A Posse de Alisson Sá: Um Teste à Fidelidade e à Democracia Local

Reflexões sobre um mandato que começa sob o signo da infidelidade partidária
A partir desta terça-feira, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista ganha um novo rosto. Alisson Roberto Seles Sá, primeiro suplente do União Brasil, assume a cadeira deixada por Diogo Azevedo, cassado por infidelidade partidária. O gesto é legal, formal, burocrático. Mas carrega um peso simbólico muito maior: é mais um capítulo na eterna tensão entre lealdade, ambição e representação popular.
A mecânica da substituição
Após decisão da Justiça Eleitoral, a Presidência da Casa, sob Ivan Cordeiro, seguiu o Regimento Interno com correção técnica. Reunião, documentos, diploma, declaração de bens. Tudo dentro da lei. Alisson esteve na Câmara nesta quarta-feira para alinhar detalhes. Em poucas horas, o suplente se tornará titular. A composição do Legislativo mudará. E com ela, possivelmente, o equilíbrio de forças na cidade.
“A democracia não se sustenta apenas em regras formais, mas na coerência ética daqueles que a exercem.”
O preço da infidelidade
A cassação de Diogo Azevedo não foi um capricho judicial. Foi consequência de uma escolha: trocar de legenda sem respeitar o mandato conferido pelo eleitor. Em um país onde a infidelidade partidária se tornou quase esporte, esse episódio serve como lembrete incômodo. O eleitor não vota em siglas vazias. Vota em pessoas que, ao menos teoricamente, representam ideias, compromissos e uma visão de cidade.
Quando essa confiança é traída, o tecido democrático sofre. A alternância de poder vira mera troca de cadeiras, sem que o debate de ideias avance. Vitória da Conquista, cidade marcada por desafios profundos — mobilidade, saúde, educação, desigualdade —, merece mais do que rearranjos cosméticos.
O que esperamos de Alisson Sá
Que ele não veja esta posse como mera oportunidade de carreira, mas como um chamado à responsabilidade. Que honre o voto que, indiretamente, agora lhe pertence. Que sua atuação seja marcada pela transparência, pelo diálogo e por uma visão clara do que Vitória da Conquista precisa para crescer com dignidade.
Democracia não é espetáculo
Vivemos tempos em que a política é tratada como reality show. Troca-troca de legendas, cassações, posses, tudo vira conteúdo. Mas atrás dos holofotes há vidas reais: famílias que dependem de políticas públicas eficientes, jovens que precisam de futuro, idosos que merecem respeito. A infidelidade partidária banaliza o mandato e esvazia o sentido da representação.
Alisson Sá tem agora a chance rara de recomeçar com outra postura. Sem o peso de promessas eleitorais diretas, mas com o compromisso moral de servir bem. Que ele seja o contraponto à instabilidade que o levou até ali.
A democracia se fortalece quando os que ocupam cadeiras entendem que elas não lhes pertencem. Pertencem ao povo.
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