Política e Resenha

ARTIGO — Conquista em Alerta: Ivan Cordeiro Cobra Concurso Urgente para o Simtrans

 

 

 

 Padre Carlos

Há momentos em que uma cidade precisa parar por alguns minutos para ouvir os sons que normalmente ignora. O barulho das buzinas. O grito das sirenes. O impacto seco de uma colisão. O silêncio doloroso das famílias que recebem uma notícia devastadora. Vitória da Conquista chegou a esse ponto.

O crescimento urbano trouxe progresso, expansão imobiliária, novos bairros, aumento da frota de veículos e fortalecimento econômico. Mas trouxe também um problema que já não pode mais ser tratado como detalhe administrativo: o colapso gradual da mobilidade urbana e da segurança no trânsito.

A fala do presidente da Câmara Municipal, Ivan Cordeiro, ao defender a realização de concurso público para ampliar o quadro de agentes do Simtrans, toca exatamente numa ferida que a cidade inteira já consegue enxergar. O trânsito de Conquista mudou. A cidade mudou. O fluxo aumentou. As avenidas ficaram mais congestionadas. Os acidentes se multiplicaram. E o poder público precisa responder à altura dessa nova realidade.

Durante muito tempo, parte da sociedade alimentou uma visão equivocada sobre os agentes de trânsito, enxergando-os apenas como aplicadores de multas. Esse pensamento simplista ignora uma verdade essencial: trânsito é questão de vida. Agentes de trânsito não existem apenas para punir. Eles organizam fluxos, evitam tragédias, orientam motoristas, protegem pedestres e ajudam a construir uma cultura de responsabilidade coletiva.

Quando faltam agentes nas ruas, sobra desordem. E a desordem no trânsito mata.

Os recentes acidentes registrados no Anel Viário reacenderam um debate urgente. Quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que o tema da mobilidade urbana seja tratado como prioridade absoluta? Quantas famílias precisarão vestir o luto até entendermos que fiscalização salva vidas?

Vivemos uma época marcada pela pressa, pela imprudência e pela ilusão de que velocidade significa eficiência. Motociclistas arriscam a própria vida em ultrapassagens perigosas. Motoristas transformam avenidas em pistas de corrida. Celulares desviam atenções. O respeito às leis de trânsito parece diminuir na mesma velocidade em que cresce a frota da cidade.

Nesse cenário, fortalecer o Simtrans não é luxo administrativo. É necessidade pública.

A defesa de concurso público surge como medida racional e necessária. Não se administra uma cidade moderna com estruturas pensadas para uma cidade de décadas atrás. Vitória da Conquista consolidou-se como polo regional do sudoeste baiano. Pessoas chegam diariamente de dezenas de municípios. O trânsito tornou-se mais complexo, mais intenso e mais perigoso.

E aqui existe um ponto fundamental: investir nos agentes também significa investir em qualificação, tecnologia, melhores condições de trabalho e inteligência urbana. Não basta apenas aumentar o número de servidores. É preciso criar uma política séria de mobilidade, integrada com educação no trânsito, sinalização eficiente e planejamento urbano.

O Maio Amarelo não pode virar apenas campanha de marketing institucional com faixas e discursos emocionados. Precisa produzir ações concretas. A verdadeira homenagem às vítimas do trânsito não está nas estatísticas divulgadas em entrevistas. Está na prevenção.

Uma cidade civilizada não é aquela que apenas cresce economicamente. É aquela que protege vidas.

O debate levantado agora pela Câmara Municipal pode representar um divisor de águas. E talvez este seja o momento de Vitória da Conquista compreender que trânsito não é assunto secundário. É tema de saúde pública, de segurança coletiva e de dignidade humana.

Porque, no final das contas, nenhuma obra urbana vale mais que uma vida salva.