Política e Resenha

Sem Perdão: Por Que Bolsonaro e os Golpistas Não Podem Ser Anistiados

 

 

 

A história recente do Brasil é marcada por erros que insistem em se repetir. A tentativa de golpe orquestrada por Jair Bolsonaro e seus aliados há dois anos é um exemplo gritante de como a impunidade do passado alimenta os abusos do presente. Ao permitir que crimes contra a democracia fiquem sem punição, enviamos um recado perigoso: os ataques às instituições podem ser perdoados em nome de uma falsa pacificação.

Essa lógica precisa ser rejeitada. Anistiar Bolsonaro e os militares que conspiraram contra o Estado Democrático de Direito não apenas abriria um precedente nefasto, como também perpetuaria a cultura de impunidade que já nos custou caro no passado.

A Falha da Lei da Anistia

A Lei da Anistia de 1979 foi vendida como um passo essencial para a reconciliação nacional. Mas, em vez de promover justiça, ela institucionalizou o esquecimento. Agentes do regime militar que cometeram crimes hediondos – tortura, assassinato e desaparecimentos forçados – nunca foram responsabilizados. As vítimas foram silenciadas, e os algozes, protegidos.

Essa escolha de “virar a página” sem ler suas linhas deixou feridas abertas. Ao ignorar os crimes de tortura, o Brasil criou um ambiente em que a violência estatal era tolerada e, pior, replicada em outras formas. Bolsonaro é produto direto desse fracasso histórico. Seu discurso de exaltação à ditadura e seus ataques às instituições democráticas são reflexos de um país que não confrontou seus demônios.

Por Que Não Podemos Anistiar Bolsonaro e Seus Aliados?

A tentativa de golpe liderada por Bolsonaro e apoiada por setores militares não foi um ato isolado ou fruto de ignorância política; foi uma ação deliberada contra a democracia. Investigações mostram que havia um plano estruturado para anular as eleições e perpetuar o ex-presidente no poder. Anistiar esses atos seria mais do que um erro estratégico – seria uma traição aos princípios democráticos que tanto lutamos para conquistar.

Quando crimes como esses são perdoados, o ciclo de violência e abuso de poder se perpetua. A impunidade alimenta a audácia. Assim como os torturadores da ditadura se sentiram acima da lei, os golpistas de hoje podem acreditar que suas ações nunca terão consequências reais.

Mais do que punir os responsáveis, negar-lhes a anistia é uma mensagem clara para a sociedade: a democracia não é negociável. É um compromisso com as gerações futuras, garantindo que golpes e autoritarismo não sejam normalizados.

Lições da História

Em países como a Argentina e o Chile, os responsáveis por crimes de suas ditaduras foram julgados e condenados. O processo foi doloroso, mas necessário para restaurar a confiança nas instituições e dar voz às vítimas. No Brasil, seguimos o caminho oposto: escolhemos o silêncio.

Essa escolha custou caro. Não há reconciliação sem justiça. Não há avanço sem memória. Cada vez que ignoramos os erros do passado, pavimentamos o caminho para que eles sejam repetidos.

A Importância da Responsabilização

Punir Bolsonaro e seus aliados não é apenas um ato de justiça; é uma salvaguarda para o futuro. É garantir que as instituições sejam respeitadas e que nenhum líder político, por mais popular que seja, possa agir acima da lei.

Negar a anistia é dizer que o Brasil aprendeu com seus erros. Que as atrocidades da ditadura não serão mais ignoradas e que as tentativas de golpe não serão tratadas como “excessos” justificáveis. É afirmar que a democracia brasileira é mais forte do que os interesses de quem deseja destruí-la.

Conclusão: Justiça para Proteger a Democracia

O Brasil não pode mais errar. Anistiar Bolsonaro e os militares golpistas seria repetir o mesmo erro que permitiu a ascensão de figuras autoritárias no presente. É hora de romper com o ciclo de impunidade que define nossa história política.

A democracia não se defende apenas com palavras; ela exige ações concretas. Negar a anistia aos que conspiraram contra ela é um ato de proteção e respeito. Somente ao responsabilizar os culpados podemos garantir que os erros do passado não sejam a tragédia do futuro. É uma escolha difícil, mas necessária, para que o Brasil avance como uma verdadeira nação democrática.

Padre Carlos