Política e Resenha

Avenida Presidente Vargas: A contradição de Quem Diz Defender os Trabalhadores (Padre Carlos)

 

 

 

A duplicação da Avenida Presidente Vargas, em Vitória da Conquista, tinha tudo para ser uma conquista da população, mas se tornou um retrato gritante do descaso das autoridades que, ironicamente, dizem representar a classe trabalhadora. O atraso prolongado das obras gerou transtornos diários para moradores e motoristas, mas o impacto mais trágico se revela na morte do operário Gildevan Lemos de Oliveira — um trabalhador que perdeu a vida em meio à desorganização e à falta de fiscalização.

Não se trata apenas de um problema técnico ou logístico, mas de um exemplo cruel de como a falta de planejamento governamental e a omissão de parlamentares e do governo do estado podem resultar em acidentes fatais. Onde estão as medidas efetivas de proteção aos trabalhadores? Onde estão as vistorias que poderiam ter evitado mais uma perda irreparável?

Quando representantes públicos prometem defender a classe trabalhadora, mas fecham os olhos para as condições precárias de segurança, eles se tornam cúmplices de tragédias como a de Gildevan. As empresas envolvidas também não podem se isentar de culpa: a responsabilidade de garantir condições mínimas de trabalho e segurança é um dever básico de qualquer empreendimento.

A indignação popular cresce a cada dia, pois quem vive em Vitória da Conquista assiste, impotente, às promessas feitas por políticos em época de eleição seja nas barragens ou nas duplições de avenidas. É hora de exigir transparência total sobre os contratos, prazos e orçamentos dessa obra. A morte de um trabalhador não pode ser tratada como uma estatística descartável. Se parlamentares e governo do estado realmente se importam com a classe que dizem defender, que provem com ações concretas: investigações rigorosas, punições exemplares e, sobretudo, a garantia de que nenhum outro trabalhador pague com a vida pela negligência dos poderosos.

Que esse clamor por justiça se traduza em pressão popular, unindo moradores, motoristas e todos os que enxergam na duplicação da Avenida Presidente Vargas não apenas uma obra inacabada, mas um reflexo da hipocrisia e do descaso que permeiam nossa política.