Política e Resenha

ARTIGO – Zezéu Ribeiro: A Saudade que se Transforma em Compromisso

 

(Padre Carlos)

Há datas que não passam. Elas voltam como um sino que dobra dentro da memória coletiva. Hoje, a saudade aperta. São 11 anos sem Zezéu Ribeiro entre nós — mas sua presença permanece viva na história do Partido dos Trabalhadores, da Bahia e do Brasil.

Há homens que ocupam cargos. E há homens que constroem causas. Zezéu foi dos que compreenderam cedo que política não é palco de vaidades, mas trincheira de princípios. Militante desde a universidade, forjado nas lutas democráticas contra o autoritarismo, ele não se limitou a ocupar espaços — ajudou a organizá-los. Foi dirigente partidário, vereador, deputado federal, secretário de Estado, conselheiro atento aos rumos da gestão pública. Em cada função, carregava a mesma marca: coerência.

Num tempo em que a política brasileira vive crises de confiança, recordar Zezéu é recordar a importância da formação política sólida, do debate ideológico honesto e da fidelidade às bases populares. Ele pertenceu à geração que acreditava que o Nordeste não deveria ser tratado como periferia do desenvolvimento nacional, mas como protagonista de um projeto de justiça social. Defendeu políticas públicas estruturantes, combateu desigualdades históricas e compreendeu que inclusão social não é favor — é direito.

Sua trajetória confunde-se com a construção do PT na Bahia. Naquele período de consolidação democrática, quando tudo ainda era difícil e incerto, Zezéu esteve entre os que acreditaram na força da organização coletiva. Ajudou a escrever capítulos decisivos da história partidária, não com discursos vazios, mas com trabalho de base, articulação institucional e compromisso ético.

A política, quando exercida com seriedade, deixa rastros de esperança. E é isso que permanece. Não apenas a memória de um homem público, mas o exemplo de uma postura. Zezéu nunca confundiu mandato com propriedade pessoal. Nunca tratou cargo como privilégio. Nunca perdeu a capacidade de dialogar, mesmo nos momentos mais tensos da vida pública.

Hoje, quando o Brasil enfrenta novos desafios — polarização política, crises econômicas, desigualdade social persistente —, o legado de Zezéu Ribeiro ecoa como convocação. A nós, que seguimos nessa caminhada, cabe honrar essa herança com trabalho sério, responsabilidade institucional e fidelidade aos princípios que moldaram nossa trajetória democrática.

A saudade, quando é verdadeira, não paralisa. Ela mobiliza. Ela recorda que o projeto de transformação social continua inacabado. E que a melhor homenagem não é a lágrima isolada, mas a continuidade da luta.

Zezéu sempre presente — não apenas na memória dos que com ele conviveram, mas na história viva de um partido que nasceu do chão das fábricas, das universidades, das comunidades eclesiais de base, das periferias urbanas e do sertão nordestino.

Alguns homens passam. Outros permanecem. Zezéu permanece.