O Brasil se encontra em estado de revolta. Dois casos de violência extrema contra mulheres vêm lançando uma sombra de dor e indignação sobre a nação. No último domingo (16), Natany Alves, de apenas 20 anos, foi sequestrada por três criminosos logo após sair da igreja, assassinada em um cenário de crueldade que ecoa o chocante homicídio de Sashira Camilly, ocorrido em Vitória da Conquista, Bahia, em 2021.
Um Crime que Reabre Feridas
Em pleno Ceará, Natany Alves teve sua vida ceifada em circunstâncias terríveis. Abduzida enquanto transitava em seu próprio carro, o caso se destaca não apenas pela violência empregada, mas também pela sensação avassaladora de impunidade que o cerca. O sequestro e assassinato da jovem evidenciam, mais uma vez, como o país se vê refém de crimes brutais, onde a rapidez e eficiência da justiça parecem estar em segundo plano.
Lembranças de um Horror Passado
O assassinato de Sashira Camilly, uma estudante de Engenharia Civil de apenas 19 anos, chocou o Brasil há três anos. Naquela fatídica tarde de setembro de 2021, Sashira foi dopada, esfaqueada e estrangulada pelo ex-namorado Rafael Souza, com o apoio de dois colegas. O planejamento meticuloso e a frieza com que o crime foi executado deixaram marcas profundas na memória coletiva, especialmente após o corpo ter sido encontrado em um terreno baldio, a cerca de 50 km de Vitória da Conquista.
Impunidade que Fere
Apesar da gravidade dos fatos, a justiça segue lenta e parcial. Enquanto Rafael Souza e um dos cúmplices permanecem presos, Filipe Gusmão foi liberado em maio de 2023 por meio de habeas corpus, decisão que reacendeu a fúria e o sentimento de desamparo na comunidade e entre os familiares de Sashira. O clamor por uma resposta efetiva do sistema judicial é cada vez mais forte, à medida que o tempo apenas aprofunda o sentimento de revolta e a sensação de que os verdadeiros responsáveis pelos crimes continuam impunes.
Vozes de Dor e Clamor por Justiça
O pai de Sashira, Edilvânio Alves – carinhosamente conhecido como “Seis Dedos” – tem sido uma voz incansável na luta contra a impunidade. Em entrevista recente, suas palavras revelaram a profundidade da dor de uma perda irreparável e a esperança de que, ao menos um dia, os assassinos de sua filha sejam julgados e condenados. “Espero que um dia esses três bandidos paguem pela morte de Sashira. Só assim o coração pode ficar um pouco aliviado”, desabafou emocionado.
Reflexão e Urgência
A ressonância entre os dois casos não pode ser ignorada. Cada nova ocorrência de violência contra a mulher serve como um lembrete sombrio de que a cultura da impunidade ainda impera, mesmo quando a sociedade clama por justiça. As autoridades e a sociedade civil precisam, urgentemente, repensar as estratégias de combate à violência e agir com rigor contra os responsáveis por tais atrocidades.
Enquanto o caso no Ceará segue em investigação, a memória de Sashira Camilly permanece como um símbolo da luta contra o feminicídio e a violência de gênero. A pergunta que ecoa é clara: até quando o Brasil continuará permitindo que a justiça falhe e vidas sejam ceifadas em nome da impunidade?