Política e Resenha

A Sombra Longa do Poder: Por que Políticos se Apegam Tanto aos Mandatos?

 

 

A cena política brasileira, e de muitos outros países, é frequentemente marcada por figuras que parecem indissociáveis de seus cargos. Políticos que, década após década, renovam seus mandatos, entrincheirando-se em estruturas de poder que parecem moldadas sob medida para sua permanência. A questão que se impõe é: o que motiva essa busca incessante pela continuidade?

É ingênuo reduzir a questão a uma simples sede por poder, embora essa seja, inegavelmente, uma peça central do quebra-cabeça. Para muitos, a política se torna uma profissão, um modo de vida que oferece não apenas estabilidade financeira, mas também um senso de propósito e relevância. A vida pública, com seus holofotes e tomadas de decisão, pode se tornar viciante, criando uma dependência da adrenalina e da sensação de influência.

No entanto, a questão vai além da mera satisfação pessoal. Para alguns, o mandato se transforma em um verdadeiro império, uma empresa familiar que garante o sustento de diversas pessoas e perpetua um legado. A máquina política, com seus cabos eleitorais, assessores e financiadores, se torna um organismo complexo e interdependente, no qual a manutenção do poder é essencial para a sobrevivência de todos.

A prática de formar consórcios com outros políticos, como deputados estaduais e federais, é outra estratégia comum para fortalecer a máquina e ampliar a influência. Essa teia de alianças e favores garante a blindagem e a perpetuação do grupo no poder, dificultando a renovação e a ascensão de novas lideranças.

Mas e quando a idade avança? Quando os setenta anos se aproximam, ou mesmo já foram ultrapassados, não seria hora de repensar as prioridades? A vida é finita, e a energia e a disposição para enfrentar a rotina frenética da política inevitavelmente diminuem com o tempo. A equação entre custo e benefício se torna mais complexa, e a pergunta sobre o que realmente importa na vida se torna mais urgente.

Para alguns, a resposta pode ser a família, os amigos, os hobbies e paixões que foram deixados de lado em nome da carreira política. Para outros, a sensação de dever cumprido e a crença de que ainda têm algo a oferecer à sociedade podem pesar mais na balança.

Não há respostas fáceis ou universais. Cada indivíduo tem sua própria trajetória, seus próprios valores e suas próprias motivações. No entanto, é fundamental que os políticos, em especial aqueles que já trilharam longas jornadas, reflitam sobre o legado que desejam deixar e sobre o impacto de suas escolhas em suas vidas e na vida daqueles que os cercam.

A política é uma ferramenta poderosa para transformar a realidade, mas não pode ser um fim em si mesma. A busca pelo poder não pode obscurecer o propósito maior de servir ao bem comum e de construir um futuro melhor para todos. E, acima de tudo, é preciso lembrar que a vida é um presente precioso e que o tempo é um recurso limitado.