Política e Resenha

🎭 Vitória da Conquista em ritmo de obra: o “Bloquinho do Trabalho” não sai da avenida do compromisso

 

 

 

 Padre Carlos

Vitória da Conquista já sente o cheiro de confete no ar, o batuque dos ensaios e o brilho das fantasias que começam a tomar as ruas. Mas, enquanto muitos afinam os instrumentos para a festa, há quem tenha escolhido outro compasso: o som firme das betoneiras, o martelo ritmado contra o concreto e o vai e vem dos capacetes sob o sol forte do Cruzeiro.

É nesse cenário que a prefeita surge, sem serpentinas, mas com prancheta e olhar atento. “Carnaval chegando. Ó, tô com a Liomar aqui, com o João Vitor, e o nosso bloquinho é o bloquinho do trabalho.” A frase ecoa entre as paredes ainda em construção do novo CAPS do Cruzeiro — uma obra que simboliza mais do que tijolos e cimento: representa cuidado, saúde mental e compromisso público.

Enquanto a cidade se prepara para a folia, a equipe da obra responde em coro ao chamado da prefeita: “1, 2, 3!”. Não é grito de guerra carnavalesco, é contagem de produtividade. É a demonstração de que o calendário festivo não suspende o calendário da responsabilidade.

O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é uma das estruturas mais sensíveis da rede pública de saúde. Ali, vidas fragilizadas encontram acolhimento, tratamento e esperança. Construí-lo não é apenas cumprir uma meta administrativa — é erguer um espaço de dignidade para quem precisa de cuidado contínuo.

Na boca do Carnaval, como disse a prefeita, a cena poderia ser outra: agendas leves, fotos em camarotes, discursos protocolares. Mas o que se vê no Cruzeiro é suor, planejamento e fiscalização. Uma mulher chamada trabalho, como já a apelidam nos bastidores da gestão.

Ao caminhar pelo canteiro de obras, ela pergunta, observa, cobra prazos, conversa com os operários. Não há improviso — há acompanhamento. Não há fantasia — há responsabilidade. E essa presença constante comunica algo importante à população: gestão pública não pode entrar em recesso emocional enquanto os problemas da cidade continuam ativos.

Em tempos em que a política muitas vezes se transforma em espetáculo vazio, a imagem de uma prefeita em meio à poeira da construção civil produz um contraste poderoso. Mostra que governar é, antes de tudo, estar onde as coisas acontecem — especialmente onde ainda estão por acontecer.

Vitória da Conquista vai cantar, dançar e celebrar. Mas, quando as luzes da festa se apagarem e o último trio elétrico silenciar, ficará de pé o que foi construído. E entre os legados que resistem ao calendário está esse CAPS no Cruzeiro — fruto de um “bloquinho” que escolheu desfilar no ritmo do trabalho.

No compasso firme de “1, 2, 3”, a cidade percebe que há gestões que preferem o som da responsabilidade ao eco das palmas passageiras. E, para além do Carnaval, talvez seja esse o enredo que mais importa.