Por Maria Clara
Vitória da Conquista se prepara para celebrar uma instituição que há 46 anos participa da construção da memória intelectual e cultural do município. No dia 2 de setembro, às 9h, a Câmara Municipal realizará uma Sessão Especial em homenagem aos 46 anos da Academia Conquistense de Letras (ACL).
A solenidade acontecerá no Plenário Vereadora Carmem Lúcia e foi proposta pelo presidente da Câmara, vereador Ivan Cordeiro.
Fundada em 3 de setembro de 1980, a Academia nasceu em um período de intensa transformação cultural e educacional em Vitória da Conquista. Naquele mesmo ano, a então Faculdade de Formação de Professores passava a integrar uma nova etapa da educação superior regional com a criação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).
Ao longo de mais de quatro décadas, a ACL tornou-se um dos espaços de referência para escritores, professores, pesquisadores e intelectuais que ajudaram a registrar e interpretar a história de Vitória da Conquista e do Sudoeste baiano.
Entre os nomes ligados à trajetória da instituição estão Heleusa Figueira Câmara, Nilton Gonçalves, Carlos Jehovah, Esechias Araújo, Erathósthenes Menezes, Jayme Martins de Freitas e Mozart Tanajura, entre outros intelectuais que deixaram sua contribuição para a cultura conquistense.
Organizada em cadeiras que homenageiam personalidades importantes da literatura e da cultura brasileira e regional, a Academia mantém entre seus objetivos o incentivo às letras, a valorização dos escritores e a preservação da produção cultural do município.
Uma história que continua se renovando
A longevidade da Academia não significa apenas preservação do passado. A instituição também busca renovar seus quadros e ampliar sua atuação.
Durante as comemorações dos 45 anos, em 2025, novos membros foram incorporados à ACL, reforçando a continuidade de uma instituição que procura aproximar diferentes gerações de escritores, pesquisadores e amantes da literatura.
Essa combinação entre memória e renovação ajuda a explicar a importância de uma academia de letras em uma cidade que possui uma trajetória cultural marcada por escritores, educadores, jornalistas, pesquisadores e artistas.
O sonho da sede própria
A comemoração dos 46 anos ocorre em um momento que pode representar uma nova página na história da Academia Conquistense de Letras.
A instituição está envolvida em articulações para conquistar uma sede própria, espaço que permita ampliar suas atividades e ofereça melhores condições para reuniões, encontros literários, exposições, lançamentos de livros e outras iniciativas culturais.
A Câmara Municipal entrou nesse processo de articulação.
No início de agosto, representantes da ACL estiveram no Legislativo para apresentar demandas relacionadas ao fortalecimento da instituição. Entre elas estava a necessidade de um espaço permanente.
Dias depois, em 13 de agosto, o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, acompanhou representantes da Academia e o secretário municipal de Cultura, Alecxandre Magno, em uma visita técnica ao Solar dos Ferraz, imóvel histórico situado no Centro de Vitória da Conquista.
A possibilidade discutida é que o casarão possa ser cedido ou doado pelo Município para abrigar a Academia.
O secretário de Cultura sinalizou positivamente em relação à viabilidade da proposta, enquanto o presidente da Câmara assumiu o compromisso de intermediar o diálogo com o Poder Executivo.
“Reconhecemos o papel fundamental da Academia Conquistense de Letras na preservação da nossa memória e na difusão da nossa literatura. A Câmara de Vereadores cumpre seu papel mobilizador ao mediar esse diálogo entre os nossos intelectuais e o Poder Executivo”, afirmou Ivan Cordeiro.
Enquanto a definição sobre a futura sede não acontece, a Presidência da Câmara disponibilizou o espaço do Memorial da Câmara Municipal para que a Academia possa realizar suas reuniões ordinárias em caráter emergencial.
Solar dos Ferraz: patrimônio histórico e patrimônio literário
A possibilidade de instalação da ACL no Solar dos Ferraz acrescenta uma dimensão simbólica ao projeto.
O casarão, localizado na Praça Virgílio Ferraz, integra o núcleo histórico de Vitória da Conquista e foi tombado pelo Município em 2025.
A edificação é considerada um importante exemplar da arquitetura histórica conquistense e está ligada ao trabalho do mestre de obras Luiz Pedreiro, responsável também por outros prédios importantes da cidade.
Entre eles estão o antigo Quartel de Polícia, atual sede da Prefeitura, e o Sobrado de Maneca Santos, onde funcionam atualmente a Câmara Municipal e o Memorial da Câmara.
Se a proposta avançar, o Solar dos Ferraz poderá unir dois patrimônios importantes da cidade: o patrimônio material representado pelo casarão e o patrimônio imaterial constituído pela literatura, pela memória e pela produção intelectual da Academia.
Seria mais do que uma mudança de endereço.
Poderia representar a criação de um espaço permanente dedicado à literatura e à memória cultural de Vitória da Conquista.
Uma homenagem aberta à cidade
A Sessão Especial do dia 2 de setembro pretende reunir escritores, professores, estudantes, artistas, pesquisadores, representantes de instituições culturais e cidadãos interessados na história da cidade.
A homenagem também oferece uma oportunidade para discutir o papel da literatura em uma sociedade que precisa preservar sua memória sem deixar de produzir novos conhecimentos e novas narrativas.
A Academia Conquistense de Letras chega aos 46 anos carregando histórias de diferentes gerações de intelectuais e, ao mesmo tempo, diante da possibilidade de conquistar um espaço próprio para continuar escrevendo sua trajetória.
A sessão será realizada às 9h do dia 2 de setembro, no Plenário Vereadora Carmem Lúcia, na Câmara Municipal de Vitória da Conquista.
Será uma celebração da literatura, mas também da própria cidade — porque preservar aqueles que escrevem, pesquisam e interpretam a história de Vitória da Conquista é, de certa maneira, preservar a memória da cidade para as próximas gerações.





