Homenagem

Por José Alcimar de Oliveira
Como tecer uma homenagem à altura de um brasileiro que soube imprimir estilo, dignidade, ética e sabedoria ao que produziu como professor, escritor, repórter e jornalista?
Da história à transcendência
Zuenir Ventura, neste 22 de setembro de 2026, aos 95 anos, passou da imanência histórica para a transcendência transepocal.
Se sua partida deixa memória é porque teceu a existência por um itinerário que conjugava liberdade de espírito, rigor do ofício, humana sensibilidade e direitos da inteligência.
“Liberdade de espírito, rigor do ofício, humana sensibilidade e direitos da inteligência.”
O arquivista que virou mestre
Zuenir: um arquivista que virou mestre, um afinado repórter do 1968 que não terminou, um autor que, mesmo diante da Cidade Partida, nunca deixou de apostar na utopia da cidade reunida.
Um legado brasileiro
Fica para o Brasil o exemplo do “vampiro da juventude”, do imortal da Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras — antes ocupada pelo não menos imortal Ariano Suassuna —, que nos ensinou que jornalismo é relatar o mundo sem se eximir de nele se envolver.
A força da delicadeza
Para Zuenir, o ato de escrever implicava mobilizar a força da delicadeza contra a brutalidade da barbárie. Talvez esteja justamente aí uma das maiores dimensões de sua permanência: compreender que a palavra pode ser firme sem perder a humanidade, crítica sem abdicar da sensibilidade e comprometida com seu tempo sem se tornar prisioneira dele.
Muito obrigado por ter existido, mestre Zu.
Uma despedida que é também permanência
Há homens cuja ausência encerra uma presença. Outros, porém, continuam habitando as páginas, as ideias, a memória e a consciência daqueles que aprenderam com eles. Zuenir pertence a essa segunda espécie de homens: os que atravessam o tempo porque fizeram da própria vida uma forma de testemunho.
Sua obra permanece como convite à inteligência, à responsabilidade jornalística e à delicadeza possível num mundo tantas vezes dominado pelo ruído e pela brutalidade.
José Alcimar de Oliveira
Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas.
Em 22 de setembro de 2026.
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Artigo de homenagem • José Alcimar de Oliveira



