Política e Resenha

Do Sertão ao Laboratório: como Vitória da Conquista virou referência nacional no Umbu Gigante

Vitória da Conquista deu mais um passo estratégico no fortalecimento da agricultura adaptada ao semiárido ao realizar, neste sábado (7), o III Dia de Campo do Umbu Gigante. O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR), reuniu mais de 200 participantes na Fazenda Experimental da Pedra Mole, localizada no distrito de Bate-Pé, e evidenciou o papel do município como principal polo brasileiro de pesquisa, preservação genética e distribuição de mudas da espécie.

A Fazenda Pedra Mole abriga atualmente o maior banco de germoplasma de Umbu Gigante do país, com cerca de 800 plantas distribuídas em 25 variedades genéticas distintas. Além disso, a unidade conta com um viveiro com capacidade para produzir até 5 mil mudas por ano, funcionando como um centro tecnológico voltado à convivência produtiva com o semiárido e à transferência de conhecimento para produtores rurais.

A programação envolveu produtores de Vitória da Conquista e região, estudantes, pesquisadores e autoridades municipais e estaduais. Durante a visita técnica, a prefeita Ana Sheila Lemos Andrade destacou o caráter social do projeto, ressaltando que a distribuição gratuita de mudas representa um estímulo direto à geração de renda no campo, especialmente para famílias que vivem na Caatinga. Segundo a gestora, a iniciativa conecta pesquisa científica à autonomia produtiva, reduzindo custos de implantação para pequenos agricultores.

O secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Breno Pereira Farias, enfatizou que a meta da pasta é consolidar Vitória da Conquista como a maior referência produtiva de Umbu Gigante do Brasil. O objetivo se apoia no fato de que mais da metade do território do município está inserida no semiárido, condição considerada favorável ao cultivo da espécie quando associada a manejo adequado e assistência técnica.

A dimensão científica do encontro foi reforçada pela participação do professor doutor Orlando Sílvio Caires Neves, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que abordou práticas de adubação e manejo. Segundo o pesquisador, ainda é comum a percepção de que o umbuzeiro não necessita de cuidados por sua resistência natural, o que não se confirma na prática. Estudos demonstram que o investimento em adubação e manejo adequado resulta em frutos maiores e com maior valor comercial.

O potencial econômico do Umbu Gigante também foi evidenciado pela experiência de produtores rurais. Nelito Araújo, participante do projeto desde edições anteriores, relatou que pretende ampliar sua área plantada após os primeiros resultados obtidos com mudas recebidas anteriormente, destacando o cultivo como uma alternativa de longo prazo para a família.

Além da produção, o evento também abordou etapas posteriores da cadeia produtiva. Representantes da COOPROAF apresentaram informações sobre processamento e comercialização do fruto, ampliando o debate para além do cultivo e reforçando a importância da organização produtiva para agregação de valor.

A Fazenda Experimental da Pedra Mole segue sendo mantida pela Prefeitura de Vitória da Conquista, com apoio da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e da UFBA. A unidade atua como espaço permanente de experimentação, pesquisa e difusão de técnicas como enxertia e manejo especializado, contribuindo para otimizar a produtividade do umbu, fruto símbolo do semiárido nordestino.

(Maria Clara)