A rodovia Rio-Bahia, oficialmente conhecida como BR-116, é uma das principais artérias viárias do Brasil, conectando o Nordeste ao Sudeste e desempenhando um papel vital no transporte de mercadorias e pessoas. No entanto, há um trecho específico que há anos é motivo de preocupação para motoristas, transportadores e autoridades: o segmento que vai do entroncamento de Belo Campo até Planalto, na Bahia. Este é, sem dúvida, o ponto mais crítico da rodovia, marcado por uma alta incidência de acidentes e congestionamentos que comprometem a segurança dos usuários e a eficiência logística da região. Diante da inviabilidade financeira de uma duplicação completa e da conjuntura agravada pela saída da concessionária Via Bahia da gestão operacional, surge uma proposta sensata e viável: construir uma segunda faixa em ambos os sentidos desse trecho, em vez de insistir em uma solução mais ambiciosa, mas atualmente impraticável.
Por que uma segunda faixa?
A ideia de construir uma segunda faixa em vez de duplicar completamente o trecho entre Belo Campo e Planalto é, acima de tudo, uma resposta pragmática a um problema urgente. A duplicação tradicional, com pistas separadas por canteiros centrais e toda a infraestrutura associada, seria a solução ideal em um cenário de recursos abundantes. No entanto, os altos custos e a complexidade desse tipo de obra tornam-na inviável no curto e médio prazo, especialmente após a saída da Via Bahia, que deixou um vácuo na administração da rodovia. A construção de uma segunda faixa, por outro lado, oferece uma alternativa mais simples, rápida e acessível, sem sacrificar os benefícios essenciais de segurança e fluidez no tráfego.
Vantagens técnicas e práticas
O trecho em questão possui características que favorecem essa proposta. Diferentemente de outras seções da BR-116, que cortam áreas montanhosas e exigem intervenções complexas como túneis, viadutos ou desmatamentos extensos, o segmento entre Belo Campo e Planalto é relativamente plano, sem montanhas ou rochas que demandem grandes obras estruturais. Não há necessidade de construir pontes ou realizar explosões para abrir caminho: a expansão da pista pode ser feita aproveitando o terreno existente, o que reduz significativamente os custos e o tempo de execução.
Outro ponto forte é a ausência de necessidade de desapropriações. Em muitas obras viárias, a aquisição de terras e a realocação de comunidades são entraves que elevam os gastos e geram atrasos. Aqui, a segunda faixa pode ser construída dentro dos limites já estabelecidos da rodovia, evitando impactos sociais e disputas legais. Além disso, os impactos ambientais seriam mínimos, já que não há previsão de desmatamento significativo ou interferência em áreas de preservação. Em um mundo que cobra cada vez mais responsabilidade ecológica, essa é uma vantagem que não pode ser subestimada.
Benefícios para a segurança e a economia
Os ganhos com a construção de uma segunda faixa seriam sentidos imediatamente. A segurança, principal preocupação no trecho, melhoraria de forma substancial. Hoje, a pista única força motoristas a realizar ultrapassagens arriscadas, especialmente em trechos com tráfego intenso de caminhões pesados. Os acidentes, muitos deles fatais, são uma triste rotina. Com uma segunda faixa em ambos os sentidos, haveria mais espaço para manobras seguras, reduzindo o risco de colisões frontais e outros incidentes.
A fluidez do tráfego também seria transformada. Congestionamentos frequentes nesse trecho atrasam viagens, aumentam os custos logísticos e prejudicam a competitividade das empresas que dependem da BR-116 para escoar suas mercadorias. Uma segunda faixa permitiria um fluxo mais constante de veículos, diminuindo os tempos de viagem e os gastos operacionais. Para uma região como a Bahia, que depende fortemente da rodovia para conectar seus produtos ao resto do país, esse seria um avanço econômico de grande relevância.
Financiamento: a emenda de bancada como solução
Um dos maiores desafios para obras públicas no Brasil é a falta de recursos. Felizmente, a proposta de construir uma segunda faixa pode ser viabilizada por meio de uma ferramenta já existente: a emenda de bancada da Bahia. As emendas de bancada são verbas do Orçamento Geral da União destinadas por deputados e senadores de um estado para projetos prioritários em sua região. Por se tratar de uma obra de custo relativamente baixo — em comparação com a duplicação completa —, os recursos da emenda poderiam cobrir grande parte ou até a totalidade das despesas, tornando o projeto exequível sem depender de aportes extraordinários do governo federal ou de parcerias público-privadas complexas.
Esse financiamento não beneficia apenas a Bahia. A BR-116 é uma rodovia de interesse nacional, e melhorias em seu trecho crítico teriam reflexos positivos em todo o Nordeste e no Sudeste, fortalecendo a logística do país. Assim, a emenda de bancada da Bahia seria um investimento estratégico, com retorno garantido em segurança, eficiência e desenvolvimento regional.
Responder às objeções
Toda proposta enfrenta críticas, e esta não é exceção. Alguns podem argumentar que uma segunda faixa não resolve todos os problemas de tráfego ou que a duplicação completa seria uma solução mais definitiva. É verdade que a duplicação é o cenário ideal, mas também é uma meta distante diante da realidade financeira atual. Insistir em uma solução perfeita enquanto os acidentes e os engarrafamentos persistem é condenar os usuários da rodovia a anos de espera — e risco. A segunda faixa é um meio-termo realista: uma melhoria significativa que pode ser implementada agora, sem prejuízo de planos futuros para uma duplicação, caso as condições permitam.
Outra preocupação poderia ser a manutenção da rodovia após a saída da Via Bahia. No entanto, uma infraestrutura mais segura e eficiente, como a resultante da segunda faixa, pode atrair novas concessionárias ou modelos de gestão que garantam a conservação do trecho. A obra, portanto, não é apenas uma solução imediata, mas também um passo para um futuro mais sustentável para a Rio-Bahia.
O papel da sociedade: é hora de cobrar
Para que essa proposta saia do papel, a mobilização popular e política é essencial. A emenda de bancada depende da vontade dos deputados e senadores da Bahia, e esses representantes só agirão se sentirem a pressão da sociedade. Motoristas, transportadores, empresários, associações civis e cidadãos comuns precisam unir forças para cobrar dos parlamentares a destinação dos recursos necessários. A mídia local tem um papel crucial em dar visibilidade ao problema e à solução proposta, enquanto audiências públicas podem garantir que a voz das comunidades afetadas seja ouvida.
Não se trata apenas de uma obra de infraestrutura, mas de uma questão de vida e desenvolvimento. Cada acidente evitado, cada hora economizada no trânsito, cada real poupado em custos logísticos será um testemunho do impacto positivo dessa iniciativa. A construção de uma segunda faixa na BR-116 entre Belo Campo e Planalto é uma oportunidade que não podemos deixar escapar.
Conclusão
O trecho crítico da Rio-Bahia clama por uma solução, e a construção de uma segunda faixa em ambos os sentidos é a resposta mais viável e eficaz que temos à disposição. Simples, barata e sustentável, ela aproveita as condições favoráveis do terreno, evita desapropriações e impactos ambientais, e pode ser financiada pela emenda de bancada da Bahia. Mais do que isso, é uma medida que salva vidas e impulsiona a economia. Cabe a nós, cidadãos e representantes, transformar essa ideia em realidade. Vamos todos cobrar de nossos parlamentares: o futuro da Rio-Bahia — e de milhares de brasileiros que dela dependem — não pode esperar.
JOSÉ MARIA CAIRES
DUPLICA SUDOESTE