Política e Resenha

ARTIGO — O Homem Que Escondeu o Próprio Gigantismo Intelectual

 

 

Padre Carlos)

 

Há pessoas que entram em uma sala carregando o peso do próprio currículo como quem exibe medalhas de guerra. Fazem questão de anunciar títulos, diplomas, certificados, condecorações e selfies acadêmicas. Vivemos a era da autopromoção permanente, da vaidade digitalizada, da ostentação intelectual transformada em marketing pessoal.

E então aparece Fábio Sena.

Discreto. Sereno. Quase silencioso diante da própria grandeza.

No cartaz do II Encontro de Comunicação Legislativa da Bahia, lia-se apenas que ele era especialista em políticas públicas e desenvolvimento regional e chefe de comunicação da Câmara Municipal de Vitória da Conquista. Um currículo respeitável, sem dúvida. Mas incompleto. Profundamente incompleto.

O que não coube no folder — e talvez nem coubesse — era que Fábio Sena também é mestre em Museologia pela Universidade Federal da Bahia e doutorando em Linguística pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Foi preciso que a Dra. Nadjara alertasse os organizadores do II ECL-BA para que percebessem que estavam diante de alguém que fala com autoridade acadêmica, experiência prática e densidade intelectual raríssimas no cenário da comunicação pública brasileira.

E aqui está o detalhe mais fascinante: ele não fez questão de dizer.

Escondeu o jogo.

Num tempo em que muitos sabem falar alto, mas têm pouco a dizer, Fábio Sena pertence à categoria cada vez mais rara dos que estudaram profundamente antes de abrir a boca. E isso muda tudo.

Porque comunicação política não é apenas dominar redes sociais, fabricar slogans ou criar frases de efeito para campanhas eleitorais. Comunicação política é compreender linguagem, símbolos, memória coletiva, narrativa social, comportamento humano e construção de percepção pública. É entender como uma sociedade pensa, reage, sente, teme e sonha.

E aí está o diferencial.

Quem mergulha na Museologia aprende que a memória não é neutra. Aprende que os símbolos moldam identidades. Aprende que aquilo que uma sociedade escolhe preservar também revela aquilo que ela tenta esconder.

Quem mergulha na Linguística compreende que palavras nunca são apenas palavras. Elas são instrumentos de poder. São mecanismos de persuasão. São estruturas invisíveis que organizam a realidade.

Talvez por isso o painel de Fábio Sena sobre fake news, desinformação e eleições tenha tanta relevância. Porque ele não fala apenas como técnico da comunicação legislativa. Fala como alguém que entende os subterrâneos da linguagem política contemporânea.

E sejamos honestos: o Brasil está adoecendo pela linguagem.

As fake news não vencem apenas pela mentira. Vencem pela emoção. Pela velocidade. Pela manipulação simbólica. Pela capacidade de sequestrar afetos e transformar medo em instrumento eleitoral.

Enquanto muitos ainda discutem algoritmo, Fábio Sena parece compreender algo mais profundo: a crise da comunicação pública é também uma crise civilizatória.

O debate público brasileiro foi contaminado pela gritaria, pela simplificação grotesca e pela espetacularização permanente da política. E nesse ambiente tóxico, profissionais preparados fazem enorme diferença.

Não é exagero dizer que Vitória da Conquista possui hoje um dos nomes mais preparados da comunicação legislativa baiana.

E talvez o mais curioso seja justamente sua discrição.

Os verdadeiramente grandes quase nunca precisam anunciar a própria grandeza.

Ela aparece naturalmente na profundidade das ideias, na elegância da fala, na capacidade analítica e na serenidade intelectual. Quem domina um assunto não precisa performar genialidade. Apenas expõe o pensamento — e ele se sustenta sozinho.

Fábio Sena é desses.

Um fenômeno.

Daqueles que transitam entre academia, gestão pública, comunicação política e análise social sem perder a simplicidade. Algo raro numa época em que muitos confundem arrogância com competência.

O II ECL-BA ganha densidade quando abre espaço para vozes assim. Porque eventos sobre comunicação pública não podem se limitar a técnicas eleitorais ou estratégias de engajamento digital. Precisam discutir ética, democracia, manipulação informacional e responsabilidade institucional.

E nisso, convenhamos, Fábio Sena fala com cátedra.

Literalmente.