
Padre Carlos
Em Vitória da Conquista, convém começar pelo óbvio ululante: eleição para a Assembleia Legislativa da Bahia não é concurso de popularidade em rede social. Não é campeonato de “likes”. Não é desfile de pureza ideológica. Os fatos são o que são. E os fatos dizem que deputado estadual se elege com estrutura, capilaridade e dinheiro. O resto é vigarice retórica.
Há sete pré-candidaturas postas no quadrilátero. Sete. Algumas entram para ganhar. Outras, sub-repticiamente, entram para negociar. Outras ainda para “marcar nome” — id est, preparar terreno para vereador ou prefeito daqui a dois anos. É do jogo. Maquiavel já ensinava: a política é a arte do possível, não do desejável.
A tríade é simples, mas implacável:
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Estrutura de poder — máquina municipal, estadual ou federal;
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Popularidade regional — transcender o perímetro urbano de Conquista;
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Recurso financeiro — fundo partidário, rede empresarial, musculatura de campanha.
Sem isso, não há mandato. Há ilusão. Simples assim.
Comecemos pelo veterano: José Raimundo Fontes. É a força da tradição. Ex-prefeito, ex-deputado, quadro histórico do PT. Tem memória eleitoral, voto ideológico, presença consolidada no establishment progressista. Mas a política não é museu. A esquerda fragmentou-se, a base encolheu, o eleitorado mudou. Ele ainda é competitivo? Sim. Repetirá as votações de outrora? Pouco provável. Carrega densidade, mas já não é o mesmo fenômeno de mobilização. É o que é.
No campo pragmático, surge Fábricio Falcão, o favorito da realpolitik. Transita da direita à esquerda com desenvoltura, construiu alianças heterodoxas, mantém estrutura robusta e conexão com o governo estadual e federal. Não faz discurso para agradar bolhas; organiza base, articula prefeitos, costura acordos. Política, no sentido clássico do termo. Se eleição fosse apenas cálculo estrutural, largaria na frente. E talvez largue.
Já Wagner Alves encarna outra lógica: é o herdeiro da estrutura municipal. Candidato da prefeita, apoiado por vereadores e com respaldo do empresariado local, tende a ser o mais votado dentro da cidade. A máquina municipal pesa, e pesa muito. Mas eleição estadual não se resolve apenas na Avenida Olívia Flores. A pergunta crucial é: há capilaridade regional? Há densidade de voto em municípios vizinhos? Se houver, consolida-se como protagonista. Se não houver, o voto urbano pode se revelar insuficiente. Matemática eleitoral não admite sentimentalismo.
E há o player silencioso: Quinho Tigre. Ex-prefeito de Belo Campo, ex-presidente da UPB, articulador experimentado. O chamado “fator UPB” não é detalhe; é rede de ex-prefeitos, ex-gestores, relações construídas ao longo de anos. Soma-se a isso a estrutura do governo estadual. Não é candidato de barulho. É candidato de bastidor. E bastidor, em eleição proporcional, decide destinos. Sub-repticiamente.
Enquanto isso, parte do eleitor médio insiste em tratar deputado estadual como vereador de luxo — aquele que resolve calçamento, que intermedeia consulta, que tira foto em festa de padroeiro. Não é assim. O xadrez da ALBA se decide pelo coeficiente eleitoral, pela soma partidária, pela capacidade de puxar e ser puxado por votos. É engenharia política, não romantismo cívico.
Os amadores falam em coerência ideológica como se fosse credencial suficiente. Não é. Sem estrutura, sem dinheiro, sem rede regional, candidatura vira peça decorativa no tabuleiro. Serve para compor, para ajudar o partido a alcançar o quociente, para negociar espaço futuro. Nada mais.
No fim, a disputa real parece concentrar-se nesses quatro nomes — tradição, pragmatismo, máquina municipal e articulação estadual. O resto compõe o cenário, dá colorido ao debate, mas dificilmente rompe a barreira aritmética.
Os fatos são o que são.
E, no xadrez de Conquista, quem não entende a lógica do coeficiente termina celebrando curtidas enquanto outro toma posse na ALBA.




