Política e Resenha

CARTA ABERTA À BAHIA

Eu venho do chão que ensinou a sonhar

Por Quinho Tigre

Meu povo da Bahia, há histórias que começam em grandes cidades, em famílias tradicionais, em universidades ou nos lugares onde as oportunidades parecem nascer naturalmente. A minha história começou de outro jeito.

Eu vim da zona rural. Cheguei à cidade ainda menino, com quase oito anos de idade, trazendo comigo a simplicidade de quem aprendeu cedo que a vida é feita de trabalho, de esperança e, sobretudo, de coragem para seguir em frente.

Talvez seja por isso que eu nunca tenha esquecido de onde vim. Porque quem conhece o chão sabe o valor da caminhada.

“Quem conhece a dificuldade sabe reconhecer uma oportunidade. E quem já viu uma família lutar para criar seus filhos sabe que, por trás de cada sonho, existe uma batalha silenciosa que muitas vezes ninguém vê.”

Uma vida construída no chão dos municípios

A minha vida pública foi construída nesse caminho. Tive a honra de ser prefeito por dois mandatos. Tive a responsabilidade de presidir um consórcio público, sendo eleito e reeleito pelos meus companheiros. E tive ainda o privilégio de presidir a União dos Municípios da Bahia, a UPB, uma das mais importantes instituições de representação municipal do nosso Estado.

Essas experiências me ensinaram algo que nenhum gabinete poderia ensinar: a Bahia não é apenas um território. A Bahia é um sentimento.

É o agricultor que espera a chuva.
É a mãe que sonha com o filho formado.
É o jovem que deseja uma profissão.
É o pequeno empreendedor que abre as portas do seu comércio antes do sol nascer.
É o trabalhador que enfrenta quilômetros para levar o pão para casa.

É o homem e a mulher do campo que sustentam parte da nossa economia e, muitas vezes, ainda lutam para ter aquilo que deveria ser básico: estrada, água, saúde, educação e oportunidade.

Foi convivendo com esse povo que compreendi a verdadeira dimensão da política. Política não é ocupar espaço. Política é abrir caminhos.

Por que quero ser deputado estadual

Não quero chegar à Assembleia Legislativa apenas para ocupar uma cadeira. Quero levar para o Parlamento a voz daqueles que precisam de alguém que conheça a realidade dos municípios não apenas pelos números de uma planilha, mas pela experiência de quem já esteve lá.

Quero ocupar uma responsabilidade.

Eu sei o que significa administrar uma cidade. Sei o que significa enfrentar dificuldades. Sei o que significa bater às portas dos governos em busca de recursos. Sei o que significa ouvir uma comunidade pedir aquilo que, para muitos, parece pouco, mas para aquela família pode significar uma mudança completa de vida.

E é justamente por isso que quero colocar minha experiência a serviço de uma causa maior. A causa da inclusão social.

O que eu quero lutar

Quero lutar para que o filho do trabalhador tenha acesso à universidade.
Quero lutar para que o jovem tenha uma escola técnica perto de sua casa.
Quero lutar para que aquele que deseja empreender encontre condições para começar.
Quero lutar por uma educação capaz de transformar destinos.
Quero lutar por uma saúde pública mais humana e eficiente.
Quero lutar pelo fortalecimento dos municípios.
Quero lutar para que o desenvolvimento não fique concentrado em poucos lugares.

Porque não existe uma Bahia verdadeiramente desenvolvida enquanto uma parte do nosso povo continuar sendo obrigada a escolher entre permanecer na sua terra ou partir em busca de uma oportunidade.

A Bahia que eu quero

Eu quero uma Bahia onde o jovem possa ficar porque encontrou motivos para ficar.
Uma Bahia onde o filho do agricultor possa ser médico.
Onde a filha da trabalhadora possa ser engenheira.
Onde o menino da periferia possa chegar à universidade.
Onde o pequeno empreendedor possa crescer.
Onde o homem do campo seja respeitado não apenas pelo que produz, mas pela dignidade do seu trabalho.

