Tribunal Federal determinou, com sentença definitiva, que Alexandre Ramagem — condenado — deve perder o mandato. É simples. A Constituição é clara. Não há margem para interpretação, pareceres, contorcionismos ou desculpas. Perdeu o mandato. Ponto.
Mas Hugo Mota resolveu ignorar. Inventou dúvidas, exigiu parecer interno, simulou incerteza jurídica. Para quê? Para arrastar, postergar, enfraquecer, humilhar o país.

Esse “surto jurídico”, como ironizou Josias, não é fruto de ignorância — é conveniente. É útil. É um método. Foi assim com Carla Zambelli, foi assim com Eduardo Bolsonaro, e agora repete-se com Ramagem. Três condenados. Um preso na Itália, outro foragido nos Estados Unidos, outro com prisão decretada… e todos ainda deputados federais.
Que democracia mantém assentos parlamentares reservados a fugitivos?

Hugo Mota sabe exatamente o que está fazendo. Ele não está “avaliando” a decisão do STF — ele está protegendo aliados, garantindo a máquina político-ideológica que elegê-lo custou e que continuará existindo somente enquanto a impunidade for blindada de dentro do Parlamento.

Isso não é neutralidade.
Isso não é “prudência jurídica”.
Isso é cálculo político corporativista contra o povo brasileiro.

Enquanto o brasileiro trabalha 14 horas por dia para pagar imposto, enquanto falta vaga em hospital, enquanto empresas fecham e famílias endividam-se, a Câmara dos Deputados utiliza sua estrutura institucional para proteger condenados. Hugo Mota não teme o ridículo internacional — teme o colapso da própria rede de proteção que o mantém no topo.

A cadeira que ele ocupa não é apenas uma cadeira de madeira revestida em couro; ela carrega a obrigação moral de defender o país. No entanto, Hugo Mota decidiu transformá-la em porta giratória da impunidade.

A Constituição não é uma sugestão.
O STF não é um aconselhamento.
A Justiça não é uma conversa de bar.

Ou Hugo Mota cumpre o que jurou ao assumir — defender o povo e a Constituição — ou ficará eternamente marcado como o presidente da Câmara que institucionalizou a blindagem de criminosos e expôs o Brasil ao vexame internacional.

O tempo do teatro acabou.
O Brasil está vendo.
E quando um país vê, um país cobra.