Política e Resenha

A Barragem do Rio Catolé: Um Histórico de Interrupções e a Necessária Responsabilização daqueles que deveriam fiscalizar.

 

 

 

A construção da Barragem do Rio Catolé, obra essencial para garantir a segurança hídrica de Vitória da Conquista e dos municípios vizinhos de Tremedal e Belo Campo, é um projeto que carrega consigo décadas de expectativas, promessas e, infelizmente, interrupções. A história dessa barragem é um retrato fiel dos desafios enfrentados pela infraestrutura hídrica no Brasil, marcada por descontinuidades administrativas, falta de fiscalização adequada e, em muitos casos, descaso político.

As primeiras discussões sobre a necessidade da barragem remontam ao início dos anos 2000, quando a região de Vitória da Conquista já enfrentava problemas crônicos de abastecimento de água. No entanto, foi apenas em 2010 que o projeto ganhou forma concreta, com os primeiros estudos técnicos e a definição de um cronograma inicial. À época, a obra foi anunciada como uma solução definitiva para a escassez de água, prometendo beneficiar cerca de 450 mil habitantes.

A construção da barragem, no entanto, não seguiu um caminho linear. Desde o seu início, em 2012, as obras foram interrompidas por diversas vezes, seja por falta de recursos, problemas técnicos ou, principalmente, pela ausência de fiscalização e acompanhamento adequado por parte dos representantes políticos da região. A primeira grande interrupção ocorreu em 2014, quando os recursos federais foram redirecionados para outras obras, deixando a barragem em estado de abandono por mais de dois anos. Em 2016, houve uma tentativa de retomada, mas novamente as obras foram paralisadas em 2018, desta vez por questões burocráticas e licenciamento ambiental.

A situação só começou a mudar em 2022, quando a Embasa, sob a presidência de Gildeone Almeida Santos, assumiu o compromisso de retomar as obras e garantir sua conclusão. Após um novo período de ajustes técnicos e realocação de recursos, as atividades foram finalmente reiniciadas no final de 2024. Atualmente, a barragem apresenta um avanço de 27% e está prevista para ser concluída em fevereiro de 2027, com um investimento total de R326milho~es,sendoR326milho~es,sendoR 185 milhões provenientes de recursos próprios da Embasa e o restante do Programa de Aceleração do Crescimento (PCA 2), do Governo Federal.

A Responsabilidade dos Deputados de Vitória da Conquista

Enquanto celebramos a retomada das obras, é impossível ignorar o papel negligente desempenhado pelos deputados que representam Vitória da Conquista ao longo dos anos. A falta de fiscalização e acompanhamento das obras por parte desses parlamentares foi um dos principais fatores que contribuíram para as sucessivas interrupções. Em vez de pressionar o governo federal e estadual pela alocação de recursos e pela agilização dos processos burocráticos, muitos deputados se limitaram a discursos vazios e promessas não cumpridas.

A população de Vitória da Conquista, Tremedal e Belo Campo pagou um preço alto por essa negligência. Enquanto a barragem permanecia inacabada, os municípios enfrentaram crises hídricas recorrentes, prejudicando a qualidade de vida dos moradores e o desenvolvimento econômico da região. A falta de água potável afetou diretamente setores como a agricultura, a indústria e a saúde pública, gerando prejuízos que poderiam ter sido evitados com uma atuação mais firme e comprometida dos representantes políticos.

Conclusão

A retomada das obras da Barragem do Rio Catolé é, sem dúvida, uma notícia positiva e um passo importante para garantir a segurança hídrica da região. No entanto, é fundamental que os deputados de Vitória da Conquista assumam sua parcela de responsabilidade pelo atraso e se comprometam, de fato, com a fiscalização e o acompanhamento do projeto. A população merece mais do que promessas; merece ações concretas que garantam a conclusão da obra dentro do prazo e com a qualidade necessária.

A história da Barragem do Rio Catolé deve servir como um alerta para a importância da fiscalização e do compromisso político com obras essenciais. Que os erros do passado não se repitam e que, desta vez, a prioridade seja o bem-estar da população e o desenvolvimento sustentável da região.