Política e Resenha

Pesquisas acendem o alerta na Bahia: ACM Neto lidera, Jerônimo resiste e Lula perde terreno

 

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 ACM Neto lidera, Jerônimo resiste e Lula perde terreno

Duas pesquisas revelam um cenário eleitoral mais complexo do que os números de hoje sugerem

Por Padre Carlos

Há números que apenas registram uma fotografia. E há números que, além de fotografar o presente, ajudam a revelar os movimentos subterrâneos de uma eleição. As duas pesquisas analisadas neste artigo pertencem à segunda categoria. Elas mostram ACM Neto à frente na disputa pelo Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues ainda com musculatura eleitoral, Rui Costa liderando a corrida pelo Senado e Lula mantendo ampla vantagem na Bahia — mas também revelam sinais de desgaste que o PT não pode ignorar.

A
eleição baiana começa, portanto, a desenhar uma contradição interessante: quem olha apenas para a liderança de ACM Neto pode concluir que a disputa está resolvida; quem observa rejeição, aprovação, memória eleitoral e capacidade de transferência de votos percebe que ainda há muita água para passar por baixo dessa ponte.

O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas ouviu 1.500 eleitores na Bahia entre 31 de julho e 2 de agosto, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais. Na corrida pelo governo, ACM Neto aparece com 48,9%, enquanto Jerônimo Rodrigues registra 38,7%. A diferença, portanto, chega a 10,2 pontos.

ACM Neto larga na frente — mas a eleição não terminou

O dado mais vistoso da pesquisa é, sem dúvida, a vantagem de ACM Neto. Com 48,9%, ele aparece pouco mais de dez pontos à frente do governador Jerônimo Rodrigues, que tem 38,7%. Mas há um detalhe que merece atenção: a diferença já foi maior.

Segundo os dados apresentados, a vantagem anteriormente estava em 11,7 pontos e caiu para 10,2. É uma oscilação que permanece dentro da margem de erro, mas politicamente merece ser observada. Em eleições, pequenas movimentações sucessivas podem anunciar tendências — embora uma única pesquisa jamais seja suficiente para decretar o resultado.

GRÁFICO 1 — INTENÇÃO DE VOTO PARA GOVERNADOR

ACM Neto — 48,9%

Jerônimo Rodrigues — 38,7%

Ronaldo Mansur — 0,7%

Haroldo Félix / José Estêvão — 0,1% cada

Fonte: Instituto Paraná Pesquisas, conforme dados apresentados no material analisado.

“A liderança é real. Mas liderança em pesquisa não é certificado de vitória. É apenas o lugar ocupado naquele instante da corrida.”

O segundo turno revela uma fotografia ainda mais apertada

No cenário de segundo turno apresentado pela pesquisa, ACM Neto aparece com 50,9%, contra 40% de Jerônimo Rodrigues. A vantagem é de 10,9 pontos.

GRÁFICO 2 — SEGUNDO TURNO

ACM Neto — 50,9%

Jerônimo Rodrigues — 40,0%

O que chama atenção é que ambos crescem quando o eleitor é colocado diante de uma disputa binária. ACM Neto passa de 48,9% para 50,9%, enquanto Jerônimo sai de 38,7% para 40%. Isso sugere que existe espaço para a reorganização do eleitorado quando os demais nomes deixam de fazer parte da equação.

Rejeição: o número que pode mudar o jogo

Talvez um dos dados politicamente mais relevantes esteja na rejeição. Jerônimo Rodrigues aparece com 41% de rejeição, enquanto ACM Neto registra 28,2%. A diferença é expressiva e, em uma eleição polarizada, pode ter peso decisivo.

GRÁFICO 3 — REJEIÇÃO

Jerônimo Rodrigues — 41,0%

ACM Neto — 28,2%

Entretanto, rejeição não deve ser confundida com voto consolidado. Ela indica resistência ao nome e pode se transformar em uma espécie de teto eleitoral, mas também pode mudar durante uma campanha. O dado importante é que, neste momento, Neto parte de uma posição mais confortável nesse quesito.

O paradoxo de Jerônimo: aprovação maior que sua intenção de voto

Aqui aparece uma das contradições mais interessantes da pesquisa. O governador Jerônimo Rodrigues tem 55,2% de aprovação e 41,7% de desaprovação. Ainda assim, aparece com 38,7% na intenção de voto estimulada apresentada no levantamento.

GRÁFICO 4 — AVALIAÇÃO DO GOVERNO JERÔNIMO

Aprovam — 55,2%

Desaprovam — 41,7%

Politicamente, essa diferença abre uma pergunta fundamental: por que parte dos eleitores que aprovam a gestão não declara voto no governador? O desafio de Jerônimo é justamente transformar avaliação administrativa em preferência eleitoral.

A resposta não está dada pela pesquisa. Mas ela indica que existe um estoque potencial de votos que pode ser disputado durante a campanha — caso o governador consiga converter aprovação em decisão eleitoral.

Senado: Rui Costa dispara, Wagner enfrenta o próprio desgaste

A disputa pelo Senado apresenta uma configuração igualmente significativa. Rui Costa aparece em primeiro, com 44,6%, seguido por Jaques Wagner, com 35,1%. João Roma registra 24,1% e Ângelo Coronel, 21,9%.

GRÁFICO 5 — CORRIDA PELO SENADO

Rui Costa — 44,6%

Jaques Wagner — 35,1%

João Roma — 24,1%

Ângelo Coronel — 21,9%

O problema de Wagner aparece com mais clareza quando olhamos para a rejeição. Ele lidera esse indicador, com 34,1%, enquanto Rui Costa tem 23,1%, Ângelo Coronel 20,9% e João Roma 19,4%.

