Política e Resenha

ARTIGO – Pastores com Cheiro de Ovelha: Pe. Ariosvaldo de Jesus Aragão A Fidelidade que se Faz Serviço

 

 

(Padre Carlos)

Há frases que atravessam o tempo e se transformam em critério moral, espiritual e histórico. Quando o Papa Francisco pede pastores “com cheiro de ovelha”, ele não está recorrendo a uma metáfora poética qualquer. Está, na verdade, redefinindo o lugar do sacerdote no mundo contemporâneo: não acima do povo, não distante da dor humana, mas mergulhado na vida real, tocado pelas angústias, alegrias, quedas e esperanças do rebanho que lhe foi confiado.

É sob essa luz que o dia 07 de fevereiro de 2009 ganha um significado que ultrapassa a simples memória cronológica. Naquela data, o Reverendo Pe. Ariosvaldo de Jesus Aragão foi ordenado Presbítero da Santa Igreja, assumindo publicamente uma vocação que não se mede por cargos, títulos ou honrarias, mas pela disposição radical de servir aos homens nas coisas que se referem a Deus. Ordenar-se padre é aceitar um caminho onde o centro não é o próprio sacerdote, mas o outro — o pobre, o esquecido, o ferido pela vida.

O sacerdócio verdadeiro não nasce do conforto das sacristias fechadas, mas do encontro com a realidade concreta do povo. O Papa Francisco insiste que o pastor precisa sentir o cheiro das ovelhas porque só quem caminha com elas conhece seus medos, suas dúvidas, suas feridas abertas. Um padre que não se deixa tocar pela vida real corre o risco de se tornar um funcionário do sagrado, alguém que fala de Deus sem nunca ter ouvido o grito humano que sobe da terra.

Celebrar a ordenação do Pe. Ariosvaldo é reconhecer o dom da vocação sacerdotal como um presente para a Igreja e para a sociedade. Em tempos de crise de credibilidade, de secularização acelerada e de descrença nas instituições, o testemunho de um padre fiel à sua missão se torna ainda mais necessário. O mundo não precisa de discursos vazios, mas de presenças coerentes. Precisa de pastores que escutem mais do que falem, que acolham mais do que julguem, que sirvam mais do que mandem.

Rezar pelo ministério sacerdotal não é um gesto devocional automático. É um ato de responsabilidade espiritual. O padre carrega sobre os ombros o peso das expectativas do povo e, muitas vezes, o silêncio das próprias dores. Por isso, suplicar a Deus que conduza o Pe. Ariosvaldo “sempre mais à perfeição” não significa desejar uma perfeição idealizada, sem falhas, mas uma fidelidade cotidiana, feita de pequenas escolhas, de perseverança, de humildade e de coragem evangélica.

O Bom Deus, que chama, também sustenta. Aquele que iniciou essa obra no coração do Pe. Ariosvaldo continua a conduzi-lo, dia após dia, pelo caminho exigente do serviço pastoral. Que seu ministério seja sinal de esperança, ponte de diálogo, presença consoladora e profética em meio ao povo. Que seu sacerdócio continue tendo cheiro de ovelha, marcas de estrada e o coração moldado pelo Evangelho vivido, não apenas anunciado.

Rendamos graças a Deus por esse dom. E que nossas orações não sejam apenas palavras, mas compromisso com uma Igreja mais próxima, mais humana, mais fiel ao Cristo que caminhava com o povo e jamais se afastou dele. 🙌