
Padre Carlos
Vitória da Conquista, uma das mais importantes cidades do interior da Bahia, vive hoje um paradoxo que incomoda, inquieta e exige reflexão: cresce em população, em influência regional, em dinamismo econômico — mas encolhe, silenciosamente, no tabuleiro político. A fala do presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, não é apenas uma crítica circunstancial; é um diagnóstico incômodo de uma realidade que se arrasta há anos.
Não se trata de uma disputa menor entre grupos políticos locais. O que está em jogo é algo mais profundo: a perda de protagonismo de uma cidade que, historicamente, sempre foi referência no sudoeste baiano. Quando Conquista perde um hospital universitário para outro município, não é apenas uma obra que deixa de ser construída. É um símbolo de fragilidade política. É a prova concreta de que, nos bastidores do poder, a cidade já não pesa como antes.
E aqui não cabe o argumento simplista do “nada contra Paulo Afonso” ou qualquer outra cidade beneficiada. O ponto central é outro: por que Vitória da Conquista, com sua estrutura, sua população, sua importância estratégica, não consegue se impor nas decisões do governo estadual e federal? Por que perde espaço em pautas essenciais como saúde pública, infraestrutura e investimentos regionais?
A resposta passa, inevitavelmente, pela fragmentação política. Conquista deixou de falar com uma só voz. Tornou-se refém de disputas internas, de vaidades, de projetos pessoais que se sobrepõem ao interesse coletivo. E na política, quem não constrói unidade, perde força. Quem não articula, é atropelado.
A recente movimentação para a composição de chapas majoritárias evidencia ainda mais essa fragilidade. Quando uma cidade do porte de Vitória da Conquista sequer é considerada de forma decisiva na formação de alianças estaduais, o recado é claro: perdeu-se relevância. Não basta ter nomes, é preciso ter peso político. Não basta existir, é preciso influenciar.
Nesse cenário, surge a proposta da criação da Região Metropolitana do Sudoeste como uma tentativa de reação. A ideia é legítima e, em muitos aspectos, necessária. De fato, Conquista já exerce esse papel na prática — como polo de saúde, educação, comércio e serviços. Mas transformar essa realidade em reconhecimento institucional exige mais do que um projeto de lei. Exige articulação, pressão política e, sobretudo, união regional.
A criação de uma região metropolitana pode ser um caminho para fortalecer a cidade, ampliar sua representatividade e atrair investimentos. Mas é preciso cuidado para que essa proposta não se torne apenas mais um discurso bonito, esvaziado de efetividade. Sem força política real, nem mesmo um título institucional será capaz de mudar o cenário.
Vitória da Conquista precisa, urgentemente, reencontrar sua capacidade de articulação. Precisa reconstruir pontes com o governo estadual, dialogar com o governo federal e, acima de tudo, alinhar suas lideranças em torno de um projeto comum. Não há desenvolvimento sem representação política forte. Não há avanço sem presença nos centros de decisão.
A fala de Ivan Cordeiro escancara uma verdade que muitos preferem evitar: Conquista não está sendo esquecida por acaso. Está sendo esquecida porque deixou de se fazer lembrar com a força necessária.
E na política, como na vida, quem não ocupa espaço… perde.




