
Sheila Lemos é a técnica, Dudé é o preparador físico: quem conhece o grupo sabe quem pode reorganizar o time para 2028
Por Padre Carlos · Política e Resenha · 17 de outubro de 2026
Na política, há momentos em que a maior qualidade de um líder não está em ocupar o centro do palco, mas em saber reconhecer quem tem experiência, capacidade de articulação e conhecimento suficiente para reorganizar o time quando o jogo começa a ficar difícil. Em Vitória da Conquista, diante dos movimentos que já apontam para a disputa municipal de 2028, um nome merece atenção especial: o vereador Luís Carlos Dudé. Mais do que um integrante histórico do grupo político que governa a cidade, Dudé conhece os bastidores, compreende as relações de confiança e sabe, como poucos, onde estão as forças e as fragilidades desse projeto político.
É preciso voltar no tempo para compreender o tamanho de sua importância. A vitória de Herzem Gusmão, que rompeu a longa hegemonia petista em Vitória da Conquista, não foi obra do acaso. Foi resultado de uma combinação de liderança, oportunidade política, articulação e capacidade de construir alianças. E, nesse processo, Dudé teve um papel estratégico. Foi um dos grandes articuladores da composição que levou Dona Irma à chapa de Herzem, uma movimentação que ajudou a ampliar a força eleitoral do grupo e a consolidar a alternativa política que derrotou o PT depois de aproximadamente duas décadas de predominância no comando municipal.
Dudé não foi apenas um espectador daquela mudança. Foi um dos personagens que compreenderam que, para vencer uma hegemonia consolidada, não bastava repetir discursos ou reunir os mesmos aliados de sempre. Era necessário construir pontes, ampliar o diálogo e montar uma chapa capaz de conversar com diferentes setores da sociedade conquistense.
A história política de Vitória da Conquista não pode ser contada sem reconhecer a importância dessas articulações. E quem participou da construção de uma vitória dessa dimensão não pode ser tratado como simples figurante quando chega a hora de reorganizar o grupo que ajudou a formar.
| Gráfico 1 | A virada de 2020 | ||
| Herzem terminou atrás no 1º turno e virou no 2º, abrindo cerca de 14 mil votos sobre Zé Raimundo | ||
| Zé Raimundo (PT) — 1º turno | 81.721 | |
| Herzem Gusmão (MDB) — 1º turno | 78.732 | |
| Zé Raimundo (PT) — 2º turno | 82.942 | |
| Herzem Gusmão (MDB) — 2º turno | 97.364 | |
| Fonte: BNews (totais de votos); PT e Correio (percentuais do 1º turno: Zé Raimundo 47,63%; Herzem 45,89%). No 2º turno, Herzem somou cerca de 54% dos votos válidos. | ||
O conselheiro que conhece a casa por dentro
Ao longo dos anos, Luís Carlos Dudé construiu uma relação de proximidade política com a família Lemos. Foi interlocutor, aliado e conselheiro em diferentes momentos. Conhece os caminhos percorridos pelo grupo, os compromissos que sustentaram sua unidade e as dificuldades que surgiram durante a caminhada.
Essa experiência tem um valor que não aparece necessariamente nas pesquisas eleitorais. Pesquisa mede intenção de voto em determinado momento; experiência política, por sua vez, pode ajudar a compreender por que certas alianças funcionam, por que outras fracassam e como administrar divergências antes que elas se transformem em rupturas irreversíveis.
É justamente por isso que o papel de Dudé ganha relevância neste momento.
Sheila Lemos conquistou sua posição de liderança e é a principal responsável pelas decisões políticas de seu grupo. Cabe a ela avaliar cenários, escolher caminhos e definir a estratégia eleitoral. Mas até os melhores líderes precisam de pessoas capazes de transformar decisões em organização, discurso em unidade e potencial eleitoral em projeto coletivo.
| Gráfico 2 | O ponto de partida do grupo | ||
| Em 2024, Sheila Lemos foi reeleita no 1º turno com 58,83% dos votos válidos | ||
| Sheila Lemos (União) | 58,83% | |
| Waldenor Pereira (PT) | 26,74% | |
| Demais candidatos | 14,43% | |
| Fonte: Poder360, com 100% das urnas apuradas. A elegibilidade de Sheila foi confirmada por unanimidade pelo TSE (Bahia Notícias). “Demais candidatos” é o resíduo do total. | ||
É aqui que entra a metáfora do futebol: Sheila é a técnica; Dudé pode ser o preparador físico.
