Política e Resenha

Forasteiro Não É Quem Vem de Fora — É Quem Leva Sem Deixar Nada

Opinião · Política Municipal

Forasteiro Não É Quem Vem de Fora — É Quem Leva Sem Deixar Nada

Por Padre Carlos  |  Política e Resenha  |  Vitória da Conquista, Bahia

Há uma confusão deliberada que certos comentaristas políticos adoram cultivar: a de que representar uma cidade é questão de certidão de nascimento. Segundo essa lógica torta, só quem nasceu em Vitória da Conquista teria legitimidade para falar em nome dela. Todo o resto seria contradição, ambiguidade, discurso vazio. Pois bem: essa lógica é falsa. E é necessário dizê-lo com clareza.

Quando se critica Wagner Alves por articular alianças com parlamentares federais que não nasceram em Conquista — como Léo Prates, Roberta Roma ou Arthur Maia —, comete-se um erro de análise que beira a desonestidade intelectual. A questão nunca foi o berço. A questão sempre foi o compromisso.

E compromisso se mede em obras, não em sobrenome.

“O forasteiro não é quem veio de outra cidade e trabalha pela nossa. O forasteiro é quem passa por aqui como quem passa por um posto de gasolina: abastece e vai embora.”

Léo Prates, com raízes em Conquista, destinou ao município, entre 2023 e 2026, mais de R$ 5,6 milhões em emendas parlamentares — recursos que foram para a saúde, para máquinas agrícolas, para o esporte. Roberta Roma, só em 2026, enviou quase R$ 6 milhões para a cidade, com investimentos na saúde e em projetos sociais como o “Formando Águias e Campeões”. Esses números não mentem. Esses números não contradizem — eles confirmam. Confirmam exatamente o que Wagner Alves tem defendido: que o verdadeiro aliado de Conquista é aquele que abre portas para ela, seja em Brasília, seja em Salvador, seja onde for preciso.

A contradição, portanto, não existe. O que existe é uma distinção fundamental que os críticos insistem em ignorar: há uma diferença abissal entre o deputado que olha por Conquista e o deputado predador que olha para Conquista.

O deputado que olha por Conquista constrói parcerias, destina recursos, abre caminhos institucionais, garante à população aquela porta para bater quando precisar de representação de verdade. O deputado predador — e esses existem, e são muitos — chega no período eleitoral, beija crianças, promete mundos e fundos, colhe votos e desaparece. Esse, sim, é o forasteiro. Não o que veio de outra cidade e trabalha pela nossa. O forasteiro é o que passa por aqui como quem passa por um posto de gasolina: abastece e vai embora.

Wagner Alves nomeia essa distinção sem rodeios quando afirma que “estará ao lado daqueles que olham por nossa região” e que “quem faz por esta terra merece nosso reconhecimento.” Não há nessa frase nenhuma contradição com a defesa da representatividade local. Há, ao contrário, uma política madura de construção de redes — a compreensão de que uma cidade do interior da Bahia não se projeta sozinha, que ela precisa de aliados estratégicos em múltiplas esferas do poder.

Confundir isso com incoerência revela, no mínimo, ingenuidade analítica. No máximo, revela má-fé.

Conquista não precisa de guardiões do purismo geográfico. Precisa de representantes que façam a cidade entrar na agenda — da Assembleia, do Congresso, do governo estadual. E nesse jogo, o que vale não é a origem, mas a entrega. Não é o discurso, mas o recurso. Não é a promessa, mas o resultado.

Os verdadeiros forasteiros de Conquista não são os aliados de fora que trabalham por ela. São os de dentro que a exploram por dentro.

✦ ✦ ✦

Padre Carlos é sacerdote, teólogo e colunista. Escreve para o blog Política e Resenha, de Vitória da Conquista, Bahia.