Política e Resenha

Wilton Cunha: quando a inteligência ajuda a cidade a compreender a política

Por Padre Carlos

Há pessoas que participam da política. Há outras que fazem política. E existem aquelas, mais raras, que ajudam uma sociedade a compreender a política. O professor Wilton Teixeira Cunha pertence a esta última categoria.

Sua participação no programa Almoço com as Estrelas, da Rádio UP, foi mais uma demonstração de como o conhecimento, a experiência e a capacidade de interpretar os fatos podem transformar uma simples entrevista em um verdadeiro exercício de cidadania. Ao lado do apresentador Deusdete Dias Filho, Wilton analisou o cenário das eleições de 2026, a polarização política, o comportamento das pesquisas e as possibilidades que começam a se desenhar no horizonte eleitoral brasileiro.

Mas seria um erro enxergar Wilton Cunha apenas como mais um comentarista político.

Uma trajetória entre a academia, a política e a cidade

Existe uma história por trás daquele homem que fala de números, pesquisas, eleições, partidos e conjunturas. Professor, agrônomo, mestre em Sociologia Rural, com trajetória acadêmica e experiência na administração pública, Wilton construiu ao longo de décadas uma relação profunda com a vida política e social de Vitória da Conquista. Sua formação e sua experiência permitem que ele transite entre a academia, a política e a realidade concreta da cidade.

E talvez seja justamente aí que esteja sua maior contribuição.

Wilton não apenas olha para o fato político. Ele procura compreender aquilo que existe por trás do fato.

Uma pesquisa eleitoral, para ele, não é simplesmente uma tabela de números. É preciso entender o comportamento do eleitor, as tendências históricas, os movimentos sociais, as alianças, os desejos e as contradições de uma sociedade. Uma candidatura não pode ser analisada apenas pelo nome que aparece na pesquisa. É necessário compreender o projeto político, a conjuntura, a capacidade de articulação e o sentimento que se movimenta silenciosamente entre os eleitores.

É essa capacidade de leitura que fez com que suas análises conquistassem espaço ao longo dos anos.

Não é de hoje que Wilton participa do debate político da cidade. Há registros de suas análises eleitorais desde pelo menos 2018, quando passou a colaborar com veículos de comunicação de Vitória da Conquista comentando política e assuntos relacionados à cidade.

Em diferentes momentos eleitorais, sua voz voltou a aparecer nos meios de comunicação justamente porque existe uma demanda por pessoas capazes de interpretar a política sem transformar necessariamente toda análise em torcida organizada.

Política também é conhecimento

Isso é extremamente importante em tempos de polarização.

Vivemos uma época em que muitas vezes o debate político foi reduzido ao “gosto” e ao “não gosto”, ao “sou contra” e ao “sou a favor”. As redes sociais aceleraram esse processo. O adversário político passou, muitas vezes, a ser tratado como inimigo. E a informação deixou de ser suficiente: tornou-se necessário disputar narrativas.

Nesse ambiente, a presença de intelectuais como Wilton Cunha é importante porque nos lembra que política também é conhecimento.

É preciso estudar. É preciso comparar. É preciso interpretar dados. É preciso conhecer a história. É preciso compreender o comportamento do eleitor.

É preciso saber que uma eleição começa muito antes do período eleitoral e termina muito depois da apuração das urnas.

E é exatamente nesse espaço entre o acontecimento e sua interpretação que Wilton tem oferecido uma contribuição relevante à comunidade conquistense.

Conhecimento a serviço do cidadão

Seu conhecimento não serve apenas aos partidos ou aos candidatos. Serve também ao cidadão.

Um político pode ouvir Wilton para tentar compreender melhor o cenário em que está inserido. Um dirigente partidário pode procurar sua leitura para avaliar os caminhos de uma eleição. Um jornalista pode encontrar em suas análises elementos para aprofundar uma reportagem. Mas o eleitor comum também ganha quando tem acesso a uma interpretação qualificada da realidade.

Porque uma democracia saudável não depende apenas de eleições.
Depende de eleitores informados.

Depende de uma sociedade capaz de discutir seus problemas. Depende de cidadãos que consigam diferenciar fato de opinião, pesquisa de propaganda, tendência de certeza e análise de torcida.

