Política e Resenha

ARTIGO – O VOTO EXPORTADO E O VÁCUO DO CENTRO: POR QUE VITÓRIA DA CONQUISTA PRECISA DE UMA CANDIDATURA DE CENTRO-DIREITA À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA (Padre Carlos)

 

 

 

Há um movimento persistente e quase silencioso moldando o destino político de Vitória da Conquista: a cidade — apesar de seu peso econômico, cultural e eleitoral — continua exportando votos para outras regiões quando o assunto é eleição para deputado estadual. E isso não acontece por desinteresse do eleitor, e sim pela ausência de um projeto competitivo capaz de representar o campo do centro-direita, espaço ideológico hoje completamente aberto.

A votação expressiva da prefeita nas últimas eleições escancarou uma evidência incontornável: o eleitor conquistense não é radical, mas moderado. Busca equilíbrio, boa gestão, segurança, desenvolvimento e resultados práticos. Esse perfil sintetiza um eleitorado que se alinha ao centro e ao centro-direita — e, portanto, há um terreno fértil para uma candidatura desse campo disputar com força uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Entretanto, enquanto esse espaço permanece vazio, a esquerda consolidou dois mandatos de deputados estaduais com forte capital eleitoral na cidade. Trata-se de uma hegemonia construída pela ausência de uma alternativa à altura, e não simplesmente porque o eleitor deseja unanimidade ideológica. Onde não existe competição real, instala-se o conforto político. E quando dois mandatos do mesmo campo consolidam presença simultânea na Assembleia Legislativa, fica evidente como a falta de disputa abre caminho para domínio territorial.

Essa lacuna estratégica explica outro fenômeno igualmente nocivo: Vitória da Conquista se tornou um terreno cobiçado por candidatos de outras regiões, que chegam a cada eleição para “garimpar” votos atraídos pela força do terceiro maior colégio eleitoral da Bahia. Eles levam os votos e deixam apenas material de campanha. Com mandatos conquistados em outras cidades, destinam recursos e emendas prioritariamente para os seus municípios de origem — e não para o sudoeste baiano.

Importante dizer: nem sempre foi assim. Vitória da Conquista já teve representação forte, moderada e influente na Assembleia e no Congresso — nomes que construíam pontes políticas, articulavam recursos e eram reconhecidos pela capacidade de diálogo. Com o esvaziamento da centro-direita e da moderação, instalou-se o ciclo da hegemonia de um único campo político e o da importação constante de candidaturas externas.

Por isso é estratégico — e urgente — reconstruir presença política local fora do eixo ideológico dominante. Uma candidatura de centro-direita à Assembleia Legislativa não representa um projeto de divisão, mas de equilíbrio. Representa a defesa de interesses regionais, na prática, e não apenas no discurso. Representa a recuperação da capacidade de pleitear obras, emendas, infraestrutura, investimentos em saúde, segurança e educação técnica — temas centrais para o eleitor conquistense.

A oportunidade está posta.

Nenhum dos dois mandatos estaduais da esquerda corre risco real enquanto não houver disputa pela representação da terra no espectro de centro-direita. E nenhum projeto local conseguirá travar a “exportação de votos” enquanto a cidade permanecer sem um nome competitivo e com identidade conquistense.

O ciclo atual favorece:

  • a hegemonia confortável de dois mandatos estaduais do mesmo campo político;

  • a entrada de candidatos de fora com grande estrutura financeira;

  • a dispersão do eleitor moderado que não encontra representação;

  • a perda de recursos e protagonismo regional.

Vitória da Conquista precisa de um nome da terra para a Assembleia Legislativa. Um nome que dialogue com empresários, profissionais liberais, trabalhadores, comerciantes, religiões, juventude e setores produtivos. Um nome capaz de traduzir a energia empreendedora, o espírito de trabalho e o desejo de desenvolvimento da cidade em voz ativa no Parlamento estadual.

A política é ocupação de espaço. Quando um campo político deixa de ocupar, outro ocupa. Quando a cidade não se representa, é representada por interesses externos. E quando não há disputa, o monopólio se instala — e permanece.

Se Vitória da Conquista quiser deixar de exportar votos e voltar a influenciar seu próprio destino, será preciso lançar um projeto de centro-direita competitivo, orgânico e profundamente conectado à identidade local. A Assembleia Legislativa precisa ouvir a voz da cidade — mas, para isso acontecer, a cidade precisa ter alguém da terra para falar.