Artigo de Opinião
ARTIGO – Entre o trabalho e a desinformação: o desafio de falar a verdade ao povo
Por Padre Carlos

Há um tipo de desgaste na vida pública que não aparece nos relatórios, não se mede em números e tampouco vira manchete com facilidade. É o desgaste de quem, ao mesmo tempo em que trabalha para levar melhorias concretas à população, precisa travar uma batalha paralela — silenciosa, constante e muitas vezes injusta — contra a desinformação.
É nesse terreno que se encontra o vereador Luciano Gomes.
Enquanto busca avanços reais para sua região, especialmente em comunidades historicamente negligenciadas como Cabeceira do Jiboia, ele se vê obrigado a desviar energia e tempo para desconstruir narrativas distorcidas, muitas delas plantadas de forma deliberada. Não se trata apenas de divergência política — que é legítima e necessária —, mas de um fenômeno mais grave: o uso da desinformação como instrumento de confusão social.
O alvo, quase sempre, é o povo mais simples. Aquele que mais precisa das políticas públicas, mas que também é mais vulnerável à manipulação quando o acesso à informação de qualidade é limitado. É nesse vácuo que prosperam as chamadas “fake news”, distorcendo iniciativas, criando medo onde deveria haver esperança e transformando benefícios em suspeitas.
O caso recente envolvendo o serviço de abastecimento de água da Embasa é emblemático. Em vez de um debate honesto sobre vantagens, custos e impactos, parte da discussão foi contaminada por boatos e versões equivocadas. E é justamente aí que se revela a postura que diferencia o agente público comprometido do oportunista: a disposição de ir a público, olhar nos olhos das pessoas e prestar contas.
A convocação feita por Luciano Gomes para uma reunião aberta na comunidade não é apenas um gesto administrativo — é um ato político no sentido mais nobre da palavra. Ao reunir assistência social da Embasa, representantes da empresa executora e a própria população, ele promove o que deveria ser regra, mas infelizmente ainda é exceção: o acesso direto à informação.

“A gente quer trazer a informação correta para você decidir se você quer ou se você não quer, porque é um direito seu.”
— Vereador Luciano Gomes
Aqui está o ponto central. Não há imposição, não há coerção — há esclarecimento. Em tempos de radicalização e manipulação, isso é quase revolucionário. Ao afirmar que ninguém é obrigado a aderir ao serviço, o vereador reafirma um princípio democrático essencial: a liberdade de escolha informada.
“Eu nunca vi ninguém lutar contra o benefício.”
— Vereador Luciano Gomes
A frase, simples na forma, é profunda no conteúdo. Ela expõe uma contradição que precisa ser encarada: por que, afinal, iniciativas que visam melhorar a vida da população encontram resistência baseada em informações falsas? A resposta, ainda que incômoda, passa por interesses políticos, disputas locais e, sobretudo, pela instrumentalização da ignorância.
Luciano Gomes, ao se colocar diante desse cenário, assume um duplo papel: o de gestor e o de educador político. E talvez seja este o maior desafio da política contemporânea — não apenas fazer, mas explicar; não apenas executar, mas convencer; não apenas propor, mas esclarecer.
A reunião marcada para o dia 14 de abril, às 18h, no colégio de segundo grau de Cabeceira do Jiboia, é mais do que um encontro comunitário. É um teste de maturidade democrática. Será o momento em que a verdade terá a chance de se impor sobre o ruído, e em que a população poderá decidir com base em fatos, não em boatos.

No fim das contas, o que está em jogo não é apenas um serviço de água. É a capacidade de uma comunidade de discernir, de participar e de escolher seu próprio caminho. E isso, convenhamos, é o maior dos benefícios.
Padre Carlos é articulista e analista de políticas públicas.




