Política e Resenha

O Jogo Democrático e a Criança que não Sabe Perder

 

 

Quando eu era menino, havia sempre aquele garoto que, ao perder uma partida de futebol, pegava a bola debaixo do braço e ia embora, deixando todos sem jogo. Era a forma mais rasteira de negar a derrota: transformar o campo em um palco de birra, desrespeitando as regras e a vontade dos outros. Hoje, em Vitória da Conquista, não é diferente. A oposição, derrotada nas urnas de forma acachapante pela prefeita Sheila Lemos (UB), insiste em reproduzir a atitude infantil de quem não aceita perder. E, em vez de bola, carregam consigo processos, embargos e manobras jurídicas para tentar invalidar a escolha do eleitor.

A prefeita conquistou sua reeleição em primeiro turno com uma diferença expressiva de votos, um claro recado do eleitorado. No entanto, desde então, a Federação Brasil da Esperança (FBE), coligação liderada pelo PT, PCdoB e PV, encabeçada pelo candidato derrotado Waldenor Pereira, se agarra a recursos e questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como último suspiro de uma campanha que já terminou. Não se trata mais de defender princípios ou apelar à justiça eleitoral por supostas irregularidades, mas de prolongar um embate que as urnas já resolveram.

Na terça-feira (18), o TSE iniciou o julgamento do recurso contra a elegibilidade de Sheila Lemos, após decisão monocrática do ministro relator André Ramos Tavares, que validou sua candidatura. O processo foi adiado para quinta-feira (20), mas o cenário é claro: a oposição busca, a todo custo, reabrir uma porta que o eleitorado fechou com chave. O argumento jurídico, por mais técnico que pareça, esconde uma estratégia política desesperada: se não conseguem vencer no voto, tentam vencer no tapetão.

É importante destacar que o sistema eleitoral brasileiro é robusto. As regras são claras, e os candidatos passam por rigorosas etapas de fiscalização antes mesmo das eleições. A tentativa de deslegitimar a vitória de Sheila Lemos, após meses de campanha e um resultado inequívoco, não apenas desrespeita os eleitores que a escolheram, mas também mina a credibilidade das instituições. Quando se perde, o caminho democrático é reconhecer o veredito das urnas, trabalhar como oposição construtiva e se preparar para o próximo ciclo eleitoral. Não é recolher a bola e ir para casa.

A postura da FBE evidencia uma crise de maturidade política. Em vez de aceitar a derrota com dignidade e se reinventar, prefere gastar energia em batalhas jurídicas que, mesmo que vitoriosas, não apagarão o fato de que a população optou por um projeto diferente. O eleitor que votou em Sheila Lemos precisa entender que, por trás dos embargos, há mais do que uma disputa legal: há uma tentativa de silenciar sua voz.

A expectativa é que o TSE, na próxima quinta-feira, encerre de vez essa novela. A consolidação da reeleição de Sheila Lemos não será apenas uma vitória da gestora, mas um reforço à democracia. Afinal, em um país onde a polarização muitas vezes tenta substituir a razão pelo ressentimento, é fundamental lembrar que eleições têm consequências — e que aceitá-las é o primeiro passo para construir um futuro que inclua a todos, inclusive àqueles que, por enquanto, seguem chorando o jogo perdido.

Enquanto isso, cabe à oposição decidir: continuará sendo a criança que paralisa o jogo ou amadurecerá para disputar, na próxima partida, com propostas e respeito às regras? O eleitor, certamente, já fez sua escolha.