A técnica escolhe o esquema, define a estratégia e decide quem entra em campo. O preparador físico trabalha para que o time tenha resistência, entrosamento e condições de suportar os momentos mais difíceis da partida. Um papel não substitui o outro. Pelo contrário: quando existe confiança entre os dois, o desempenho coletivo pode melhorar significativamente.
| A metáfora em campo | |
| Dois papéis, um mesmo time | |
| Sheila, a técnica. Avalia cenários, escolhe o esquema, define a estratégia eleitoral e tem a palavra final sobre quem entra em campo. |
Dudé, o preparador físico. Cuida do fôlego e do entrosamento: conversa com aliados, reduz tensões, recupera pontes e evita que disputas individuais comprometam o projeto. |
Na política, essa preparação significa conversar com aliados, diminuir tensões, recuperar pontes, identificar resistências e evitar que disputas individuais comprometam um projeto maior. Não se trata de entregar a Dudé o comando que pertence a Sheila, mas de reconhecer que sua experiência pode ajudar a prefeita a exercer a liderança com mais segurança.
A crise com Alan e a necessidade de reorganização
O cenário atual demonstra que o grupo governista precisa administrar suas diferenças com cuidado. A relação entre Sheila Lemos e o vice-prefeito Aloísio Alan sofreu um desgaste importante durante as articulações políticas envolvendo a candidatura de Wagner Alves e o apoio de Alan à esposa, a vereadora Lara Fernandes.
A divergência ultrapassou os limites de uma disputa silenciosa por espaço. Vieram acusações públicas, manifestações de desconfiança e um ambiente que tornou mais difícil imaginar a manutenção da antiga relação política sem mudanças significativas.
O problema não é simplesmente a existência de ambições diferentes. Em qualquer grupo político, é natural que lideranças tenham projetos próprios e busquem espaço. O verdadeiro desafio aparece quando a disputa por protagonismo começa a ameaçar a confiança necessária para manter a aliança.
As consequências desse episódio precisam ser avaliadas com serenidade. As acusações envolvendo o uso da máquina pública, assim como as alegações de perseguição política, exigem apuração responsável e não devem ser tratadas como fatos comprovados sem as devidas conclusões. Politicamente, entretanto, o desgaste já se tornou um elemento importante na discussão sobre o futuro do grupo.
| Gráfico 3 | O racha nas urnas de 2026 | ||
| Wagner Alves foi o mais votado em Conquista para deputado estadual, mas os votos do campo se espalharam | ||
| Wagner Alves (União) | 33.397 | |
| Dra. Lara Fernandes (Republicanos) | 10.415 | |
| Tiago Correia (PSDB), reeleito | 7.238 | |
| Votos em Vitória da Conquista (17,3% dos válidos para Wagner). Fonte: Hub Político e Sudoeste Acontece, com dados da Justiça Eleitoral. | ||
| Gráfico 4 | A conta da federação | ||
| Na Bahia inteira, Wagner ficou cerca de 7 mil votos abaixo do último eleito da federação | ||
| Último eleito da federação (Luciano Simões Filho) | ~60,7 mil | |
| Wagner Alves (União), suplente | 53.451 | |
| Total estadual, 63ª colocação geral. Fonte: Portal Cubo e Jornal Grande Bahia. O valor do último eleito é aproximado, conforme a fonte. | ||
Nesse contexto, a ausência de Alan na reunião realizada em 8 de outubro, da qual participaram Coronel Ivanildo Silva, Ivan Cordeiro e Luís Carlos Dudé, foi interpretada como um sinal de que as relações internas atravessam um momento delicado. A reunião, por si só, não determina quem será o candidato em 2028, mas reforça a percepção de que o grupo já discute alternativas para a sucessão municipal.
A política tem dessas coisas: às vezes, uma cadeira vazia em uma reunião diz tanto quanto um discurso pronunciado diante de todos.
Coronel Ivanildo: uma alternativa que merece ser considerada
Com o desgaste da relação entre Sheila e Alan, o grupo precisa olhar para as alternativas que podem reunir condições de competitividade eleitoral. Entre elas, destaca-se o nome do Coronel Ivanildo Silva.
Sua presença no entorno político da prefeita e sua atuação como chefe de gabinete o colocam em posição de participar das articulações internas. Além disso, seu perfil pode dialogar com parcelas do eleitorado de centro e de direita, segmentos importantes na composição da força eleitoral que sustenta o grupo governista.
Uma candidatura, entretanto, não se constrói apenas com prestígio pessoal ou identificação ideológica. É preciso demonstrar capacidade de ampliar apoios, dialogar com diferentes setores da sociedade, apresentar propostas para os problemas da cidade e construir uma relação de confiança com a população.
