
Padre Carlos
Em tempos de intensa polarização política, uma das maiores virtudes de uma instituição partidária é saber agir com serenidade, respeito à legislação e absoluto compromisso com a legalidade. A nota oficial divulgada pelo Diretório Municipal do União Brasil de Vitória da Conquista demonstra exatamente essa postura.
Longe de alimentar disputas pessoais ou perseguições políticas, o partido limitou-se a cumprir o seu dever institucional. Quando foi provocado pelo primeiro suplente, Alisson Sá, prestou as informações solicitadas de forma transparente, informando um fato objetivo: não havia recebido qualquer comunicação formal de desfiliação, carta de desligamento ou pedido de anuência partidária por parte do então vereador Diogo Azevedo.
A partir desse momento, o caso deixou de ser uma questão interna do partido para se tornar matéria submetida ao Poder Judiciário. Foi a Justiça Eleitoral, e somente ela, que analisou os fatos, examinou os documentos apresentados pelas partes e concedeu a tutela de urgência suspendendo provisoriamente o exercício do mandato do vereador.
Esse detalhe é fundamental. Não foi o União Brasil quem cassou mandato, tampouco sua presidente ou sua direção municipal. A decisão partiu do Poder Judiciário, dentro do devido processo legal, assegurando às partes o direito ao contraditório e à ampla defesa.
A presidente do partido agiu com a responsabilidade que o cargo exige. Em nenhum momento extrapolou suas atribuições ou utilizou a estrutura partidária para criar obstáculos ou favorecer interesses pessoais. Ao contrário, preservou o patrimônio político e jurídico da legenda, zelando pelos direitos do partido e cumprindo rigorosamente aquilo que determina a legislação eleitoral.
Um partido político não pertence a um único filiado. Ele representa milhares de eleitores, dirigentes, militantes e candidatos que confiaram na legenda. Defender seus direitos não é um ato de perseguição; é uma obrigação institucional.
A fidelidade partidária existe justamente para proteger a vontade popular expressa nas urnas e impedir que legendas sejam utilizadas apenas como instrumentos eleitorais, sendo abandonadas logo após o pleito sem a observância das regras previstas em lei.
A nota oficial do União Brasil revela maturidade institucional ao reafirmar respeito às instituições, ao devido processo legal e às decisões da Justiça Eleitoral. Não há comemoração, revanchismo ou ataques pessoais. Há apenas o reconhecimento de que, em um Estado Democrático de Direito, os conflitos devem ser resolvidos pelas instituições competentes.
Independentemente do desfecho definitivo da ação, permanece um fato inquestionável: o Diretório Municipal e sua presidente cumpriram seu papel com lisura, equilíbrio, transparência e responsabilidade, preservando os interesses da legenda sem ultrapassar os limites que a lei lhes impõe.
É exatamente assim que se fortalece a democracia: quando cada instituição exerce sua função com serenidade, respeito às normas e compromisso inegociável com a legalidade.