E, nesse sentido, a participação de Wilton Cunha nos meios de comunicação cumpre uma função que vai muito além do entretenimento.

Ela é pedagógica.
É cidadã.
É política no sentido mais nobre da palavra.

Democracia, diversidade e participação

Na recente participação no Almoço com as Estrelas, por exemplo, a discussão não ficou restrita aos nomes que disputam as eleições de 2026. O debate alcançou questões maiores, como democracia, participação popular e fortalecimento das instituições. Wilton lembrou que a democracia permite que o coletivo participe e construa, associando a diversidade democrática à harmonia existente na música.

A democracia não significa que todos pensem igual. Significa que diferentes pensamentos podem conviver e participar da construção de uma sociedade comum.

Talvez seja essa uma das maiores contribuições que Wilton pode oferecer neste momento histórico.

Uma cidade também precisa de inteligência pública

Vitória da Conquista é uma cidade que cresceu, amadureceu e passou a ocupar um espaço cada vez mais importante no cenário político e econômico da Bahia. Uma cidade desse tamanho precisa também de uma inteligência pública à altura de seus desafios.

Precisa de universidades.
Precisa de imprensa.
Precisa de pesquisadores.
Precisa de professores.
Precisa de instituições.

E precisa de homens e mulheres dispostos a pensar a cidade para além das paixões eleitorais.

Wilton Cunha é parte desse patrimônio intelectual conquistense.

Sua trajetória política é conhecida e suas convicções também. Isso não diminui sua importância como analista. Pelo contrário. O que importa é reconhecer que pessoas podem ter posições políticas e, ao mesmo tempo, oferecer elementos importantes para que a sociedade compreenda uma conjuntura.

Aliás, a própria história de sua participação no debate público demonstra isso. Ao longo dos anos, Wilton esteve presente em diferentes momentos da política conquistense, analisando eleições, partidos, pesquisas e movimentos políticos. Em 2024, por exemplo, suas projeções sobre a disputa proporcional em Vitória da Conquista ajudaram a explicar para o público a complexidade do cálculo eleitoral e da formação da Câmara Municipal.

Um serviço público intelectual

É por isso que considero sua presença nos meios de comunicação uma espécie de serviço público intelectual.

Ele ajuda a traduzir a política.
E traduzir a política significa aproximá-la do cidadão.

Quando um especialista consegue explicar uma pesquisa eleitoral sem transformar o resultado em propaganda; quando consegue interpretar uma movimentação partidária sem reduzi-la a fofoca; quando consegue olhar para uma eleição tentando enxergar as tendências que estão por trás dos números, ele está prestando um serviço à democracia.

E Vitória da Conquista precisa valorizar isso.

Precisamos valorizar nossos professores, nossos pesquisadores, nossos intelectuais e aqueles que dedicaram décadas à construção do conhecimento.

Não devemos reconhecer nossos intelectuais apenas quando eles morrem. Uma cidade inteligente sabe ouvir seus pensadores enquanto eles estão vivos, ativos e contribuindo para a compreensão do presente.

Compreender antes de escolher

Por isso, a participação de Wilton Cunha no programa da Rádio UP merece ser vista para além da entrevista.

Ela representa a presença de um intelectual conquistense no espaço público.

Representa a possibilidade de transformar conhecimento em reflexão.

Representa a oportunidade de colocar a experiência a serviço da compreensão dos acontecimentos.

A política não pode viver apenas de discursos, slogans e redes sociais. Ela precisa também de inteligência, memória, conhecimento e capacidade de interpretação.

Wilton Cunha tem oferecido isso à nossa cidade.

Aos políticos, oferece elementos para pensar.
À imprensa, oferece interpretação.
À comunidade, oferece conhecimento.
E ao cidadão, oferece algo que talvez seja ainda mais importante: a possibilidade de compreender antes de escolher.

Em uma democracia, compreender é uma forma de liberdade.

E uma cidade que possui homens capazes de ajudar seus cidadãos a compreender melhor o mundo em que vivem possui um patrimônio que não pode ser medido em votos, cargos ou mandatos.

É patrimônio intelectual.

E Vitória da Conquista tem em Wilton Cunha um de seus nomes.

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