Política e Resenha

O TELEJORNALISMO DO ABSURDO: QUANDO O RIDÍCULO VIRA LINHA EDITORIAL

 

Por Padre Carlos

 

Há algo de fascinante — no pior sentido possível — na capacidade da GloboNews de se reinventar… sempre para pior. É quase um talento. Um dom. Uma vocação inabalável para transformar jornalismo em espetáculo constrangedor, onde a informação vira figurante e a narrativa forçada assume o papel principal.

Nos últimos tempos, o que se vê não é análise, não é investigação, não é sequer opinião qualificada — é uma espécie de teatro improvisado com roteiro mal escrito e execução ainda pior. O tal “PowerPoint investigativo” tentando, a qualquer custo, colar Luiz Inácio Lula da Silva ao caso do Banco Master não foi apenas frágil — foi patético. Um verdadeiro stand-up involuntário. Faltou só a trilha de risadas ao fundo.

Mas quando você acha que chegou no fundo do poço… vem a pá.

O episódio mais recente, com o comentário “um homem, um negro e uma mulher”, não é apenas um tropeço linguístico — é um retrato cruel de uma elite midiática que tropeça na própria tentativa de parecer sofisticada. Porque não é só erro. É sintoma. É o tipo de fala que escapa quando o pensamento já vem contaminado.

A cena seria cômica, se não fosse trágica. E ainda assim, o Brasil fez o que sabe fazer melhor diante do absurdo: riu. Riu muito. A resposta do rapaz no vídeo — “eu achando que era homem, mas sou só negro” — desmonta, com uma simplicidade quase genial, toda a pretensa erudição de estúdio com ar-condicionado e teleprompter.

É aí que mora o problema: enquanto a rua entende, ironiza e devolve com inteligência, certos setores da Rede Globo parecem presos numa bolha onde o óbvio precisa ser explicado — e mesmo assim, é explicado errado.

O mais curioso (ou previsível) é o padrão. Primeiro vem a narrativa apressada, depois o malabarismo argumentativo e, quando tudo desanda, o silêncio constrangedor ou a correção protocolar. Nunca há reflexão real. Nunca há autocrítica à altura. Porque admitir o erro exigiria algo que parece em falta: humildade.

E aí fica a pergunta, que já não é retórica, é quase institucional: até onde vai essa sucessão de “escorregões”? Até quando o público vai ser tratado como plateia passiva de um jornalismo que parece mais preocupado em sustentar versões do que em buscar fatos?

No fim das contas, o que revolta não é só o erro — é a repetição dele. É a sensação de que não se trata de exceção, mas de método. E quando o método vira o problema, não estamos mais falando de falhas pontuais. Estamos falando de credibilidade em estado de decomposição.

Mas talvez este seja o novo formato: menos notícia, mais performance. Menos rigor, mais roteiro. E, claro, sempre com aquele toque involuntário de humor… porque, convenhamos, se não fosse trágico, seria apenas uma ótima comédia.