Prezados leitores,
A política não é feita apenas de discursos apaixonados ou memórias afetivas. Ela é, antes de tudo, feita de números. E quando os números falam, é preciso ter maturidade para ouvi-los.
O que os dados recentes mostram, com clareza quase dolorosa, é que a esquerda — liderada localmente pelo Partido dos Trabalhadores — encolheu em Vitória da Conquista. Não apenas perdeu eleição. Encolheu proporcionalmente enquanto a cidade cresceu.
Vamos aos fatos.
1️⃣ 2022 – A Força Máxima da Esquerda no Legislativo
Em 2022, o deputado federal Waldenor Pereira foi o candidato mais votado no município para a Câmara dos Deputados.
Dados locais:
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32.071 votos
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17,16% dos votos válidos na cidade
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Eleito no estado com 113.110 votos totais
À primeira vista, parece um resultado robusto. E foi. Mas observemos com atenção: mesmo sendo o candidato mais votado da esquerda local, ele representou pouco mais de 17% dos votos válidos.
Ou seja, mais de 80% do eleitorado conquistense optou por outros caminhos.
Isso já indicava uma base restrita.
2️⃣ 2024 – A Disputa Majoritária e o Teste Real de Densidade Eleitoral
Em 2024, Waldenor disputou a prefeitura de Vitória da Conquista. Em eleições majoritárias, o voto tende a se concentrar. É natural que o candidato amplie sua votação nominal.
E ele ampliou.
Dados da eleição municipal:
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52.947 votos
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26,74% dos votos válidos
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2º lugar
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Derrotado no 1º turno
A vencedora, Sheila Lemos, do União Brasil, obteve:
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116.488 votos
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58,83% dos votos válidos
Mais que o dobro.
Aqui está o ponto central: mesmo concentrando praticamente todo o campo da esquerda em torno de si, Waldenor não ultrapassou 26% dos votos válidos.
📊 Comparativo Direto no Município
| Cargo / Ano | Votos Nominais | % dos Votos Válidos | Posição |
|---|---|---|---|
| Deputado Federal (2022) | 32.071 | 17,16% | 1º lugar |
| Prefeito (2024) | 52.947 | 26,74% | 2º lugar |
O que os números revelam?
✔️ Crescimento nominal: +20.876 votos
✔️ Crescimento percentual: de 17% para 26%
❌ Incapacidade de romper o teto eleitoral
❌ Incapacidade de forçar segundo turno
❌ Derrota expressiva diante de uma candidatura que obteve quase 60%
O Encolhimento Relativo
É preciso entender o conceito de encolhimento político.
A cidade cresceu. O eleitorado aumentou. Novos bairros surgiram. Uma nova geração chegou às urnas.
Mas a esquerda não acompanhou esse crescimento na mesma proporção.
Quando um grupo político concentra toda sua força numa eleição majoritária e não consegue ultrapassar 26%, isso revela um limite estrutural. Um teto.
E mais: se em seu melhor momento legislativo a esquerda atingia 17%, e em sua disputa majoritária máxima alcança apenas 26%, isso significa que sua base sólida está longe da maioria social.
Vitória da Conquista deixou de ser território natural da esquerda.
O Problema Não é Apenas Eleitoral — É Narrativo
Há uma transformação profunda no eleitorado:
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Comunicação digital substituiu comícios tradicionais.
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O voto tornou-se mais emocional e menos ideológico.
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O pequeno empreendedor, o evangélico, o jovem conectado não se sentem mais automaticamente representados pelo discurso clássico da esquerda.
Enquanto isso, a atual gestão consolidou imagem administrativa e ampliou sua base.
A Realidade Incômoda
Para voltar a ser competitiva, a esquerda precisaria conquistar algo em torno de 50 mil novos votos. Isso é praticamente repetir toda a votação histórica de seu principal líder local.
Não é ajuste. É reconstrução.
E reconstrução exige:
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Renovação de linguagem
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Renovação de quadros
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Presença digital consistente
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Reconexão com os problemas concretos da cidade
Conclusão
Os números não são opinião. São fatos.
Entre 2022 e 2024 houve crescimento nominal, sim. Mas houve também a comprovação de um limite eleitoral. A esquerda consolidou um núcleo fiel, porém insuficiente para governar.
Vitória da Conquista mudou.
A pergunta que ecoa, com serenidade e urgência, é esta:
A esquerda terá coragem de reconhecer que encolheu — para então poder voltar a crescer?
Porque na política, negar os números é o primeiro passo para repetir a derrota.
Atenciosamente.