Ainda assim, Ivanildo é um nome que merece ser observado. Em uma disputa na qual a unidade do grupo pode ser tão importante quanto a popularidade individual, sua capacidade de transitar entre diferentes interlocutores poderá representar um ativo político relevante.
| Gráfico 5 | O que a pesquisa mostrava em 2024 | ||
| Antes da eleição, Ivanildo já aparecia em cenário estimulado, ainda distante dos líderes | ||
| Sheila Lemos (União) | 36,27% | |
| Lúcia Rocha (MDB) | 24,01% | |
| Waldenor Pereira (PT) | 20,69% | |
| Coronel Ivanildo | 5,62% | |
| Não votaria em nenhum | 8,56% | |
| Fonte: BN/Séculus, 783 entrevistas em 26 a 28 de março de 2024, margem de erro de 3,5 pontos, registro BA-03140/2024. Foto de março de 2024, anterior ao resultado das urnas; não mede 2028. | ||
Ivan Cordeiro e a força de uma nova liderança
Outro nome que desperta interesse é o do presidente da Câmara Municipal, Ivan Cordeiro. Sua posição institucional lhe proporciona visibilidade, contato permanente com as demandas da cidade e participação direta nas discussões políticas locais.
Ivan representa uma alternativa que merece ser analisada com atenção. A presidência da Câmara oferece uma tribuna importante, mas também exige capacidade de diálogo, habilidade para construir consensos e responsabilidade na relação com os demais poderes.
Seu desafio, caso pretenda disputar um espaço maior em 2028, será transformar essa visibilidade institucional em reconhecimento eleitoral mais amplo e demonstrar que pode representar não apenas um segmento político, mas uma parcela expressiva da população conquistense.
A existência de diferentes nomes não precisa ser vista como um problema. Pode ser uma vantagem, desde que o processo de escolha seja conduzido com maturidade e respeito às regras internas do grupo.
O que não pode acontecer é a multiplicidade de alternativas se transformar em uma competição descontrolada, na qual cada liderança tente enfraquecer a outra para conquistar a preferência da prefeita.
A sucessão de 2028 começa antes da campanha
Encerrada uma etapa de articulações em torno das candidaturas proporcionais, a política local começa a direcionar suas atenções para a sucessão municipal de 2028. E, como costuma acontecer, o debate começou muito antes do calendário oficial das eleições.
A manifestação pública de Dudé sobre a necessidade de unificação do grupo e sua disposição de se colocar como pré-candidato demonstram que ele não pretende assistir passivamente à formação do cenário eleitoral.
“Nós três vamos caminhar sim.”
Luís Carlos Dudé, na sessão da Câmara de Vitória da Conquista, ao falar de si, de Ivan Cordeiro e do Coronel Ivanildo (Blog do Redação)
Esse movimento precisa ser compreendido dentro de uma realidade maior. Dudé reúne experiência, conhece a trajetória do grupo e tem condições de participar da construção de uma solução política. Ao mesmo tempo, sua manifestação deixa claro que ele também possui ambições próprias e pretende disputar espaço no debate sobre o futuro da cidade.
Não há contradição nisso. Um político pode defender a unidade de um grupo e, simultaneamente, colocar seu nome à disposição para representá-lo. O que definirá a qualidade dessa participação será a capacidade de conciliar o projeto coletivo com as aspirações individuais.
Sheila, por sua vez, terá a responsabilidade de conduzir esse processo. Não basta escolher um nome por amizade, proximidade ou gratidão política. A decisão precisará considerar a capacidade de agregar aliados, conquistar eleitores, defender a gestão e apresentar uma perspectiva convincente para o futuro de Vitória da Conquista.
É nesse ponto que a experiência de Dudé pode ser especialmente útil: ajudar a prefeita a avaliar não apenas quem deseja ser candidato, mas quem reúne condições de manter o grupo unido e competitivo.
| Linha do tempo | |
| Da ruptura da hegemonia petista à corrida de 2028 | |
| 2016 | Herzem Gusmão vence Zé Raimundo no 2º turno e encerra cerca de 20 anos de comando petista. Irma Lemos é eleita vice. |
| 2020 | Herzem é reeleito no 2º turno, com Sheila Lemos como vice. |
| 2021 | Com a morte de Herzem por complicações da covid-19, Sheila assume a prefeitura. |
| 2024 | Sheila é reeleita com 58,83%. Dudé é eleito vereador pelo União, com 3.339 votos (1,68%). |
| 2026 | Racha entre Sheila e o vice Alan em torno de Wagner Alves e Lara Fernandes. Wagner tem 33.397 votos na cidade e fica como suplente na Alba. |
| Out/2026 | Sheila reúne Ivanildo, Ivan Cordeiro e Dudé. Dudé se coloca como pré-candidato e defende a unidade do grupo. |
| Fontes: Correio, Bahia Notícias, Poder360, Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Blog do Redação. | |
O maior adversário pode estar dentro de casa
A história política oferece uma lição que se repete com frequência: grupos fortes nem sempre são derrotados pela oposição; às vezes, enfraquecem quando suas lideranças deixam de reconhecer os limites entre a ambição pessoal e o interesse coletivo.
