A criação da Região Metropolitana de Vitória da Conquista representa muito mais que uma simples formalização administrativa. Trata-se de reconhecer institucionalmente uma realidade que já existe na prática: Vitória da Conquista como polo central do desenvolvimento econômico, social e estrutural do sudoeste baiano, exercendo influência natural sobre dezenas de municípios vizinhos.
Uma Integração Já Existente
Diariamente, milhares de pessoas de municípios como Barra do Choça, Planalto, Belo Campo e Poções deslocam-se para Vitória da Conquista em busca de trabalho, serviços de saúde, educação e comércio. Esta movimentação demonstra uma interdependência regional consolidada, mas que ainda carece de estruturação formal para potencializar seus benefícios.
Um exemplo concreto dessa interdependência são os mais de 1,2 milhão de cartões SUS registrados em Vitória da Conquista, como apontado pela prefeita Sheila Lemos, embora a cidade tenha apenas cerca de 400 mil habitantes. Esta disparidade evidencia como a cidade já atua como centro regional de saúde, mesmo sem o reconhecimento oficial desta função.
Benefícios Estruturais da Formalização Metropolitana
A institucionalização da Região Metropolitana de Vitória da Conquista traria múltiplos benefícios estruturais:
- Acesso ampliado a recursos federais e estaduais: Possibilitando investimentos em infraestrutura essencial como sistemas de transporte público integrado, soluções para a crise hídrica (incluindo projetos como a barragem do Rio Pardo, mencionada pelo inspetor-chefe do CREA-BA, Raoni Correia) e políticas ambientais integradas.
- Planejamento urbano coordenado: Um Plano Diretor Metropolitano permitiria melhor ocupação do solo, evitando crescimento desordenado e favelização, além de orientar a criação de distritos industriais e polos tecnológicos de forma estratégica.
- Segurança pública integrada: Como destacado durante a audiência pública, a criação de políticas de segurança unificadas fortaleceria a atuação das forças policiais em toda a região, combatendo mais eficientemente o crime organizado que se aproveita da fragmentação atual.
- Sistema de transporte intermunicipal eficiente: A mobilidade urbana e regional seria beneficiada com tarifas mais acessíveis e maior eficiência no deslocamento da população entre os municípios da região.
Impacto Econômico e Social
A formalização da Região Metropolitana também seria um catalisador para o desenvolvimento econômico:
- Atração de empresas e indústrias: Como ressaltado pela representante da FIEB, Antônia Bezerra, a integração metropolitana fortaleceria o ambiente de negócios, tornando a região mais atrativa para investimentos de grande porte.
- Geração de empregos: A criação de polos industriais e tecnológicos beneficiaria não apenas Vitória da Conquista, mas todos os municípios participantes, gerando oportunidades de trabalho em toda a região.
- Prevenção de impactos negativos da reforma tributária: Como apontado pelo prefeito eleito de Condeúba, Micael Batista, a região metropolitana poderia ajudar a enfrentar os impactos da reforma tributária no setor de serviços, que representa 78% da economia regional.
Uma Iniciativa com Amplo Apoio
A iniciativa do vereador Ivan Cordeiro (PL) para discutir a criação da Região Metropolitana do Sudoeste da Bahia já conta com o apoio de múltiplos atores políticos e sociais. A proposta envolveria 34 municípios, representando mais de 1 milhão de habitantes, conforme destacado na audiência pública.
O deputado estadual Vitor Viana Paranhos já elaborou uma minuta de projeto de lei complementar para ser apresentada na Assembleia Legislativa, seguindo o Estatuto da Metrópole (Lei 13.089/2015), que estabelece diretrizes para o planejamento e gestão de regiões metropolitanas.
A Visão de Desenvolvimento Integrado
Como bem destacou a prefeita Sheila Lemos, “Vitória da Conquista cresce muito, mas não cresce sozinha. Precisamos que as cidades ao redor cresçam também”. Este pensamento resume o espírito da proposta: um desenvolvimento regional integrado, onde cada cidade contribui com sua vocação econômica particular para o fortalecimento do conjunto.
O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Belo Campo, José Henrique “Quinho”, reforçou esta visão ao destacar que “a criação da Região Metropolitana é um sonho que se torna realidade graças ao trabalho conjunto de todos nós”.
Conclusão
A criação da Região Metropolitana de Vitória da Conquista não é um projeto isolado, mas um passo fundamental para o desenvolvimento sustentável do Sudoeste Baiano. Como apontou o professor da UESB, Mateus Silveira Lima, trata-se de um “projeto que promete transformar a região em um polo de desenvolvimento ainda mais forte e dinâmico”.
É hora de formalizar uma realidade que já existe na prática, permitindo planejamento integrado, economia de recursos e potencialização do desenvolvimento regional. A Região Metropolitana de Vitória da Conquista representaria o reconhecimento de uma integração natural que, se bem estruturada e gerida, pode elevar significativamente a qualidade de vida de toda a população do Sudoeste da Bahia.
O momento exige que as diferenças partidárias sejam colocadas de lado em favor de um objetivo comum: o progresso sustentável de uma região com imenso potencial, mas que necessita de estruturação adequada para consolidar-se como um polo de desenvolvimento de importância estadual e nacional.