A notícia que ecoa pelos corredores do futebol brasileiro nesta sexta-feira (28) soa como um trovão em céu relativamente sereno: Dorival Júnior não é mais o técnico da Seleção Brasileira. A decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a ser oficializada após o encontro com o presidente Ednaldo Rodrigues, escancara mais uma vez a instabilidade e, sejamos francos, a falta de planejamento que assola o comando técnico da nossa Canarinho.
É preciso questionar: qual a lógica por trás dessa decisão intempestiva? Dorival Júnior assumiu a seleção em um momento delicado, com a missão de resgatar o futebol vistoso e os resultados positivos que tanto nos acostumamos a celebrar. Embora o tempo de trabalho tenha sido curto, era visível um esboço de organização tática e uma tentativa de dar um novo ânimo ao grupo de jogadores.
É verdade que os resultados recentes podem não ter sido os ideais, mas em um cenário de reformulação e com a pressão inerente ao cargo, a paciência e a continuidade deveriam ser palavras de ordem. Demitir um treinador após poucos meses de trabalho, sem lhe dar tempo hábil para implementar sua filosofia e consolidar uma equipe, demonstra uma impulsividade perigosa e uma miopia estratégica por parte da CBF.
Essa dança das cadeiras no comando da seleção brasileira se tornou uma triste rotina. A cada tropeço, a guilhotina parece ser a solução mais fácil, ignorando o fato de que a construção de um time competitivo e coeso exige tempo, confiança e, acima de tudo, um projeto de longo prazo. A constante troca de técnicos impede a criação de uma identidade para a seleção, deixando os jogadores em um limbo de incertezas e dificultando a formação de um espírito de equipe sólido.
A demissão de Dorival Júnior levanta ainda mais questionamentos sobre os critérios e a visão da atual gestão da CBF para o futuro do futebol brasileiro. Qual o próximo nome? Qual o projeto a ser implementado? A falta de clareza e a sucessão de decisões aparentemente aleatórias minam a credibilidade da entidade e geram apreensão nos torcedores, ávidos por ver a nossa seleção voltar a brilhar nos gramados.
Em um ano que antecede a Copa do Mundo, essa instabilidade no comando técnico é ainda mais preocupante. A busca por um novo treinador, a adaptação dos jogadores a uma nova filosofia de trabalho e a pressão por resultados imediatos criam um cenário de incerteza que pode comprometer as chances do Brasil no maior palco do futebol mundial.
A história nos mostra que a paciência e a continuidade são ingredientes fundamentais para o sucesso no futebol. A CBF, ao optar pela demissão de Dorival Júnior, parece ignorar essa lição, preferindo o caminho da instabilidade e da troca constante. Resta aos torcedores brasileiros lamentar mais essa decisão equivocada e torcer para que, em meio a essa inexplicável dança das cadeiras, a nossa seleção encontre, enfim, um rumo seguro e promissor. O futebol brasileiro merece mais planejamento, mais paciência e, acima de tudo, mais respeito.