Enquanto discursos se perdem em retórica, o povo brasileiro sente o peso de um sistema que, dia após dia, permite que intermediários lucrem às custas de nosso suor. Em meio ao aumento absurdo dos preços dos combustíveis, o presidente Lula já não pode se limitar a palavras – é hora de colocar toda a estrutura do governo em ação para reverter essa situação.
O Assalto às Nossas Bolsas
Durante um evento da Transpetro, Lula não poupou críticas ao sistema que, segundo ele, “assalta” os brasileiros por meio de intermediários na venda de combustíveis. Ele expôs a cruel disparidade entre os preços praticados pelas refinarias da Petrobras e os valores cobrados nas bombas: enquanto o diesel é vendido a R$ 3,77 pela estatal e chega a R$ 6,20 na bomba, a gasolina sai a R$ 3,09 e é repassada a R$ 6,49. Essa diferença absurda não é fruto de uma simples variação de mercado, mas do efeito de uma cadeia que engorda intermediários e obscurece a real formação dos preços.
A Responsabilidade do Governo
O que se vê é uma clara demonstração de que discursos por si só não resolvem o problema. Lula, ao afirmar que “é importante informar ao povo quem é o responsável disso, para xingar o filho da mãe quando aumenta o preço”, lembra-nos que, se os brasileiros estão sendo roubados, quem tem a obrigação de agir é o governo legitimamente eleito. Esquecer que é ele o presidente – o líder com o poder de transformar a realidade – é um descaso que custa caro ao cidadão comum.
Não se trata de meros ajustes técnicos; é preciso um reposicionamento estratégico. A Petrobras, por exemplo, deve repensar seu modelo de vendas e assumir o compromisso de comercializar diretamente para os grandes consumidores, eliminando a margem de lucro dos intermediários que, injustamente, estão lucrando às custas de nossa economia.
Contra as Privatizações e a Desinformação
Além do clamor por transparência na formação dos preços, Lula também lançou críticas contundentes às privatizações de estatais estratégicas, como a Eletrobras e a Vale, bem como à venda de ativos da própria Petrobras. A narrativa de que o Estado seria ineficaz tem sido utilizada para justificar a entrega de bens públicos ao setor privado – uma prática que, em última análise, contribui para a desarticulação dos interesses nacionais e enfraquece a soberania do nosso país.
Em vez de abrir espaço para a especulação e para a concentração de poder econômico, o governo deve assumir seu papel fiscalizador e garantidor do bem-estar da população. É necessário não só identificar os responsáveis por esse “assalto” aos brasileiros, mas também implementar medidas robustas que garantam preços justos e competitivos no setor de combustíveis.
Por Uma Ação Decisiva e Transformadora
A hora dos discursos passou. Se o presidente Lula esquece, ou pior, ignora que sua responsabilidade é zelar pelos interesses do povo, estaremos abrindo espaço para que a ganância dos intermediários continue a corroer o poder de compra dos brasileiros. Não adianta prometer mudança se a estrutura do governo não é mobilizada para efetivar ações concretas.
É imprescindível que o governo:
- Implemente medidas de transparência: Divulgar detalhadamente a composição dos preços dos combustíveis, permitindo que a sociedade fiscalize cada etapa.
- Reestruture a comercialização: Revisar o modelo de venda da Petrobras para reduzir intermediários e garantir que o preço final seja compatível com o valor de produção.
- Reforce o controle estatal: Combater a lógica das privatizações que favorecem interesses particulares em detrimento do interesse coletivo.
Conclusão
Lula precisa lembrar – e mostrar – que ser presidente é, antes de tudo, ter a coragem de agir. Se os brasileiros estão sendo assaltados pela cadeia que ele mesmo tem o poder de reconfigurar, é hora de transformar discurso em ação. O Brasil clama por um governo que não se contente com promessas vazias, mas que use toda a sua estrutura para proteger a economia e a dignidade do cidadão. O desafio é grande, mas o povo merece uma resposta à altura de sua confiança e de sua esperança.