A história política de Vitória da Conquista nas últimas décadas é indissociável do Partido dos Trabalhadores (PT), uma força que, sob a liderança de Dr. Guilherme Menezes, transformou a cidade em um exemplo de desenvolvimento e progresso no interior da Bahia. Como testemunha ocular desses acontecimentos, posso afirmar que o PT, durante os anos em que Menezes esteve à frente, foi o motor que impulsionou a cidade por duas décadas. No entanto, com a ascensão de um novo grupo ao comando do partido, o que se viu foi uma decadência acentuada e uma perda de influência que abalou suas estruturas. Hoje, os esforços para revitalizar o PT local parecem tentar consertar o que quebrou, mas, como um cristal estilhaçado, a recuperação plena parece uma utopia distante.
O Legado de Dr. Guilherme Menezes: Uma Era de Ouro
Dr. Guilherme Menezes não foi apenas um líder político; ele foi a alma do PT em Vitória da Conquista. Durante seus anos como a grande liderança do partido e prefeito, o PT alcançou uma visibilidade ímpar, consolidando-se como uma força dominante na política local. Sob seu comando, a cidade viveu um período de transformações: estradas foram pavimentadas, escolas construídas e o acesso à saúde ampliado. Esses avanços não eram apenas promessas de campanha, mas resultados concretos de uma gestão que entendia as necessidades do povo conquistense.
Menezes tinha um dom raro: a capacidade de unir a base do partido, de cuidar e não deixar ninguem prá trás, como um código de honra, além de dialogar com a população. Sua liderança carismática e estratégica fez do PT sinônimo de progresso, garantindo vitórias eleitorais sucessivas e um domínio político que parecia inabalável. Por duas décadas, o partido foi o principal responsável pelo desenvolvimento de Vitória da Conquista, tornando-se referência até mesmo para outras cidades da Bahia. O PT de Menezes era coeso, propositivo e, acima de tudo, conectado com as aspirações da comunidade.
A Decadência: O Vácuo de Liderança e a Desunião
Tudo mudou quando Dr. Guilherme Menezes deixou a liderança do partido. A transição para um novo grupo de comando, que prometia dar continuidade ao legado, revelou-se um divisor de águas — mas não no sentido positivo. O que se seguiu foi um período de turbulência interna, marcado por um domínio de um grupo sobre a estrutura do estado e do poder e uma notável falta de visão de conjunto. Onde antes havia unidade, instalou-se o faccionalismo; onde havia visão, surgiu a incerteza e o abandono.
Como alguém que acompanhou esses eventos de perto, vi o PT perder o rumo. As eleições seguintes refletiram essa desorientação: o desempenho do partido despencou, e a influência que outrora dominava a política local começou a se dissipar. O novo grupo, desprovido da habilidade de Menezes para articular e inspirar, não conseguiu manter a confiança da população nem a coesão interna. O resultado foi uma Vitória da Conquista que, sob outras gestões municipais, viu a influencia do partido desacelerar, enquanto o PT, outrora protagonista, tornava-se coadjuvante.
A Tentativa de Ressurgimento: O PED de 2025
Hoje, o PT tenta reacender sua chama em Vitória da Conquista. O Processo de Eleições Diretas (PED), marcado para 6 de junho de 2025, é apontado como um momento de renovação. O partido mobiliza figuras que tiveram influencia neste período, para fortalecer suas bases municipais e preparar o terreno para as eleições de 2026. Em Vitória da Conquista, o trabalho de renovação de lideranças não se dá apenas com nomes, mas com estruturas novas, líderanças antigas precisam dá lugar a um verdadeira renovação, se manter a estrutura e as lideranças sem que haja uma renovação de fato a estratégia de reconquista será ilusória.
O plano precisa ser ousado: mudar dirigentes municipais e estaduais, reestruturar o partido e recuperar o prestigio e a confiança do povo. Sem estes ajustes na máquina, fica difícil para Jerônimo Rodrigues, que busca a reeleição como governador e vê em Vitória da Conquista um campo de batalha crucial. Mas, apesar do otimismo oficial, paira a dúvida: será isso suficiente para reverter anos de desgaste?
Um Cristal Estilhaçado: O Limite da Reparação
A metáfora do cristal estilhaçado, que mencionei ao observar essa trajetória, resume bem o desafio do PT. Um cristal quebrado pode ser colado, mas suas rachaduras permanecem visíveis, comprometendo sua integridade original. Da mesma forma, o PT em Vitória da Conquista carrega as cicatrizes de sua desunião, dos companheiros que foram deixados pra trás, da perda de credibilidade e da ascensão de adversários que souberam ocupar muito bem diga-se de passagem, o espaço deixado. Não adianta apenas tentar consertar o que quebrou; o dano parece, em muitos aspectos, irreversível.
Os esforços atuais, embora louváveis, enfrentam obstáculos formidáveis. A confiança da população, abalada por anos de instabilidade, não se reconstrói da noite para o dia. A memória do sucesso de Menezes é ao mesmo tempo um trunfo e um fardo: ela inspira, mas também evidencia o contraste com o presente. O PED de 2025 pode trazer novos líderes e alguma revitalização, mas dificilmente devolverá ao PT o brilho de outrora enquanto não renovar verdadeiramente o partido.
Conclusão: Entre a Nostalgia e a Realidade
A história do PT em Vitória da Conquista é um relato de glória e queda, de liderança visionária e fragilidade sucessória. Dr. Guilherme Menezes construiu um legado que ainda ecoa, mas a incapacidade de seus sucessores de preservá-lo levou o partido a um estado de decadência que hoje tenta superar. Como testemunha desses tempos, vejo com ceticismo as tentativas de reparação. O cristal está estilhaçado, e embora seus pedaços possam ser rearranjados, o PT local talvez nunca mais volte a ser o que foi. Resta ao partido encontrar um novo caminho — não para recriar o passado, mas para construir um futuro possível, ainda que imperfeito.