Política e Resenha

Quem são os 34 denunciados pela PGR e por quais crimes eles respondem

 

 

 

 

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) recentemente apresentou uma denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas, acusados de envolvimento em tentativas de golpe de estado e atos contra os três poderes da República. Essa denúncia é um marco importante na história recente do Brasil, pois aborda questões fundamentais sobre a integridade de nosso sistema democrático e a segurança institucional do país. Neste artigo, analisaremos os pontos principais da denúncia, os crimes atribuídos aos denunciados e o significado desse processo para a sociedade brasileira.

Desenvolvimento:

  1. Contexto da Denúncia

A denúncia da PGR surge em um momento crítico, após um período de intensa polarização política e diversas tentativas de minar a confiança nas instituições democráticas. O inquérito, que foi apresentado à noite de terça-feira, detalha as acusações contra Bolsonaro e os demais denunciados, dividindo os fatos em cinco peças acusatórias distintas.

  1. Principais Crimes Atribuídos

Os denunciados são acusados de cometer os seguintes crimes:

  • Organização Criminosa Armada: Isso sugere que houve uma estrutura organizada com o objetivo de cometer atos ilícitos contra a ordem constitucional.
  • Tentativa de Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito: Esta acusação é grave, indicando que houve esforços para derrubar o sistema democrático por meios ilegais e violentos.
  • Golpe de Estado: A tentativa de assumir o poder de forma não constitucional é um dos crimes mais sérios contra a democracia.
  • Dano Qualificado pela Violência e Grave Ameaça contra o Patrimônio da União: Isso refere-se a danos causados a propriedades públicas, possivelmente durante os atos de 2023.
  • Deterioração de Patrimônio Tombado: Algumas ações podem ter afetado monumentos históricos ou locais protegidos por lei.
  1. Quem São os Denunciados?

A lista de denunciados é extensa e inclui figuras proeminentes do governo anterior, militares, policiais e assessores. Alguns nomes de destaque incluem:

  • Jair Bolsonaro: O ex-presidente é o principal acusado, enfrentando múltiplas acusações que abrangem a tentativa de golpe e danos ao patrimônio público.

    Veja nomes dos denunciados e quais crimes ele vão responder:

    • 1. Ailton Gonçalves Moraes Barros

    Militar da reserva, Ailton Barros é apontado pelo inquérito da PGR como integrante de grupo responsável por realizar operações estratégicas de desinformação sobre as urnas eletrônicas, além de instabilidade social e consumação da ruptura institucional.

    • 2. Alexandre Ramagem

    Ex-policial-civil da Polícia Civil do Distrito Federal, Ramagem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro. No inquérito da PGR, Alexandre Ramagem é apontado como parte da criação de um grupo técnico para desacreditar as urnas eletrônicas.

    • 3. Almir Garnier Santos

    General do Exército, Almir Garnier é próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro. No governo do político do PL, ele foi nomeado como comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). De acordo com a PGR, Garnier endossou a tentativa de golpe de estado.

    • 4. Anderson Torres

    Anderson Torres foi ministro da Justiça e Segurança Pública de Jair Bolsonaro. Ele assumiu o cargo em 2021, sucedendo André Mendonça, atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Em janeiro de 2023, na época dos atos golpistas na Praça dos Três Poderes, Torres era o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.

    No inquérito da PGR, é apontado que ele participou de organização criminosa armada, além de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

    • 5. Angelo Martins Denicoli

    Major da reserva do Exército, Angelo Martins Denicoli ocupou cargo de direção no Ministério da Saúde, na gestão Eduardo Pazuello, durante o governo Bolsonaro. Durante a pandemia da covid-19, ele promoveu ataques e publicou informações falsas sobre a doença e as medidas sanitárias contra o vírus.

    Para a PGR, de acordo com o inquérito divulgado nesta terça, Ângelo Martins Denicoli teve um papel na criação de um grupo técnico para desacreditar as urnas eletrônicas. Neste papel, ele contou com a ajuda de Alexandre Ramagem. 

    • 6. Augusto Heleno

    General do Exército Brasileiro da reserva e político, Augusto Heleno atuou como ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo de Jair Bolsonaro. Heleno é um dos principais aliados de Bolsonaro.

    No inquérito, Heleno é destacado como alguém que participou de grupos com objetivo de atacar a credibilidade de urnas eletrônicas para fragilizar o estado democrático de direito.

    • 7. Bernardo Romão Correa Netto

    Apoiador de Bolsonaro, Romão Netto já foi secretário de Segurança Pública do Distrito Federal em 2019. Para a PGR, ele integrou organização criminosa que visava impedir o funcionamento do estado democrático de direito.

    • 8. Carlos Cesar Moretzsohn Rocha

    Engenheiro, Carlos Cesar Moretzsohn Rocha é apontado pela PGR como um dos responsáveis por selecionar teses hipotéticas de indícios de fraude nas urnas eletrônicas nas eleições de 2022.

    • 9. Cleverson Ney Magalhães

    Militar e ex-oficial do Comando de Operações Terrestres, Cleverson Ney Magalhães, para a PGR, articulou a participação do Comando de Operações Terrestres (COTER) na implementação de um golpe de estado.

    • 10. Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira

    Assim como Cleverson, Estavam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira era do COTER. Ele, segundo o inquérito, também articulou a participação do comando para implementar o golpe. Ainda segundo a PGR, ele arquitetou a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

    • 11. Fabrício Moreira de Bastos

    Coronel do Exército, Fabrício Moreira Bastos participou da articulação de um grupo para implementar um golpe de estado, de acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República.

    • 12. Fernando de Sousa Oliveira

    Então secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) no 8 de Janeiro de 2023, Fernando de Sousa Oliveira foi denunciado pela PGR por organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito (tentativa), golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União (com violência e grave ameaça) e deterioração de patrimônio tombado.

