Política e Resenha

O Compromisso de Alisson Seles com Vitória da Conquista Não Depende de Cargos

 

 

 

Por Padre Carlos

Na política, existem aqueles que constroem suas trajetórias amparados pela força dos cargos e aqueles que constroem sua credibilidade pela força da própria história. O suplente de vereador Alisson pertence ao segundo grupo.

Em tempos em que muitos confundem espaço na administração pública com capital político, Alisson trilhou um caminho diferente. Sua relação com Vitória da Conquista nunca foi sustentada por cargos comissionados, favores ou estruturas de poder. Sua caminhada foi construída como servidor público concursado, professor e técnico de carreira, sempre exercendo funções conquistadas pelo mérito de um concurso público.

Essa diferença não é um detalhe. É um traço de caráter.

Quando encerrou sua licença para disputar o mandato eletivo, Alisson retornou normalmente ao exercício de seu cargo efetivo. Não buscou atalhos, não procurou privilégios e, segundo seu próprio relato, sequer procurou a prefeita Sheila Lemos para discutir sua situação política.

Aliás, o próprio Alisson faz questão de registrar esse comportamento republicano. Afirma que, durante todo este ano, não se reuniu com a prefeita para tratar de assuntos políticos. Seu relacionamento institucional sempre foi pautado pelo respeito à autoridade do cargo que ela exerce, jamais pela tentativa de obter vantagens pessoais ou construir acordos que beneficiassem sua posição política.

Mais do que isso, Alisson lembra que nunca ocupou cargo comissionado na Prefeitura de Vitória da Conquista. Sua vida funcional sempre esteve vinculada ao serviço público de carreira. Hoje exerce a função de diretor escolar na região de Cabeceira, mantendo o compromisso com a educação e com a população da zona rural, onde continua desempenhando seu trabalho diariamente.

Essa postura ajuda a explicar por que conquistou tantos eleitores.

Seu capital político nasceu do contato direto com as pessoas, das visitas aos bairros e distritos, do trabalho comunitário e da presença constante ao lado da população. Não foi uma estrutura administrativa que levou seu nome às urnas. Foi a confiança construída ao longo dos anos.

Também merece destaque a serenidade com que conduz a discussão sobre seu mandato. Em nenhum momento buscou enfraquecer vereadores, promover disputas internas ou participar de articulações destinadas a desestabilizar a administração municipal. Sua defesa pelo reconhecimento de seus direitos sempre ocorreu dentro dos instrumentos legais e democráticos, respeitando as instituições e os princípios republicanos.

Num ambiente político frequentemente marcado por especulações, acusações e disputas de bastidores, essa postura demonstra maturidade. Alisson reivindica aquilo que entende ser justo, mas o faz sem transformar adversários em inimigos nem utilizar o poder público como instrumento de pressão.

A política precisa justamente disso: homens públicos que compreendam que o mandato pertence ao eleitor, não aos acordos de ocasião.

Independentemente dos desdobramentos jurídicos ou políticos envolvendo sua condição de suplente, permanece um fato incontestável: Alisson não construiu sua trajetória apoiado em nomeações, mas em sua história como servidor, educador e cidadão comprometido com Vitória da Conquista.

Em tempos de desconfiança na política, talvez esse seja um dos maiores patrimônios que um representante público pode apresentar: a coerência entre o discurso e a prática, entre a vida funcional e a vida política.

Porque cargos passam. A confiança popular permanece.