Política e Resenha

Quinho Tigre no Tabuleiro do Poder: Movimento Tático ou Novo Projeto Político?

 

Na política baiana, quase nada acontece por acaso. Quando um site da capital começa a “coçar” para anunciar movimentos nos bastidores do poder, é porque alguma peça importante começou a se mover no tabuleiro. E, desta vez, a peça em questão atende pelo nome de Quinho Tigre.

Segundo informações divulgadas pelo portal Informe Baiano, o ex-prefeito de Belo Campo e ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) passou a circular com força nos bastidores como possível vice-governador na chapa de Jerônimo Rodrigues em 2026. A notícia não surge isolada: ela vem carregada de sinais, interesses e rearranjos que revelam muito mais do que uma simples escolha de nome.

Na política, às vezes um gesto vale mais do que um discurso inteiro. E quando um senador com a musculatura política de Rui Costa começa a movimentar peças, ninguém na base aliada finge que não viu.

Compensação ou estratégia?

A primeira pergunta que surge é inevitável: seria uma compensação ao senador Otto Alencar?
O PSD é uma força política estruturada na Bahia, e Otto nunca foi homem de jogar parado. Em muitas ocasiões, a engenharia política do grupo governista passa por manter o PSD confortável dentro do arranjo.

Colocar um nome do partido na vice poderia ser uma forma elegante de equilibrar o jogo.

Mas há uma segunda leitura, talvez mais interessante.

E se não for compensação?

E se for projeção de futuro?

Nesse cenário, o movimento poderia significar algo mais ousado: abrir espaço para que o Avante e aliados ampliem sua musculatura dentro da base governista, criando novas rotas de poder dentro do grupo político que domina a Bahia há quase duas décadas.

A política, afinal, não é um jogo de xadrez jogado apenas para vencer a próxima partida. Muitas vezes, trata-se de preparar o tabuleiro para as cinco partidas seguintes.

O fator Quinho Tigre

E aqui entra o elemento central dessa história: o próprio Quinho Tigre.

Ex-prefeito de Belo Campo, ex-presidente da UPB, articulador municipalista respeitado e com trânsito em diversas regiões da Bahia, Quinho construiu algo que em política vale ouro: rede de prefeitos, alianças municipais e capilaridade territorial.

Isso não se improvisa.

Prefeitos são, em muitos casos, os verdadeiros “cabos eleitorais estruturais” de uma campanha estadual. Eles conhecem o eleitor pelo nome, sabem onde o voto mora e, sobretudo, entendem como mobilizar uma eleição.

Se Quinho entra no jogo como vice, ele não entra apenas com um sobrenome político. Ele entra com uma engrenagem municipal inteira girando a seu favor.

E é aí que o salto político pode acontecer.

O que talvez fosse apenas uma candidatura regional pode se transformar em algo muito maior. A vice-governadoria, na política baiana, muitas vezes funciona como trampolim para voos futuros.

O silêncio de Ronaldo Carletto

Outro detalhe curioso dessa equação é o comportamento do presidente do Avante na Bahia, Ronaldo Carletto.

Segundo os bastidores, ele não demonstraria interesse na vice-governadoria. O objetivo seria outro: a suplência de Rui Costa no Senado.

Na política, suplência de senador não é prêmio de consolação — é investimento estratégico. Afinal, ninguém ignora que ministérios, licenças ou rearranjos políticos podem levar um suplente a assumir mandato.

Em outras palavras: cada peça está sendo posicionada com calma, como em uma partida de xadrez onde ninguém quer revelar o xeque antes da hora.

A queda de Geraldo Júnior

Enquanto algumas estrelas sobem, outras parecem perder brilho.

O atual vice-governador Geraldo Júnior, segundo relatos dos bastidores, estaria praticamente fora da chapa majoritária após a circulação de um ataque político contra Rui Costa.

Na política, certas coisas são imperdoáveis. E uma delas é ferir o ego de quem controla o tabuleiro.

Se o episódio realmente selou o destino de Geraldo Júnior na composição, ele terá aprendido da forma mais dura uma regra antiga da política brasileira:

Não se atira pedra na vidraça da casa onde se mora.

O que está realmente em jogo

O movimento envolvendo Quinho Tigre pode parecer pequeno para quem observa a política de longe. Mas para quem acompanha os bastidores do poder na Bahia, ele revela algo muito maior.

Não estamos apenas diante da escolha de um vice.

Estamos assistindo a reorganização silenciosa de forças dentro da base governista.

Se confirmado, o nome de Quinho pode representar:

  • fortalecimento do municipalismo no governo;

  • reacomodação de partidos da base;

  • preparação de novas lideranças para o futuro.

Ou, dito de forma mais simples:

o tabuleiro está sendo rearrumado.

E, como sempre acontece na política baiana, quando Rui Costa move uma peça, é porque a partida verdadeira já começou — mesmo que o público ainda esteja olhando apenas para o tabuleiro.