Política e Resenha

ARTIGO – Lealdade, Diálogo e Coragem: O Gesto de Quinho que Revela Maturidade Política na Bahia

 

Padre Carlos

 

No meio do Carnaval de Salvador, entre trios elétricos, multidões pulsando alegria e o calor humano que só a Bahia sabe produzir, uma imagem ganhou destaque: o ex-prefeito de Belo Campo, Quinho Tigre, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues e do ministro Rui Costa.

Alguns apressados viram cálculo. Outros, ambiguidade. Eu vi maturidade política.

Porque é preciso dizer com serenidade: a política não pode ser transformada em guerra permanente. O diálogo não é traição. A convivência institucional não é rendição. Em tempos de radicalização, o gesto de Quinho revela algo raro — equilíbrio.

Sim, seu nome é ventilado como possível pré-candidato a vice-governador na chapa de ACM Neto. Sim, ele pertence ao PSD de Otto Alencar. Sim, o tabuleiro da política baiana para 2026 está em movimento. Mas desde quando conversar virou crime? Desde quando respeitar adversários passou a ser sinal de fraqueza?

Quinho fez o que líderes responsáveis fazem: manteve pontes abertas.

Ele próprio afirmou que é amigo de Rui Costa há anos. Isso não é oportunismo — é trajetória. A política baiana é feita de relações construídas ao longo do tempo, de convivência institucional e de respeito pessoal. Quem conhece o interior sabe: as diferenças partidárias não apagam a amizade, nem o reconhecimento.

Quando declarou que “o futuro pertence a Deus” e que os próximos 60 dias serão decisivos, não falou como alguém indeciso. Falou como quem compreende o peso das escolhas. Falou como quem sabe que decisões estratégicas precisam ser tomadas com prudência, ouvindo aliados, avaliando cenários e pensando no melhor para a Bahia.

Há uma diferença profunda entre hesitação e responsabilidade.

O que vejo em Quinho é alguém que não se move por impulso. Ele não está gritando para plateias nem incendiando discursos. Está observando, dialogando, avaliando. Isso é virtude — não defeito.

A Bahia precisa de lideranças que saibam transitar, construir consensos e diminuir tensões. A política moderna exige capacidade de articulação, habilidade de negociação e inteligência emocional. Um vice-governador, sobretudo, precisa ser ponte. Precisa ser equilíbrio. Precisa ser alguém que converse com todos.

E Quinho demonstra exatamente essa capacidade.

Rui Costa, ao dizer que “a presença fala mais que qualquer palavra”, reconhece essa proximidade construída ao longo dos anos. Isso não significa adesão automática a um lado. Significa respeito mútuo. Significa trânsito político. Significa capital relacional — algo fundamental para governar.

A política baiana vive um momento estratégico. O debate sobre sucessão estadual, alianças, oposição, governo e projetos para 2026 já começou. Mas o eleitor não quer apenas confrontos. Quer estabilidade. Quer desenvolvimento regional. Quer investimentos no interior. Quer geração de emprego, infraestrutura, saúde e segurança.

Quem melhor para representar esse interior do que alguém que conhece a realidade municipal, que já foi gestor, que sabe o que é administrar com orçamento apertado e demandas crescentes?

A eventual composição com ACM Neto não seria ruptura ideológica abrupta. Seria construção estratégica dentro do jogo democrático. E, se houver outra decisão, que seja fruto de análise responsável. O que não se pode exigir de um líder é precipitação.

A política não é torcida organizada. É construção institucional.

Quinho demonstra algo que falta a muitos: serenidade. Ele não fecha portas. Não cria inimigos desnecessários. Não transforma divergências em trincheiras. Ele compreende que a Bahia é maior que partidos.

E talvez essa seja sua maior força.

Em um cenário de polarização, líderes capazes de dialogar com governo e oposição tornam-se peças-chave. Não por oportunismo, mas por habilidade política. Não por ambição vazia, mas por visão estratégica.

Os próximos 60 dias, de fato, podem definir rumos importantes. Mas independentemente do desfecho, o gesto no Carnaval já revelou algo essencial: Quinho é um político que não teme o diálogo. E isso, em tempos tão duros, é sinal de grandeza.

Porque a Bahia precisa menos de gritos e mais de pontes.

E líderes que constroem pontes não são fracos.

São necessários.