Política e Resenha

ARTIGO – A Dança das Cadeiras e o Jogo de Forças na Política Baiana

 

 

 

Padre Carlos

Na política, nada é mais implacável do que o movimento da fila. Ela nunca para. Nunca espera. Nunca perdoa quem promete mais do que cumpre. E é exatamente esse vento que sopra agora sobre o MDB, que não entregou o desempenho que dizia ter pronto para Salvador e Vitória da Conquista. A conta chegou — e chegou pesada. A vice do partido está balançando, como já balançou o Coronel do PSD. A pergunta inevitável é: estamos diante de confiança estratégica ou de um tiro certeiro no próprio pé?

Quando o governador Jerônimo Rodrigues foi questionado sobre a entrada do ex-deputado Ronaldo Carletto na chapa de uma eventual reeleição em 2026, sua resposta foi um balde de água fria na lógica institucional: “não há nenhum nome definido”. Mas como não há? Se a vice não é do MDB? Se o mapa eleitoral não previa uma vaga para o PT e outra para o PSD no Senado? Desde quando quem detém mandato não tem o direito natural e político de tentar renová-lo?

O discurso de Jerônimo revela algo maior — talvez desconfortável, talvez calculado. Ele insiste que a chapa majoritária só será definida até março. Até lá, tudo é possível. Tudo é negociável. Tudo está em jogo. O governador joga com o tempo, como quem move peças num tabuleiro silencioso, sabendo que cada deslocamento provoca ruídos, recuos, alianças forçadas, esperanças infladas e ressentimentos profundos.

A verdade é que a política baiana atravessa um momento de recomposição. E quando o tabuleiro treme, os partidos que não entregam o combinado viram peças descartáveis. O MDB sabe disso. O PSD já sentiu isso. E o governo parece disposto a manter a mesa de negociação aberta até o último minuto — mesmo que isso custe a estabilidade e a previsibilidade que os aliados esperam.

Se isso é estratégia ou imprudência, só março dirá. Mas uma coisa é certa: na política, como na vida, quem perde o timing perde o lugar. E a fila, essa velha senhora impaciente, segue andando.