Eu acredito que desenvolvimento econômico e justiça social não são caminhos opostos. Ao contrário. Uma Bahia forte é aquela que consegue produzir riqueza e, ao mesmo tempo, distribuir oportunidades.

Uma Bahia moderna é aquela que olha para a tecnologia sem abandonar suas raízes. Uma Bahia desenvolvida é aquela que consegue levar inovação para o campo, qualificação para os jovens, infraestrutura para os municípios e esperança para as famílias. É essa Bahia que eu quero defender.

“Eu não nasci cercado de privilégios. Nasci cercado de desafios. E talvez seja justamente por isso que eu tenha aprendido a acreditar tanto na força das oportunidades.”

Uma oportunidade pode mudar uma vida. Uma escola pode mudar uma família. Uma universidade pode mudar uma geração. Uma política pública bem construída pode mudar uma cidade inteira. É nisso que acredito. E é por isso que estou nesta caminhada.

Não quero pedir ao povo da Bahia apenas um voto. Quero pedir a oportunidade de continuar servindo. Quero que cada baiano que olhar para minha história possa dizer: “Ele conhece o nosso chão.” Porque eu conheço.

Conheço o sertanejo. Conheço o agricultor. Conheço o trabalhador. Conheço o pequeno município. Conheço as dificuldades de quem administra uma cidade. Conheço a luta dos prefeitos. Conheço a força do povo do Sudoeste. E conheço também a grandeza da Bahia.

O Sudoeste e a Bahia inteira

O Sudoeste baiano não quer apenas ser lembrado durante as eleições. Quer participar das decisões. Quer ter voz. Quer ter investimentos. Quer ter oportunidades. E essa voz precisa chegar à Assembleia Legislativa.

Mas quero deixar claro: minha luta não será apenas pelo Sudoeste. Minha luta será pela Bahia. Porque sou filho de uma história que me ensinou que ninguém cresce sozinho.

A Bahia que queremos construir precisa unir suas regiões, suas culturas, seus municípios e seu povo. Precisamos transformar diferenças em força. Precisamos transformar dificuldades em oportunidades. Precisamos transformar sonhos em políticas públicas. E precisamos devolver à política uma palavra que, muitas vezes, foi esquecida: esperança.

Não prometo que será fácil. Prometo que será sério.

Não prometo que teremos todas as respostas. Prometo que nunca deixaremos de procurar soluções.

Não prometo fazer política olhando para trás. Quero fazer política olhando para o futuro.

O futuro das nossas crianças. O futuro dos nossos jovens. O futuro das nossas famílias. O futuro dos nossos municípios. O futuro de uma Bahia que pode muito mais.

Uma caminhada que não é só minha

Quando olho para trás e lembro daquele menino que saiu da zona rural com quase oito anos, percebo que a vida me levou muito mais longe do que eu poderia imaginar. Mas também compreendo que essa caminhada nunca foi apenas minha. Ela pertence a todos aqueles que acreditaram que era possível.

Por isso, se um dia eu chegar à Assembleia Legislativa da Bahia, quero levar comigo não apenas o meu nome. Quero levar comigo a história de cada homem e cada mulher que acorda cedo para trabalhar.

Quero levar o sonho daquele pai que quer ver o filho na universidade.
Quero levar a esperança daquela mãe que deseja uma escola melhor.
Quero levar a coragem do pequeno empreendedor.
Quero levar a dignidade do trabalhador rural.
Quero levar a voz dos municípios.
Quero levar comigo o Sudoeste e, com ele, toda a Bahia.

Porque eu venho do chão. E quem vem do chão sabe que nenhuma árvore cresce sem raízes.

As minhas raízes estão na Bahia. Minha história está nesta terra. Minha luta está nesta terra. E é nesta terra que quero continuar servindo.

Por uma Bahia com mais oportunidades.

Por uma Bahia com mais justiça social.

Por uma Bahia onde ninguém seja impedido de sonhar por causa do lugar onde nasceu.

Essa não é apenas uma candidatura.

É uma caminhada.

E eu quero caminhar ao lado do povo da Bahia.

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Quinho Tigre — Carta Aberta à Bahia