Entre promessas, articulação e obras, as comunidades do Sudoeste cobram uma política que esteja presente antes, durante e depois das eleições.
Na política do interior, existe uma diferença que a população conhece melhor do que qualquer discurso: a diferença entre visitar uma comunidade e caminhar com ela. Durante décadas, povoados e distritos do Sudoeste baiano se acostumaram a receber políticos em épocas estratégicas, acompanhados de discursos, apertos de mão e promessas. O que merece ser observado, porém, é o que acontece entre uma eleição e outra: quais demandas saem das conversas, chegam aos órgãos públicos e efetivamente se transformam em obras.
De Belo Campo para o Sudoeste
É nesse cenário que José Henrique Silva Tigre, o Quinho, tenta ampliar para o Sudoeste uma trajetória construída a partir de Belo Campo. Ele foi eleito prefeito do município em 2016 e novamente em 2020 e também presidiu a União dos Municípios da Bahia (UPB); em 2026, disputa uma cadeira de deputado estadual pelo PSD.
Quinho saiu de uma cidade do sertão sudoestino e passou a ocupar espaços de articulação regional e estadual. Seus aliados apresentam justamente essa capacidade de diálogo com diferentes esferas do poder como uma das principais marcas de sua atuação. Em Vitória da Conquista, essa articulação ganhou visibilidade especialmente nas demandas da zona rural.
“Na política do interior, existe uma diferença que a população conhece melhor do que qualquer discurso: a diferença entre visitar uma comunidade e caminhar com ela.”
Batuque: quando a reivindicação começa a virar obra
O Batuque, em São João da Vitória, é um exemplo concreto. A pavimentação das vias principais era apontada como reivindicação antiga da comunidade. Em novembro de 2025, a Câmara Municipal registrou que a vereadora Léia de Quinho havia levado a demanda ao Governo do Estado e que equipes técnicas já realizavam levantamentos na região.
Meses depois, em maio de 2026, a parlamentar anunciou a autorização de licitação para mais de 13 quilômetros de pavimentação, contemplando localidades como Batuque, Vereda do Progresso, Campo Formoso, Veredinha, Abelhas, Inhobim, Queimadas, Matinha, Corta-Lote, Poço Verde e Lagoa do Boi. Na ocasião, Léia atribuiu parte da articulação a Quinho junto ao governador Jerônimo Rodrigues.
Quando a política chega à comunidade
Agora, a imagem das máquinas chegando ao Batuque tem um peso que vai muito além do asfalto. Para quem passou anos convivendo com poeira no verão e lama no período das chuvas, infraestrutura significa acesso mais digno à escola, à saúde, ao transporte, ao comércio e à própria cidade.
É justamente por isso que a fotografia de uma ordem de serviço levantada diante da população carrega uma cobrança maior: depois da assinatura, é preciso acompanhar a execução até a entrega.
A própria Léia registrou publicamente a satisfação com o início da obra e agradeceu a participação de Quinho, do governador Jerônimo Rodrigues e da Secretaria de Infraestrutura nesse processo. A publicação também afirma que o projeto alcança diferentes comunidades da zona rural conquistense.
Quem aparece quando ainda não existe palanque, fotografia ou eleição próxima?
A régua precisa ser a mesma para todos
Deputados estaduais, federais, prefeitos, vereadores e candidatos de qualquer grupo político devem ser avaliados pelo mesmo critério. Não basta dizer que possui acesso ao governador, a Brasília ou às secretarias. A questão objetiva é outra: o que essa representação conseguiu encaminhar, quanto recurso foi destinado, qual obra saiu do papel e qual problema permanece sem solução?
Esse critério também precisa valer para Quinho. Sua candidatura não deve receber um cheque em branco simplesmente porque existem obras sendo associadas à sua articulação. Cabe ao eleitor acompanhar os compromissos assumidos, cobrar resultados e comparar sua atuação com a dos demais candidatos. Política pública não é favor pessoal: o dinheiro é público e o benefício pertence à população.
Mas há uma mudança importante quando comunidades historicamente lembradas sobretudo em períodos eleitorais conseguem colocar suas reivindicações dentro da agenda do Governo do Estado.
Lagoa das Flores e a próxima cobrança
É essa mesma lógica que aparece na Lagoa das Flores. A região é uma das portas de entrada de Vitória da Conquista e convive com problemas de pavimentação e drenagem. Registros legislativos recentes mostram que há cobranças por pavimentação de ruas do bairro, inclusive indicações reiteradas ao Executivo municipal.
Quinho, por sua vez, declarou publicamente que pretende tratar investimentos em pavimentação de bairros de Vitória da Conquista como uma de suas pautas caso seja eleito, além de citar intervenções no entorno da Lagoa das Flores como prioridade. Trata-se, neste momento, de compromisso político declarado — e deve ser tratado como tal até que existam os atos administrativos e recursos correspondentes.
Obra iniciada é fato.
Licitação publicada é fato.
Compromisso de campanha é promessa que ainda precisa ser cumprida.
Quem voltará aos povoados?
Talvez seja justamente aí que esteja uma das discussões mais importantes desta eleição para o Sudoeste. Durante muito tempo, a política regional funcionou pela lógica de comunidades procuradas para fornecer votos e depois obrigadas a percorrer gabinetes atrás de atenção. O desafio é inverter essa relação: fazer com que Batuque, Lagoa das Flores, Bate-Pé, Inhobim, Iguá e tantas outras localidades sejam consideradas no planejamento público durante os quatro anos.
Quando chegar novamente a época das visitas, cada morador terá o direito de perguntar aos que retornarem ao seu distrito ou povoado: onde você esteve quando precisávamos de estrada, drenagem, pavimentação, saúde e infraestrutura? Qual demanda nossa você levou adiante? O que efetivamente conseguiu entregar?
E essas perguntas não precisam ser dirigidas apenas aos adversários de Quinho. Devem ser feitas a todos — inclusive a ele.
Porque a melhor consequência dessa movimentação política não seria transformar uma liderança em alguém acima de cobranças. Seria exatamente o contrário: elevar o padrão de cobrança sobre todos aqueles que pretendem representar o Sudoeste.
Entre o discurso e aquilo que chega à comunidade
Quinho construiu sua trajetória saindo de Belo Campo e hoje busca transformar sua articulação regional em representação na Assembleia Legislativa. O eleitor decidirá nas urnas sobre essa caminhada. Antes disso, porém, há algo que cada comunidade pode fazer sem depender de partido ou candidato: comparar promessa com documento, discurso com obra e presença eleitoral com trabalho realizado.
No fim das contas, a pergunta que deve ecoar em cada povoado do Sudoeste não é apenas “quem veio pedir nosso voto?”
“Quem esteve aqui quando o voto ainda não estava sendo pedido?”
Artigo de opinião
Por Padre Carlos
Política e Resenha
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