    • 13. Filipe Garcia Martins

    Filipe Garcia Martins foi assessor de assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro. A PGR o acusou de participação em organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito (tentativa), golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União (com violência e grave ameaça), e deterioração de patrimônio tombado.

    • 14. Giancarlo Gomes Rodrigues

    Militar do Exército, Giancarlo Gomes Rodrigues é apontado pela PGR como integrante da chamada “Abin paralela”. Ele seria responsável por operar a ferramenta First Mile para monitorar ilegalmente a localização de adversários e desafetos do governo Bolsonaro.

    • 15. Guilherme Marques de Almeida

    Tenente-coronel do Exército, Guilherme Marques Almeida foi apontado pela PGR como participante do núcleo de desinformação para descredibilizar as eleições no país e promover um golpe de estado.

    • 16. Hélio Ferreira Lima

    Tenente-coronel do Exército, ele foi identificado em trocas de mensagens com o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Barbosa Cid, de acordo com o inquérito da PGR.

    • 17. Jair Bolsonaro

    Ex-presidente do país, Jair Bolsonaro responderá por organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito (tentativa), golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União (com violência e grave ameaça) e deterioração de patrimônio tombado.

    • 18. Marcelo Bormevet

    Policial federal suspeito de integrar o esquema de espionagem ilegal conhecido como “Abin paralela”

    • 19. Márcio Nunes de Rezende Júnior

    Coronel do Exército suspeito de participar de trama golpista.

    • 20. Marcelo Costa Câmara

    Coronel da reserva e ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é acusado de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, crimes de organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima, e deterioração de patrimônio tombado.

    • 21. Mario Fernandes

    Ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência, general da reserva e homem de confiança de Bolsonaro. É suspeito de participar de um grupo que planejou as mortes de Lula, Alckmin e Moraes.

    Segundo a PGR, ele responderá por crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito (tentativa), golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União (com violência e grave ameaça), e deterioração de patrimônio tombado.

    • 22. Marília Ferreira de Alencar

    Marília é ex-subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do DF. Ela responderá por acusação de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito (tentativa), golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União (com violência e grave ameaça), e deterioração de patrimônio tombado.

    • 23. Mauro Cid

    Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cesar Barbosa Cid é tenente-coronel do Exército. Segundo a PGR, ele endossou mensagens que atacavam as urnas eletrônicas, além de participar do plano de golpe de estado.

    • 24. Nilton Diniz Rodrigues

    General do Exército suspeito de participar de trama golpista.

    • 25. Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho

    Empresário e neto do ex-presidente do período da ditadura militar João Figueiredo.

    • 26. Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira

    Ex-ministro da Defesa, general da reserva e ex-comandante do Exército, denunciado por participar da trama golísta.

    • 27. Rafael Martins de Oliveira

    Tenente-coronel e integrante do grupo “kids pretos”

    • 28. Reginaldo de Oliveira Abreu

    Militar da reserva no Exército, Reginaldo Vieira de Abreu comandou por dois anos, até 2015, o 6º Batalhão de Infantaria de Selva, em Guajará-Mirim (RO).

    • 29. Rodrigo Bezerra de Azevedo

    Tenente-coronel Rodrigo Bezerra Azevedo é integrante das Forças Especiais do Exército, também conhecidos como “kid pretos”.

    • 30. Ronald Ferreira de Araujo Júnior

    Tenente-coronel do Exército;

    • 31. Silvinei Vasques

    Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), preso em 2023 por interferência nas eleições presidenciais. Foi solto em agosto de 2024. Para a PGR, ele participou de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito (tentativa), golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União (com violência e grave ameaça), e deterioração de patrimônio tombado.

    • 32. Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros

    Tenente-coronel que integrava o “núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral”.

    • 33. Walter Souza Braga Netto

    Ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022, general da reserva do Exército. Braga Netto é acusado de liderar organização criminosa armada, além de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    • 34. Wladimir Matos Soares

    Policial federal que atuou na segurança do hotel em que Lula ficou hospedado na transição. Ele é suspeito de participar de grupo que planejou as mortes de Lula, Moraes e Alckmin.

  1. A Importância do Processo

A denúncia da PGR representa um passo crucial na preservação da democracia brasileira. Ao investigar e processar indivíduos que supostamente tentaram subverter o Estado de Direito, o sistema jurídico demonstra sua capacidade de proteger as instituições contra ameaças internas.

Além disso, esse processo envia uma mensagem clara de que nenhum cidadão, por mais influente que seja, está acima da lei. É fundamental que a justiça seja feita de forma imparcial e baseada na evidência, garantindo que a verdade prevaleça e que os responsáveis sejam devidamente punidos.

  1. Desafios Futuros

Embora a denúncia seja um passo importante, o processo judicial ainda está no início. Haverá desafios significativos, incluindo a coleta de provas, a análise das defesas e a decisão do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

É essencial que todo o processo seja conduzido com transparência e respeito aos direitos dos acusados. A sociedade brasileira deve acompanhar esses desenvolvimentos com atenção, garantindo que a justiça seja servida de forma equitativa e imparcial.

Conclusão:

A denúncia da PGR contra Jair Bolsonaro e outros 33 indivíduos por envolvimento em tentativas de golpe de estado e atos contra os três poderes é um momento histórico para o Brasil. Ela destaca a determinação das instituições democráticas em proteger a Constituição e o Estado de Direito.

Enquanto o processo se desenrola, é crucial que a sociedade permaneça vigilante e comprometida com a defesa da democracia. Através da justiça e do respeito às leis, podemos garantir que o Brasil continue a ser uma nação governada pelo povo, para o povo, e sob a proteção da Constituição.