A dura goleada sofrida contra a Argentina por 4 a 1 expôs, mais uma vez, a fragilidade da Seleção Brasileira. A atuação desastrosa evidenciou um time sem padrão tático, sem identidade e, sobretudo, sem comando. Dorival Júnior, que já não era unanimidade entre os torcedores, agora vê sua permanência no cargo ameaçada por uma pressão crescente.
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, que acaba de ser reeleito para mais um mandato até 2030, tem nas mãos um dilema que pode definir o futuro da Seleção na próxima Copa do Mundo. Sua relutância em se pronunciar após a derrota reforça a incerteza sobre o destino de Dorival, cujo trabalho nunca pareceu plenamente respaldado pela entidade.
O problema vai além do técnico
É inegável que Dorival Júnior tem responsabilidade pelos maus resultados, mas reduzi-los apenas ao treinador seria um erro simplista. O futebol brasileiro vive uma crise profunda, reflexo de uma estrutura ultrapassada e de uma administração que, ao longo dos anos, se especializou em decisões erráticas.
Desde a saída de Tite, a CBF demonstrou falta de planejamento ao apostar em Fernando Diniz como interino, esperando por um Carlo Ancelotti que nunca veio. Agora, com a iminente demissão de Dorival, os mesmos nomes voltam a ser cogitados: Jorge Jesus, Abel Ferreira, Guardiola, Mourinho, Zidane… Mas, afinal, o problema da Seleção se resolve apenas com um nome estrangeiro?
O dilema do novo técnico
Os torcedores clamam por um treinador capaz de resgatar a identidade da Seleção, algo que Tite, a despeito de suas limitações, ainda conseguia manter. Mas o grande desafio é que o futebol brasileiro perdeu referências táticas. Nossos jogadores brilham na Europa, mas a Seleção, ironicamente, joga um futebol burocrático e previsível.
A CBF flerta com grandes treinadores internacionais, mas será que algum deles teria tempo e liberdade para reconstruir um projeto sólido? Abel Ferreira e Jorge Jesus já provaram sua competência no Brasil, mas aceitariam o desafio de comandar uma Seleção sem estrutura adequada e sob intensa cobrança?
Pep Guardiola, nome dos sonhos de muitos torcedores, dificilmente abriria mão do Manchester City para embarcar no caos da CBF. Carlo Ancelotti, que já rejeitou a Seleção uma vez, não parece disposto a mudar de ideia. José Mourinho e Zidane são nomes que soam bem, mas não passam de especulação.
Uma Seleção sem identidade
O que se viu no Monumental de Núñez não foi apenas um time mal treinado, mas um elenco desmotivado, perdido em campo e sem reação. A verdade é que a Seleção Brasileira perdeu sua essência. Deixamos de ser um time que impõe respeito para nos tornarmos meros coadjuvantes nas Eliminatórias.
O problema da Seleção não é apenas o nome do treinador, mas a ausência de um projeto real de futebol. A CBF precisa decidir se quer construir um futuro ou continuar refém de apostas apressadas e promessas vazias.
A torcida brasileira, cansada de vexames, exige respostas. A permanência de Dorival Júnior parece insustentável, mas será que a mudança virá com um simples nome no comando, ou será necessário um choque de realidade na gestão do futebol nacional?
A Seleção Brasileira agoniza. O tempo para reagir está se esgotando.