Política e Resenha

ARTIGO – As obras que podem reposicionar Vitória da Conquista no mapa do desenvolvimento brasileiro

 

 (Padre Carlos)

Vitória da Conquista está diante de um daqueles raros momentos históricos em que decisões de infraestrutura, articuladas entre os três níveis de governo, podem mudar o destino de uma cidade inteira. E se há algo que sempre repito, é isto: nenhum município cresce de verdade sem um tripé sólido – estradas, água e drenagem. Pois, finalmente, esses três pilares começam a se alinhar no horizonte conquistense.

A visita do ministro da Casa Civil, Rui Costa, não trouxe apenas discursos; trouxe datas, números, compromissos e sinais claros de prioridade política. E isso, num país acostumado a promessas vazias, já representa um divisor de águas.

Comecemos pela infraestrutura rodoviária, motor de qualquer desenvolvimento regional. O anúncio do ministro de que o leilão da BR-116 e BR-324 será realizado no primeiro semestre do ano que vem, logo após o aval do Tribunal de Contas da União, recoloca Conquista no eixo das grandes decisões logísticas do Brasil. Estamos falando de R$ 14 bilhões de investimentos – e não é pouca coisa.

A duplicação da chegada de Conquista, as intervenções no contorno e os novos acessos ao Distrito Industrial dos Imborés são obras estruturantes. Obras que destravam gargalos, reduzem acidentes, barateiam o transporte, atraem empresas, geram empregos e fortalecem a economia local. É assim que se constrói crescimento econômico sustentável.

Mas não se vive só de estradas. Em regiões do semiárido, o futuro depende da água – e, nesse ponto, o anúncio da reta final da Barragem do Rio Catolé é talvez a notícia mais estratégica das últimas décadas. Faltam apenas seis meses para sua conclusão. Isso significa segurança hídrica pelos próximos trinta anos, condição indispensável para indústria, comércio, agricultura e para a própria qualidade de vida da população.

Água disponível é desenvolvimento garantido.

E há ainda um terceiro pilar sem o qual a cidade seguirá vulnerável: a macrodrenagem. Vitória da Conquista sofre há décadas com alagamentos, erosões, destruição de vias e prejuízos que se repetem ano após ano. Agora, pela primeira vez, vemos uma ação unificada entre Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal, inserida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Segundo o próprio ministro, os projetos já estão autorizados e a licitação deve ser publicada nos próximos dias. Com isso, as obras começam ainda no primeiro semestre.

A pergunta que fica é simples: quantas cidades no Brasil conseguem, ao mesmo tempo, garantir rodovias modernizadas, barragem concluída e macrodrenagem integral? Pouquíssimas. Conquista, se tudo avançar como anunciado, estará entre elas.

O que se desenha não é apenas um conjunto de obras; é uma virada de chave. É a chance de transformar um problema crônico em solução duradoura. É o momento de olhar para frente com ousadia e responsabilidade. É o instante em que a política mostra sua face mais nobre: a de unir forças para resolver aquilo que, sozinho, cada governo jamais resolveria.

Devemos fiscalizar, cobrar e acompanhar cada passo. Mas também devemos reconhecer que, desta vez, o futuro começou a se mover. E Vitória da Conquista, se souber aproveitar, poderá viver a década mais promissora de sua história.