É uma combinação que merece atenção: Wagner está em segundo lugar na intenção de voto, mas também lidera a rejeição. Se essa rejeição permanecer elevada, poderá dificultar sua capacidade de ampliar a votação ao longo da campanha.

E Lula? A Bahia continua sendo um território forte — mas o alerta está aceso

A segunda pesquisa analisada, Futura/Apex, ouviu 1.000 eleitores nos dias 24 e 25 de julho, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais. Na corrida presidencial dentro da Bahia, Lula aparece com 50,6%, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 27,1%.

GRÁFICO 6 — PRESIDENTE: 1º TURNO NA BAHIA

Lula — 50,6%

Flávio Bolsonaro — 27,1%

Ronaldo Caiado — 7,1%

Lula continua muito à frente. Mas o dado politicamente interessante está menos na liderança e mais no tamanho dela. O levantamento aponta 50,6%, número bastante superior ao de Flávio Bolsonaro, mas distante das marcas históricas que o presidente já alcançou na Bahia.

A Bahia continua sendo uma fortaleza eleitoral de Lula. Mas até fortalezas precisam prestar atenção quando suas muralhas começam a mostrar sinais de desgaste.

Segundo turno presidencial: Lula mantém vantagem confortável

No segundo turno, Lula aparece com 56,8%, contra 33,2% de Flávio Bolsonaro. A vantagem permanece ampla, embora o crescimento de Lula em relação ao primeiro turno seja de pouco mais de seis pontos.

GRÁFICO 7 — PRESIDENTE: 2º TURNO NA BAHIA

Lula — 56,8%

Flávio Bolsonaro — 33,2%

Rejeição presidencial mostra uma eleição marcada pela polarização

A rejeição ajuda a compreender a natureza desse confronto. Flávio Bolsonaro aparece com 55,9% de rejeição, enquanto Lula registra 35,7%.

GRÁFICO 8 — REJEIÇÃO PRESIDENCIAL

Flávio Bolsonaro — 55,9%

Lula — 35,7%

O segundo alerta para o PT: aprovação de Lula em 55,9%

Outro dado merece atenção. A aprovação do governo Lula na Bahia aparece em 55,9%, enquanto 38,8% desaprovam. É uma avaliação ainda positiva, mas, segundo a análise que acompanha a pesquisa, representa uma marca inferior àquelas que o PT já alcançou historicamente no estado.

GRÁFICO 9 — APROVAÇÃO DO GOVERNO LULA NA BAHIA

Aprovam — 55,9%

Desaprovam — 38,8%

O que essas pesquisas realmente dizem?

A primeira conclusão é óbvia: ACM Neto começa a corrida pelo Governo da Bahia em posição de vantagem. Quase 49% no primeiro turno e 50,9% no segundo são números fortes. Não podem ser tratados como mera espuma estatística.

A segunda conclusão, porém, é igualmente importante: Jerônimo Rodrigues ainda não está fora do jogo. Sua aprovação de 55,2% é maior que sua intenção de voto. Existe, portanto, um espaço político que o governador pode tentar ocupar.

A terceira conclusão diz respeito ao Senado. Rui Costa apresenta uma liderança consistente, enquanto Jaques Wagner enfrenta uma taxa de rejeição significativamente maior que a dos demais nomes citados. Isso pode alterar a composição da disputa ao longo da campanha.

E a quarta conclusão está no plano nacional: Lula continua muito forte na Bahia, mas os números não autorizam acomodação. Sua liderança é ampla, porém sua aprovação está distante dos patamares históricos mencionados na própria análise da pesquisa.

A eleição de 2026 pode começar com favoritos — mas dificilmente terminará obedecendo à fotografia de agosto.

A Bahia entra em uma eleição de memória, rejeição e transferência de votos

Existe ainda um elemento histórico que não pode ser desprezado. A própria análise recorda que, na eleição anterior, Jerônimo Rodrigues chegou a estar atrás e terminou vencendo. Isso demonstra que pesquisas são retratos de determinado momento e que campanhas eleitorais podem produzir mudanças importantes.

Para ACM Neto, o desafio será transformar a liderança atual em uma maioria suficientemente sólida para atravessar a campanha. Para Jerônimo, será reduzir a rejeição e converter aprovação administrativa em voto. Para Rui Costa, preservar a liderança. Para Wagner, superar o obstáculo da rejeição. Para Lula, manter a Bahia como uma de suas principais fortalezas eleitorais sem ignorar os sinais de desgaste.

No fundo, as pesquisas contam uma história maior que os percentuais isolados. Contam a história de uma Bahia onde o eleitor parece disposto a separar as disputas. Pode aprovar um governo estadual e não necessariamente votar em seu candidato. Pode apoiar Lula para presidente e, ao mesmo tempo, escolher outro grupo para o governo do estado. Pode ainda votar em nomes diferentes para as duas cadeiras do Senado.

É justamente aí que mora a imprevisibilidade da eleição.

Pesquisa não elege ninguém. Mas pesquisa revela onde cada candidatura precisa lutar. E, neste momento, os números mostram que ACM Neto tem a vantagem; Jerônimo precisa reagir; Rui Costa largou muito bem; Wagner enfrenta um problema de rejeição; e Lula, embora continue soberano na Bahia, recebeu um aviso que nenhum estrategista deveria ignorar.

DADOS-CHAVE DAS PESQUISAS

Governo — ACM Neto: 48,9%

Governo — Jerônimo: 38,7%

2º turno — ACM Neto: 50,9%

2º turno — Jerônimo: 40%

Senado — Rui Costa: 44,6%

Senado — Jaques Wagner: 35,1%

Presidência — Lula: 50,6% no 1º turno

Presidência — Lula: 56,8% no 2º turno

Aprovação Jerônimo: 55,2%

Aprovação Lula: 55,9%

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