Política e Resenha

O Valor de Preservar: Uma Lição do Passado para o Futuro

 

 

 

 

Na tarde de 31 de março de 2025, um gesto simples, mas carregado de significado, ecoou pelas ruas de Vitória da Conquista. Ivan Cordeiro, presidente da Câmara de Vereadores, acompanhado de Fábio Sena, diretor de comunicação, protocolou na Secretaria Municipal de Cultura um pedido de tombamento do prédio histórico localizado na Rua Zeferino Correia, antiga Rua Grande. Entregue ao conselheiro de cultura Marley Vital, o documento busca proteger uma construção erguida em 1910 pelo mestre de obras Luiz Alexandrino de Melo, conhecido como Luiz Pedreiro. Este edifício, que já foi residência, hotel, fórum e tribunal do trabalho, antes de ser adquirido pela prefeitura na década de 1960 e restaurado para abrigar a Câmara e o Memorial Manoel Fernandes de Oliveira, é mais do que tijolos e argamassa: é um símbolo vivo da identidade de uma cidade e de seu povo.

Mas por que esse ato importa? E o que ele pode nos ensinar sobre nós mesmos? Em um mundo acelerado, onde o novo muitas vezes ofusca o velho, a iniciativa de preservar esse prédio histórico nos convida a uma pausa — um momento para olhar para trás, refletir e, sobretudo, encontrar inspiração para seguir em frente.

Uma Janela para o Passado

Imagine por um instante o ano de 1910. Vitória da Conquista era uma cidade em formação, e Luiz Pedreiro, com suas mãos habilidosas, erguia um edifício que testemunharia mais de um século de transformações. De residência a hotel, de fórum a tribunal, o prédio na Rua Zeferino Correia acompanhou a evolução social e econômica da região. Quando a prefeitura o adquiriu na década de 1960, ele ganhou nova vida, tornando-se sede da Câmara de Vereadores e abrigando o Memorial Manoel Fernandes de Oliveira, um espaço que guarda fotografias, vídeos e documentos — um verdadeiro portal para a história local.

Preservar essa construção é mais do que um ato burocrático de tombamento. É um compromisso com a memória coletiva, uma ponte que conecta as gerações atuais às que vieram antes. É o reconhecimento de que nossa identidade como comunidade não nasce do vazio, mas das histórias que nos precedem. Cada parede daquele prédio sussurra sobre o passado, e protegê-lo é garantir que essas vozes continuem a ser ouvidas.

O Espelho da Nossa Própria História

A beleza desse movimento em Vitória da Conquista vai além da preservação física. Ele nos provoca uma reflexão mais profunda: se valorizamos tanto a história de um prédio, por que não fazemos o mesmo com nossas próprias histórias? Assim como o edifício guarda memórias da cidade, cada um de nós carrega uma narrativa única — um mosaico de alegrias, desafios, conquistas e lições. No entanto, quantas vezes deixamos essas memórias escaparem, perdidas no ritmo frenético do dia a dia?

Preservar nossa história pessoal não exige um pedido formal ou uma placa de tombamento. Pode ser tão simples quanto pegar uma caneta e escrever um diário, tirar uma foto e legendar um momento especial, ou gravar a voz de um avô contando suas aventuras de juventude. Esses pequenos atos são como restaurar as paredes de nossa própria existência, dando nova vida ao que já vivemos.

E por que isso importa? Porque revisitar nosso passado nos ajuda a entender quem somos hoje. Em dias de dúvida, quando o caminho à frente parece incerto, nossas histórias pessoais podem ser uma bússola. Elas nos lembram da força que já tivemos para superar obstáculos, da coragem que encontramos em momentos difíceis, e das vitórias que, por menores que fossem, nos trouxeram até aqui. Preservar essas memórias é um ato de autocompaixão e, ao mesmo tempo, de motivação.

Um Convite à Ação

O pedido de tombamento em Vitória da Conquista nos oferece uma lição prática e inspiradora. Assim como Ivan Cordeiro e Fábio Sena tomaram a iniciativa de proteger o prédio histórico, nós também podemos tomar as rédeas de nossas próprias narrativas. Aqui estão algumas ideias simples para começar:

  • Escreva um diário: Dedique cinco minutos por dia para anotar um pensamento, um sentimento ou um evento. Com o tempo, você terá um registro vivo do seu crescimento.
  • Fotografe com intenção: Tire fotos de momentos significativos e organize-as com legendas. Elas serão um lembrete visual de sua jornada.
  • Grave histórias: Converse com familiares ou amigos mais velhos e grave suas lembranças. Essas vozes são parte de quem você é.
  • Guarde cartas ou mensagens: Aquela mensagem especial de um amigo ou uma carta antiga podem ser tesouros no futuro.

Esses gestos não apenas preservam o passado, mas também nos preparam para o futuro. Eles nos ensinam resiliência, nos conectam às nossas raízes e nos motivam a continuar escrevendo nossa história com ousadia e propósito.

Um Legado para o Amanhã

O prédio na Rua Zeferino Correia, se tombado, não será apenas um marco para os moradores de Vitória da Conquista — será um presente para as gerações futuras, uma forma de dizer: “Nós estivemos aqui, e isso foi o que construímos”. Da mesma maneira, ao preservarmos nossas histórias pessoais, deixamos um legado para nossos filhos, netos ou mesmo para nós mesmos em anos vindouros. É uma herança de sabedoria, emoção e autenticidade.

Que o exemplo desse pedido de tombamento nos inspire a olhar com carinho para o que foi e a agir com determinação no que será. Que possamos proteger os edifícios de nossa cidade e as memórias de nossa alma com o mesmo zelo. Porque, no fim das contas, preservar é um ato de amor — por nossa história, por nossa comunidade e por nós mesmos.