Vitória da Conquista já assistiu a mudanças profundas em sua vida política. A ruptura da hegemonia petista mostrou que alianças bem construídas podem alterar cenários que pareciam consolidados. A ascensão do grupo liderado por Herzem Gusmão e a continuidade desse campo político sob a liderança de Sheila Lemos também demonstram a importância de organizar forças, preservar vínculos e dialogar com diferentes setores do eleitorado.
Mas nenhuma vitória passada garante automaticamente uma vitória futura.
O grupo da prefeita precisa compreender que 2028 não será decidido apenas pela lembrança das conquistas anteriores. Será influenciado pela avaliação da gestão, pelos problemas concretos da cidade, pela capacidade de apresentar soluções e, sobretudo, pela qualidade das alianças construídas até lá.
Se as divergências internas continuarem crescendo, a oposição poderá encontrar oportunidades para explorar essas fragilidades. Se, ao contrário, as lideranças conseguirem estabelecer critérios claros para a escolha do candidato e preservar o respeito mútuo, o grupo terá melhores condições de chegar à disputa com consistência.
É por isso que o papel de Dudé merece atenção. Sua experiência pode contribuir para evitar que diferenças administráveis se transformem em conflitos definitivos. Pode ajudar a construir uma conversa franca entre as lideranças e lembrar a todos que a força de uma equipe não depende de um único jogador.
Dudé pode ajudar a preparar o time para a próxima partida
Minha avaliação é que Luís Carlos Dudé será uma figura importante na reorganização do grupo de Sheila Lemos. Não porque tenha o direito exclusivo de escolher o próximo candidato, nem porque sua experiência lhe garanta automaticamente a indicação, mas porque conhece a história, os personagens e as relações que sustentam esse projeto político.
Ele participou de uma etapa decisiva da construção da alternativa que encerrou a hegemonia petista na cidade. Manteve proximidade com os Lemos e acumulou experiência suficiente para compreender que, em política, nem toda divergência precisa terminar em rompimento e nem toda disputa interna precisa produzir vencedores e derrotados.
Coronel Ivanildo tem seu espaço. Ivan Cordeiro também pode apresentar credenciais para uma disputa majoritária. Dudé, por sua vez, reúne trajetória, articulação e conhecimento interno. São nomes com características diferentes, e caberá a Sheila avaliar qual deles, ou eventualmente outra liderança, poderá reunir melhores condições para representar o grupo.
Mas existe uma diferença entre simplesmente escolher um candidato e preparar uma equipe para vencer uma eleição.
A escolha do nome é apenas uma parte do trabalho. Antes disso, será necessário recompor relações, estabelecer prioridades, construir um discurso comum e convencer os aliados de que todos terão espaço em um projeto que ultrapassa interesses individuais.
É nesse trabalho de bastidores que Dudé pode fazer a diferença.
Sheila é a técnica. Ela define a estratégia e tem a palavra final sobre o time que pretende colocar em campo. Dudé pode ser o preparador físico, responsável por ajudar a equipe a recuperar o fôlego, fortalecer o entrosamento e chegar à disputa de 2028 em melhores condições.
Se a prefeita souber aproveitar essa experiência, sem abrir mão de sua autoridade e sem transformar a escolha do candidato em uma disputa de vaidades, poderá encontrar em Dudé um aliado importante para atravessar este momento de incerteza.
No fim das contas, a eleição de 2028 ainda está distante, mas a preparação já começou. E, em uma disputa municipal, quem demora a organizar o próprio time corre o risco de descobrir tarde demais que o adversário não estava apenas do outro lado do campo.
Às vezes, a vitória começa muito antes do apito inicial. Começa quando o técnico percebe que precisa de alguém capaz de manter o elenco unido, recuperar a confiança dos jogadores e preparar a equipe para os desafios que virão.
Em Vitória da Conquista, esse pode ser o momento de Sheila reconhecer que, ao seu lado, há um político que conhece a história da equipe, sabe como ela chegou até aqui e pode ajudar a preparar o próximo capítulo.
O jogo de 2028 ainda não começou. Mas o trabalho de bastidores já está em andamento. E Dudé, pela trajetória que construiu, tem tudo para ser um dos personagens importantes dessa preparação.
| Temas |
| Sheila Lemos Luís Carlos Dudé Eleições 2028 Vitória da Conquista Coronel Ivanildo Ivan Cordeiro Política e Resenha |
| Fontes dos dados: Poder360 (resultado de 2024); Bahia Notícias (TSE e pesquisa BN/Séculus); Correio e PT (eleição de 2020); BNews (votos de 2020); Hub Político, Portal Cubo, Sudoeste Acontece e Jornal Grande Bahia (eleição de 2026); Câmara Municipal de Vitória da Conquista; Blog do Redação (fala de Dudé). |
| Padre Carlos — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha |




