Política e Resenha

Intrigas, Conspiração e Arapongagem

“O diabo mora é no detalhe. É aí onde ele se esconde.”

— Dito popular

Os Estados Unidos provocam e se indispõem com o mundo inteiro, motivados pelo instinto belicista e pelo espírito imperialista do seu destemperado presidente, Trump. Ele faz ameaças, provocações e intimidações de todo tipo, sejam elas de cunho político, econômico, comercial, diplomático ou militar, a todos os países. Ele molesta seus vizinhos, México e Canadá; faz um bloqueio desumano a Cuba; invadiu e sequestrou o presidente da Venezuela; ameaçou anexar o Canal do Panamá e a Groenlândia; além de interferir e patrocinar a extrema direita nas eleições da Argentina, Equador, Chile, Bolívia, Peru e Colômbia.

Na América Latina, os EUA querem reeditar a neocolonialista Doutrina Monroe, para voltar a dominar o continente, manietando os países, tirando-lhes a soberania, fazendo da região um “quintal dos EUA”, subordinando os países ao seu domínio e à sua lógica econômica, política, diplomática e militar.

E se colocam como um gendarme do mundo, a pretexto de combater o narcotráfico e suas gangues armadas, que, por ironia do destino, são municiadas pelo comércio ilegal de armas originado nos EUA e alimentado por sua pujante indústria armamentista.

E, com esse pretexto, infiltram os arapongas da CIA, do FBI, do Departamento de Estado e mesmo do Pentágono para se imiscuírem nas questões internas dos países. E ainda interferem, pela presença na realidade diária das pessoas, por meio das poderosas redes das Big Techs, que não se furtam a operar na produção de falsas notícias e a amplificar “meias-verdades a priori”, com grande repercussão e poder desestabilizador e de distorção da realidade, num verdadeiro desserviço à democracia.

O Brasil na Encruzilhada Geopolítica

O Brasil é a maior democracia do continente sul-americano e um agente ativo e referência do multilateralismo, exercendo forte liderança entre os países emergentes, pois integra os BRICS e preside o seu Banco de Desenvolvimento.

Por isso, a eleição presidencial deste ano, para nós, tem alta significância internacional, pois repercute na geopolítica continental, na consolidação do multilateralismo, dando protagonismo aos emergentes e fortalecendo a dinâmica das relações Sul-Sul.

É óbvio que os EUA operam em sua lógica de um mundo unipolar, centrado na força da sua economia e da sua moeda, o dólar, e no seu poderio militar e tecnológico. E aí conspiram no silêncio e às claras, sempre na tentativa de interferir no processo eleitoral, tensionando o ambiente econômico, político e diplomático para desestabilizar a democracia brasileira, influenciar as eleições e tentar ofuscar a incontestável liderança mundial do presidente Lula.

A capacidade de disputar projetos para o país e de mobilizar a sociedade em defesa da soberania nacional e dos valores da democracia, ameaçada pelos instintos golpistas da extrema direita neofascista, servil aos interesses americanos, é hoje o centro da disputa nessa encruzilhada histórica em que nos encontramos.

A Mobilização Necessária

As eleições presidenciais deste ano têm um significado histórico para a esquerda no mundo e para as forças democráticas do continente americano que não aceitam ser subjugadas por nenhuma potência.

A força, o destemor e a garra da nossa militância são essenciais para enfrentarmos um cenário político tão difícil e delicado. É preciso estar nas ruas, praças, comitês e plenários, e nas redes sociais, com presença ativa nesse momento importante da vida nacional, em que está em disputa muito mais do que apenas a reeleição de um governo bem-sucedido do presidente Lula.

Estamos em uma encruzilhada no continente, em que o Brasil é peça central no xadrez da geopolítica internacional, pois a nossa vitória contribui para a definição de um novo padrão de relações mais equilibradas nos planos econômico, comercial e diplomático, construindo relações mais harmoniosas entre povos e países.

Ele, Trump, com sua inconstância, ora ataca, ora abre o diálogo, e permanece nesse “entre tapas e beijos”, pois sabe o papel e a relevância da liderança de Lula no continente e da importância do Brasil nos BRICS e na articulação com os países emergentes para o fortalecimento do multilateralismo, fator decisivo para a construção de uma nova ordem econômica democrática, em que os países emergentes tenham presença e protagonismo.


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Jonas Paulo Neres — Ex-presidente do PT-BA — Política e Resenha