Na semana passada, um fato de extrema gravidade veio à tona em Vitória da Conquista, revelado pelo vereador Ricardo Santos Costa, conhecido como Ricardo Gordo, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), durante sua participação em um programa de rádio local. O relato de Gordo expôs um confronto preocupante com um colega do Partido dos Trabalhadores (PT), cujo nome não foi divulgado, mas cuja postura levanta sérias questões sobre as prioridades políticas em nossa cidade. O embate gira em torno de uma proposta que poderia transformar o futuro da “Joia do Sertão Baiano”: a integração da área do extinto Aeroporto Pedro Otácilio Figueiredo ao município, por meio de um possível encontro entre a prefeita Ana Sheila Lemos Andrade, do União Brasil, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto Gordo defende a iniciativa como uma oportunidade de desenvolvimento, o petista se opõe, alegando que a área não deveria ser entregue à Prefeitura. Diante dessa resistência, Gordo lançou uma pergunta cortante: “Quem você tá pensando? A Prefeitura? Ou você tá pensando na Cidade?” É uma questão que merece reflexão profunda.
O Contexto da Proposta e a Oposição
Ricardo Gordo foi claro em sua argumentação: a integração da área do antigo aeroporto ao município é uma chance de trazer benefícios concretos para Vitória da Conquista. “Se a prefeita trabalhar certinho, levar a equipe dela pra conversar com o Lula em Brasília, via Governo do Estado, a gente consegue trazer essa área do antigo Aeroporto para o Município”, afirmou ele no programa. A lógica é simples: uma área atualmente sem uso poderia ser revitalizada, abrindo portas para o desenvolvimento urbano, econômico e social. Empregos poderiam ser criados, a infraestrutura poderia ser ampliada e a qualidade de vida dos moradores, elevada. Para Gordo, o caminho passa por um diálogo entre a prefeita e o presidente, com o suporte do Governo do Estado, uma articulação que demonstra visão e pragmatismo.
No entanto, o vereador petista – cuja identidade permanece, por ora, um mistério – discordou frontalmente da ideia. Segundo ele, a área não deveria ser entregue à Prefeitura. Os motivos dessa oposição não foram detalhados, mas é impossível não especular. Estaria o petista preocupado com a possibilidade de a gestão de Sheila, adversária política do PT, capitalizar politicamente esse ganho? Ou haveria um receio genuíno de que a administração municipal não gerisse o espaço de forma adequada? Seja qual for a justificativa, a recusa em apoiar uma iniciativa que poderia beneficiar a cidade inteira soa, no mínimo, questionável. A pergunta de Gordo ressoa como um alerta: o que está em jogo aqui é o interesse público ou uma mera disputa partidária?
A Aversão à Gestão de Sheila e o Preço Pago pela Cidade
A oposição do petista não parece ser um caso isolado, mas sim parte de um padrão de aversão à administração da prefeita Sheila Lemos Andrade. Desde que assumiu o cargo, Sheila tem enfrentado resistências de setores ligados ao PT, que parecem determinados a dificultar sua gestão a todo custo. Um exemplo claro disso é a ausência de emendas parlamentares destinadas ao município por meio da Prefeitura. Até mesmo praças públicas, que poderiam ser construídas com recursos municipais, estão sendo financiadas diretamente pelo estado, contornando a administração local. Essa estratégia levanta suspeitas: estaria o PT mais interessado em minar a prefeita do que em contribuir para o bem-estar dos cidadãos?
Essa aversão se torna ainda mais evidente na recusa em apoiar o encontro entre Sheila e Lula. Torcer contra essa articulação é, na prática, torcer contra Vitória da Conquista. Um entendimento entre a prefeita e o presidente poderia destravar não apenas a integração da área do aeroporto, mas também abrir canais* outras oportunidades de cooperação entre os governos municipal, estadual e federal. Por que, então, essa resistência? Se o petista acredita que a área do aeroporto não deve ser entregue à Prefeitura, que apresente argumentos sólidos e proponha alternativas. Até agora, o silêncio sobre suas razões só reforça a impressão de que a oposição é mais política do que prática.
A Necessidade de Transparência
Diante de um posicionamento tão controverso, seria de extremo valor que Ricardo Gordo revelasse o nome do vereador petista em questão. A população de Vitória da Conquista tem o direito de saber quem é o responsável por essa postura que, à primeira vista, parece priorizar interesses partidários em detrimento do progresso da cidade. Em uma democracia, a transparência é essencial. Se o petista tem justificativas legítimas para sua oposição, que venha a público explicá-las. Caso contrário, sua relutância em apoiar uma iniciativa potencialmente benéfica só alimenta a percepção de que ele está, de fato, “torcendo contra a cidade”, como sugere Gordo.
O Papel de Lula e o Futuro de Vitória da Conquista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como líder máximo do PT, também tem um papel crucial nesse cenário. Sua decisão de se encontrar – ou não – com a prefeita Sheila pode definir o desfecho dessa questão. Caso opte por dialogar e apoiar a integração da área do aeroporto, Lula demonstraria um compromisso com o desenvolvimento regional que transcende as divisões partidárias, fortalecendo sua imagem como um estadista. Por outro lado, se ceder às pressões internas de seu partido e recusar a articulação, corre o risco de ser visto como conivente com uma política mesquinha que prejudica os cidadãos em nome de rivalidades locais.
O impacto dessa decisão para Vitória da Conquista não pode ser subestimado. A integração da área do aeroporto poderia ser um marco para a cidade, trazendo investimentos, empregos e melhorias estruturais. Mas, para que isso aconteça, é preciso que os líderes locais deixem de lado as picuinhas e foquem no que realmente importa: o futuro da “Joia do Sertão Baiano”.
Conclusão: A Cidade Acima de Tudo
O confronto revelado por Ricardo Gordo é mais do que uma briga entre vereadores; é um sintoma de um problema maior na política brasileira. Quando as disputas partidárias se sobrepõem ao interesse público, quem perde é a população. Em Vitória da Conquista, essa lógica está custando caro, bloqueando oportunidades que poderiam impulsionar o desenvolvimento local. É inadmissível que uma iniciativa com potencial transformador seja barrada por uma oposição que, até agora, não apresentou justificativas convincentes.
A pergunta de Gordo – “Em quem você tá pensando?” – deveria ecoar na mente de todos os políticos da cidade. A resposta deve ser inequívoca: na cidade. Torcer contra um entendimento entre a prefeita e o presidente é torcer contra o progresso de Vitória da Conquista. Que esse episódio sirva de lição e de cobrança: a política deve ser um instrumento para construir, não para destruir. E que o vereador petista, seja ele quem for, venha a público explicar suas razões – ou assuma o peso de suas escolhas perante os cidadãos que o elegeram.