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Cristo Não Abandonou o Chão da Nossa História

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A Ascensão do Senhor:
Cristo Não Abandonou o Chão da Nossa História

por Padre Carlos   |  Vitória da Conquista, Bahia

A
Solenidade da Ascensão do Senhor, celebrada pela Igreja às vésperas de Pentecostes, não marca a ausência de Cristo no mundo — ela inaugura uma nova forma de sua presença entre nós. Depois da Ressurreição, Jesus conduz nossa humanidade para junto do Pai e abre definitivamente o caminho que leva à eternidade. Não é um adeus. É a mais radical das promessas.

O Evangelho narra com sobriedade desconcertante: “elevou-se à vista deles e uma nuvem o encobriu” (At 1,9). A nuvem, na tradição bíblica, não esconde — ela revela a majestade daquilo que a mente humana ainda não suporta contemplar diretamente. A Ascensão é, portanto, a celebração da esperança cristã em sua forma mais vertiginosa: Cristo não abandonou a nossa história, mas a levou consigo ao coração da Trindade.

Nossa Humanidade Levada ao Alto

Ao subir ao Pai, Jesus não sobe sozinho. Ele carrega consigo as alegrias, as dores, as esperanças e as feridas da humanidade. Em Cristo glorificado, nossa condição humana — com todo o seu peso e toda a sua beleza frágil — encontra lugar diante de Deus. Não somos descartados; somos levados.

Por isso, a Ascensão não é fuga do mundo, mas confirmação de que nossa vida possui um destino eterno. O céu não é uma realidade distante que aliena o cristão das responsabilidades da terra; ao contrário, é aquilo que sustenta nossa caminhada e dá sentido ao amor vivido aqui e agora. Quem contempla o Alto não deserta do chão — aprende a pisá-lo com maior ternura.

“Quem deseja subir com Cristo aprende também a inclinar-se diante da dor humana. A verdadeira esperança cristã nunca gera indiferença; ela gera caridade, solidariedade e compromisso.”

— Padre Carlos Josaphat

Evangelizar na Era das Fake News

Neste domingo, a Igreja também nos convida a refletir sobre a evangelização nos meios de comunicação. Em meio a tantas vozes e distrações do nosso tempo, anunciar o Evangelho significa elevar novamente o olhar da humanidade para Cristo. Os meios de comunicação, quando colocados a serviço da verdade e da fé, tornam-se instrumentos que ajudam homens e mulheres a reencontrarem sentido, esperança e direção.

Nesse contexto, ecoam com força e urgência as palavras do Papa Leão XIV — voz nova que já reverbera com a autoridade de uma época:

Papa Leão XIV

“Este contraste leva-nos a refletir sobre o valor do testemunho cristão e sobre a honestidade da comunicação humana. Com efeito, muitas vezes, a narrativa da verdade é ofuscada pelas fake news, ou seja, por mentiras, insinuações e acusações infundadas. Perante tais obstáculos, porém, a verdade não permanece escondida, pelo contrário: vem ao nosso encontro, viva e resplandecente, iluminando as trevas mais densas.”

Essas palavras nos ajudam a compreender que anunciar Cristo Ressuscitado também exige responsabilidade com aquilo que comunicamos. O discípulo de Jesus não pode alimentar a mentira, a manipulação ou o ódio. A Ascensão nos recorda que a verdade possui origem em Deus e que, mesmo em tempos marcados pela confusão e pela superficialidade, a luz de Cristo continua atravessando as sombras da história humana.

Não Subimos Sozinhos

A Ascensão do Senhor nos ensina que nossa pátria definitiva está em Deus, mas também nos lembra que o caminho para o céu começa no amor vivido na terra. Não subimos sozinhos. A subida do cristão ao Pai passa necessariamente pela caridade, pela comunhão e pela responsabilidade com os mais frágeis.

O amor que nos conduz ao alto é o mesmo que transforma nossas relações humanas e nos faz testemunhas da presença de Cristo no mundo. Não há Ascensão sem encarnação continuada no irmão que sofre. Não há subida que não passe pela descida ao encontro do outro.

“Cristo subiu ao Pai, mas não abandonou o chão da nossa história. Seu amor continua sustentando a Igreja e conduzindo os homens e mulheres deste tempo para o alto.”

A esperança cristã permanece firme, porque está ancorada naquele que venceu a morte e abriu para nós o caminho da vida eterna. Enquanto houver um cristão que ame, Cristo não terá subido em vão.

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Padre Carlos 

Teólogo, presbítero e colunista. Editor do blog Política e Resenha — Vitória da Conquista, Bahia.

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